{"id":11170,"date":"2012-09-06T19:01:50","date_gmt":"2012-09-06T22:01:50","guid":{"rendered":"http:\/\/bestcars.uol.com.br\/bc\/?p=11170"},"modified":"2012-09-13T14:05:34","modified_gmt":"2012-09-13T17:05:34","slug":"386-o-carro-da-paixao-a-ostentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/editorial\/386-o-carro-da-paixao-a-ostentacao\/","title":{"rendered":"O carro, da paix\u00e3o \u00e0 ostenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Editorial\" src=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/editorial.png\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"143\" \/><\/p>\n<h2>Foram-se os tempos da zelosa lavagem: hoje o autom\u00f3vel<br \/>\nrepresenta posi\u00e7\u00e3o social, mas logo deixa de represent\u00e1-la<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Brasileiro \u00e9 apaixonado por carros&#8221;, diz o comercial da companhia de combust\u00edveis. Volta e meia paro para pensar nessa no\u00e7\u00e3o, se \u00e9 verdadeira, se corresponde \u00e0 atualidade ou se ficou no passado.<\/p>\n<p>\u00c9 cl\u00e1ssica a cena do zeloso propriet\u00e1rio que passa o s\u00e1bado lavando, encerando, embelezando o &#8220;possante&#8221; como se fosse seu animal de estima\u00e7\u00e3o \u2014 ou mais que isso, quase um membro da fam\u00edlia. O carro em quest\u00e3o n\u00e3o precisa ser novo, luxuoso ou potente; na verdade, sua simplicidade, os anos passados e os quil\u00f4metros acumulados no hod\u00f4metro servem justamente para tornar mais evidente quanto cuidado \u00e9 dispensado em sua conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma constata\u00e7\u00e3o, compartilhada com muita gente com que j\u00e1 conversei, sugere que o zelo dos brasileiros com a apar\u00eancia de seu carro talvez n\u00e3o tenha similar no mundo. Seja na Europa e nos Estados Unidos \u2014 antes mesmo da crise \u2014, seja aqui ao redor na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 comum ver circulando carros de fabrica\u00e7\u00e3o recente com certos danos que afetam o visual, mas n\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o, como raspadas e amassados. Eles n\u00e3o se incomodam porque se trata apenas de um meio de transporte, que n\u00e3o deixa de servir a seu prop\u00f3sito por causa de um rasp\u00e3o.\u00a0No Brasil, isso \u00e9 raro: rodar por a\u00ed com um para-choque ralado parece envergonhar mais as pessoas que andar com o sapato furado no ded\u00e3o, para alegria dos &#8220;martelinhos de ouro&#8221; e funileiros em geral.<\/p>\n<p>Tenho a impress\u00e3o, por\u00e9m, de que esse quadro est\u00e1 mudando.<\/p>\n<p>De uns anos para c\u00e1, em grande parte pela facilidade de obter cr\u00e9dito e pela queda de juros, ficou mais f\u00e1cil comprar um carro. Um carro novo, sobretudo, pois para os usados as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o favor\u00e1veis \u2014 o que concorre para derrubar ainda mais seu valor de mercado, mas isso \u00e9 assunto para outro Editorial. Muita gente que nunca esteve perto de comprar um carro zero-quil\u00f4metro hoje pode t\u00ea-lo na garagem, mesmo que isso represente o comprometimento mensal de parcela expressiva de seu or\u00e7amento (<a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/editorial\/380-custos-de-ter-automovel.htm\">leia mais sobre os custos associados a ter um autom\u00f3vel<\/a>).<\/p>\n<p>Um dos efeitos dessa facilidade de compra, se minha percep\u00e7\u00e3o estiver correta, \u00e9 que o carro \u2014 desde sempre um s\u00edmbolo de posi\u00e7\u00e3o social no Brasil, at\u00e9 por nunca ter sido barato \u2014, ao mesmo tempo em que representa para mais pessoas a ascens\u00e3o em termos financeiros, deixa de represent\u00e1-la com mais rapidez. Sintetizando, o autom\u00f3vel \u00e9 desejado quando novo, mas perde seu apelo cada vez mais cedo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O SUV espelha o modo de vida exagerado dos norte-americanos, mas eles t\u00eam gasolina barata e espa\u00e7o abundante nas ruas, garagens e estacionamentos<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Parece refor\u00e7ar essa tese a declara\u00e7\u00e3o de um executivo da Fiat, alguns anos atr\u00e1s, quando a marca remodelou mais uma vez a frente do Palio. A justificativa para a frequ\u00eancia das mudan\u00e7as foi que o prazo m\u00e9dio de financiamento de ve\u00edculos no Brasil era de 36 meses; portanto, ao fabricante interessava lan\u00e7ar um novo visual (mesmo que sem evolu\u00e7\u00f5es efetivas, eu acrescentaria) a cada tr\u00eas anos para estimular a troca do carro, enfim pago, por um novo. E tome carn\u00ea&#8230;<\/p>\n<p>Um amigo que prefere se manter an\u00f4nimo definiu bem essa tend\u00eancia. &#8220;Meu Punto tomou uma chuva de granizo, ficou todo amassado e eu n\u00e3o estou nem a\u00ed. Nem me reconhe\u00e7o mais! Se fosse tempos atr\u00e1s, teria consertado. E quer saber por qu\u00ea? Porque daqui a dois anos eu dou um p\u00e9 nele e compro um zero&#8230; Hoje, ficar consertando e lavando carro \u00e9 coisa de gente que tem que fazer o carro durar d\u00e9cadas, porque n\u00e3o poder\u00e1 comprar outro t\u00e3o cedo&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 esse desprendimento por um lado, por outro permanece viva \u2014 se n\u00e3o maior \u2014 a express\u00e3o do autom\u00f3vel como s\u00edmbolo de ascens\u00e3o social. O que \u00e9 curioso \u00e9 que as pessoas, ou ao menos muitas delas, n\u00e3o precisam ver algo realmente caro para enxergar uma ostenta\u00e7\u00e3o, um demonstrativo de situa\u00e7\u00e3o financeira. &#8220;Eu tenho status de celebridade no meu condom\u00ednio porque tenho um Fiat 500 perolizado&#8230; Tem algo mais rid\u00edculo que isso?&#8221;, questiona outro amigo com que conversei a respeito nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>Sabendo que o 500 do amigo \u00e9 uma simples vers\u00e3o Cult, a mais acess\u00edvel do modelo, conclui-se que com R$ 40 mil \u2014 ou menos, se usado \u2014 j\u00e1 se pode passar por &#8220;celebridade&#8221;. Claro que isso depende da posi\u00e7\u00e3o social de quem opina, mas mostra que um carro pequeno, dos menores que temos \u00e0 venda no Brasil, pode ser o bastante para simbolizar que se &#8220;chegou l\u00e1&#8221;. Que o digam os donos de Mini e Audi A1, quase t\u00e3o compactos quanto o Fiat, mas vendidos a pre\u00e7os que superam R$ 100 mil em algumas vers\u00f5es.<\/p>\n<h3>N\u00e3o s\u00f3 a racionalidade<\/h3>\n<p>Se o pequeno pode ostentar, \u00e9 claro que o grande o faz melhor, com mais facilidade.\u00a0Acredito que isso explique at\u00e9 mesmo o \u00eaxito de modelos que julgamos puramente racionais, como o Chevrolet Cobalt e o Nissan Versa. Por mais que seu desenho controverso \u2014 sim, estou sendo bonzinho \u2014 d\u00ea a impress\u00e3o de que s\u00e3o comprados apenas por atributos pr\u00e1ticos como espa\u00e7o interno, \u00e9 um fato que eles s\u00e3o, ou parecem ser, bem maiores que os carros t\u00edpicos do segmento que disputam, os sed\u00e3s compactos como Fiesta, Siena e Voyage. Pelo menos uma parcela de seus compradores est\u00e1 interessada n\u00e3o em esticar mais as pernas no banco traseiro, mas em fazer parecer que comprou um carro de segmento superior.<\/p>\n<p>O que nos leva aos utilit\u00e1rios esporte ou SUVs, essa tend\u00eancia que vem tomando conta de gordas fatias do mercado em todas as categorias, do compacto de R$ 50 mil ao superluxuoso de R$ 500 mil. Alguns podem alegar que amplo v\u00e3o livre do solo, suspens\u00e3o resistente e pneus grandes s\u00e3o importantes para eventuais escapadas ao campo, para chegar at\u00e9 um s\u00edtio distante ou mesmo para enfrentar o &#8220;fora de estrada urbano&#8221; no qual se transformaram nossas ruas. Mas parece que os verdadeiros fatores que motivam sua compra s\u00e3o outros.<\/p>\n<p>O SUV espelha o modo de vida exagerado dos norte-americanos, com as diferen\u00e7as de que eles t\u00eam gasolina barata, e n\u00f3s n\u00e3o (embora a deles tenha encarecido bastante nos \u00faltimos anos), e para eles o espa\u00e7o \u00e9 abundante nas ruas, garagens e estacionamentos, o que n\u00e3o acontece aqui. Mesmo assim, cada vez mais pessoas se rendem aos apelos desse tipo de ve\u00edculo.<\/p>\n<p>O que acontece? O colega Juvenal Jorge, do \u00f3timo blog <em>Autoentusiastas<\/em>, discutiu o tema algum tempo atr\u00e1s. Entre outros argumentos, J.J. dizia: &#8220;No sentar mais alto, retornamos aos tempos da Monarquia, onde os tronos do rei e da rainha eram sempre altos. A maioria gosta de se sentir superior, chefe; ent\u00e3o, compreens\u00edvel gostar daquele carro alto&#8221;. E mais: &#8220;Muitos povos do planeta gostam de aparecer, e se pudessem, levariam uma vida de celebridade exibicionista: festas, recep\u00e7\u00f5es, aparecer na televis\u00e3o, coisas desse tipo. O SUV \u00e9 um pouco disso, com suas dimens\u00f5es de an\u00fancio de rua&#8221;.<\/p>\n<p>Entender a mente humana n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas alguns sinais d\u00e3o uma boa no\u00e7\u00e3o da forma como pensa a maioria quando o assunto \u00e9 autom\u00f3vel. Para a minoria que pensa diferente, h\u00e1 uma boa compensa\u00e7\u00e3o: encontrar a pre\u00e7os convidativos no mercado os bons carros, sejam novos ou usados, que muitos deixam de lado em busca de afirma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<table border=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><span style=\"color: #333333; font-size: 13px; line-height: 19px;\"><a href='https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/escreva-nos\/' class='small-button smallsilver' target=\"_blank\">Fale com o editor<\/a><\/span><\/td>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td><span style=\"color: #333333; font-size: 13px; line-height: 19px;\"><a href='https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/editorial\/385-os-carros-em-acelerado-crescimento\/' class='small-button smallsilver'>Editorial anterior<\/a><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram-se os tempos da zelosa lavagem: hoje o autom\u00f3vel representa posi\u00e7\u00e3o social, mas logo deixa de represent\u00e1-la<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":7506,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3593],"tags":[153,31,1610],"class_list":["post-11170","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editorial","tag-colunas-2","tag-editorial","tag-fabricio-samaha"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11170"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11170\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}