{"id":41330,"date":"2014-03-07T20:22:13","date_gmt":"2014-03-07T23:22:13","guid":{"rendered":"http:\/\/bestcars.uol.com.br\/bc\/?p=41330"},"modified":"2014-03-17T13:22:10","modified_gmt":"2014-03-17T16:22:10","slug":"423-os-carros-e-o-estepe-ruim-com-ele-talvez-pior-sem-ele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/editorial\/423-os-carros-e-o-estepe-ruim-com-ele-talvez-pior-sem-ele\/","title":{"rendered":"Os carros e o estepe: ruim com ele, talvez pior sem ele"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Editorial\" alt=\"\" src=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Editorial.png\" width=\"405\" height=\"143\" \/><\/p>\n<h2>Presente no autom\u00f3vel h\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo, o pneu<br \/>\nde\u00a0reserva amea\u00e7a desaparecer, mas ainda \u00e9 uma v\u00e1lida solu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na \u00faltima semana precisei fazer algo que n\u00e3o fazia desde 2003: trocar um pneu \u00e0 beira da estrada. A \u00faltima vez havia sido com um Honda Civic de duas gera\u00e7\u00f5es atr\u00e1s, que teve um pneu traseiro furado por um peda\u00e7o de metal. O caso que rompeu esse jejum de 11 anos \u2014 um corte em flanco interno \u2014, relatado na <a title=\"VW Golf Highline: em plena sintonia com a Europa (2)\" href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/um-mes\/teste-vw-golf-highline-em-plena-sintonia-com-a-europa-2\/\">segunda atualiza\u00e7\u00e3o do VW Golf<\/a> avaliado em <em>Um M\u00eas ao Volante<\/em>, \u00a0deu a deixa para falarmos neste Editorial de um conhecido elemento de nossos carros: o estepe.<\/p>\n<p>O pneu sobressalente, como j\u00e1 foi chamado, nasceu pouco depois do autom\u00f3vel. Com a substitui\u00e7\u00e3o dos pneus maci\u00e7os pelos verdadeiros pneum\u00e1ticos, com uma c\u00e2mara preenchida por ar, levar consigo um pneu de reserva tornou-se necess\u00e1rio \u2014 o estepe j\u00e1 pode ser visto em fotos hist\u00f3ricas de diversos modelos de 1910 em diante, em geral montado apenas em um aro, que se fixava aos raios de madeira das rodas quando fosse preciso us\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Se agora o habitual era o pneu escondido,<br \/>\na gra\u00e7a estava em voltar a exp\u00f4-lo,<br \/>\ncomo no\u00a0Lincoln Continental\u00a0de 1940<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930, com a ado\u00e7\u00e3o de rodas met\u00e1licas, os estepes passaram a inclu\u00ed-las e ganharam espa\u00e7o privilegiado na apar\u00eancia dos carros, sendo com frequ\u00eancia montados sobre os para-lamas dianteiros \u2014 bastante longos naquele per\u00edodo de motores com muitos cilindros em linha \u2014 de ambos os lados. No entanto, as carrocerias dos anos 40 e 50 passaram a integrar os para-lamas ao conjunto e isso exigiu guardar o estepe, em geral no porta-malas, fosse dianteiro ou traseiro.<\/p>\n<p>Nos grandes carros norte-americanos tornou-se normal o estepe horizontal ocupar um grande espa\u00e7o do compartimento de bagagem, como se veria no <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/classicos\/galaxie-1.htm\">Ford Galaxie\/Landau<\/a> brasileiro, no qual vinha sobre o eixo traseiro. Se agora o habitual era o pneu escondido, a gra\u00e7a estava em voltar a exp\u00f4-lo: no <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/cpassado3\/lincoln-continental-1.htm\">Lincoln Continental<\/a> de 1940 ele j\u00e1 aparecia imponente, em p\u00e9 sobre o para-choque traseiro \u2014 o \u201cestepe Continental\u201d, depois usado por v\u00e1rias marcas e oferecido como acess\u00f3rio para outros modelos. Houve tamb\u00e9m quem apenas sugerisse um pneu como ornamento da tampa do porta-malas, sem que ele ali estivesse.<\/p>\n<p>Apar\u00eancia \u00e0 parte, guardar o pneu de reserva trouxe um empecilho evidente: retirar a bagagem para poder us\u00e1-lo, o que \u00e0s vezes acontecia sob chuva e em um prec\u00e1rio acostamento. Alguns fabricantes optaram pela coloca\u00e7\u00e3o lateral no porta-malas, em p\u00e9, que chegou a tempos recentes com modelos como o Chevrolet Omega. Outros lan\u00e7aram solu\u00e7\u00f5es criativas, como a Renault com o <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/cpassado2\/dauphine-1.htm\">Dauphine\/Gordini<\/a> de 1956 (depois fabricado no Brasil pela Willys), que trazia seu estepe em um espa\u00e7o abaixo do porta-malas dianteiro, atr\u00e1s da placa de licen\u00e7a, e a Fiat com o <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/ph2\/228a.htm\">127<\/a>\/<a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/classicos\/147-1.htm\">147<\/a> e depois o <a title=\"Fiat Uno: a grande fam\u00edlia e seu \u00faltimo rebento\" href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/passado\/fiat\/fiat-uno-a-grande-familia-e-seu-ultimo-rebento\/\">Uno<\/a> nacional, com o pneu junto ao motor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class='code-block code-block-7' style='margin: 28px auto; text-align: center; display: block; clear: both;'>\n<script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script>\n<!-- AL-quadrado -->\n<ins class=\"adsbygoogle\"\n     style=\"display:block\"\n     data-ad-client=\"ca-pub-1914799802606213\"\n     data-ad-slot=\"5683066082\"\n     data-ad-format=\"auto\"\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Do sem-c\u00e2mara ao sem-estepe<\/h2>\n<p>O fato \u00e9 que colocar o sobressalente em a\u00e7\u00e3o tornou-se bem mais raro com o advento dos pneus sem c\u00e2mara, que por aqui come\u00e7aram a ser usados nos anos 60. Na ocorr\u00eancia mais comum \u2014 furo por objetos como pregos \u2014, esse tipo de pneu perde o ar lentamente, sendo poss\u00edvel quase sempre seguir viagem at\u00e9 uma borracharia ou, ao menos, um local apropriado para a troca. Os tempos de ficar na estrada por causa de um simples prego (e, mais grave, de ter o controle de dire\u00e7\u00e3o prejudicado pelo s\u00fabito vazamento do pneu)\u00a0passavam \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ao menos em termos&#8230; Continuaram a existir elementos que danificam de verdade as rodas e os pneus, como buracos e objetos que provocam seu r\u00e1pido esvaziamento, mesmo sem c\u00e2mara. Como esses fatores t\u00eam especial import\u00e2ncia em pa\u00edses como o Brasil, demorou cerca de 20 anos para come\u00e7armos a usar estepes tempor\u00e1rios, t\u00e3o estreitos como pneus de moto, que os pa\u00edses avan\u00e7ados j\u00e1 tinham nos anos 80 e chegaram a equipar o VW Voyage exportado para os Estados Unidos como Fox. As economias de peso, espa\u00e7o e custo s\u00e3o evidentes, mas eles imp\u00f5em restri\u00e7\u00f5es de velocidade e comportamento durante o uso.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas a montagem do estepe sob o assoalho do porta-malas consagrou-se, em parte porque a maioria dos carros tem tra\u00e7\u00e3o apenas dianteira (\u00e0s vezes, se \u00e9 traseira ou integral, o pneu precisa ficar mais alto ou essa coloca\u00e7\u00e3o se inviabiliza), em parte porque assim o estepe ocupa menos espa\u00e7o no compartimento que se montado na lateral. S\u00f3 que sua retirada exige a remo\u00e7\u00e3o da bagagem, o que nos leva de volta ao problema j\u00e1 mencionado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O objetivo do estepe \u00e0 mostra \u00e9 \u00a0a sensa\u00e7\u00e3o\u00a0de<br \/>\ncarro \u201cpronto para tudo\u201d, e\u00a0ainda se<br \/>\npode\u00a0usar uma capa com a decora\u00e7\u00e3o predileta<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alguns fabricantes, sobretudo os franceses, passaram a coloc\u00e1-lo embaixo da carroceria na traseira, montado em uma estrutura ou bandeja. Se a quest\u00e3o do porta-malas cheio se resolve, surgem outras: o acesso costuma ser dif\u00edcil (at\u00e9 para uma verifica\u00e7\u00e3o de press\u00e3o, se n\u00e3o houver uma janela no assoalho do compartimento) e o pneu fica mais exposto a furtos. No Brasil essa posi\u00e7\u00e3o tem poucos adeptos, o que j\u00e1 levou algumas marcas a recoloc\u00e1-lo no porta-malas ao redesenhar seus carros.<\/p>\n<p>E h\u00e1 os estepes verticais presos \u00e0 traseira, que surgiram em utilit\u00e1rios como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/cpassado3\/pajero-1.htm\">Mitsubishi Pajero<\/a>\u00a0dos anos 80\u00a0e ganharam espa\u00e7o em vers\u00f5es \u201caventureiras\u201d como Citro\u00ebn Aircross, Fiat Idea Adventure e VW Crossfox. Mais que aproveitar espa\u00e7o para bagagem, nesses casos o objetivo \u00e9 est\u00e9tico, ajudar na sensa\u00e7\u00e3o de que o carro est\u00e1 \u201cpronto para tudo\u201d \u2014 e ainda se pode usar uma capa com a decora\u00e7\u00e3o predileta, de um ousado alpinista ao <em>poodle<\/em>\u00a0 da propriet\u00e1ria. Como n\u00e3o existe almo\u00e7o gr\u00e1tis, para usar o porta-malas os donos desses modelos adaptados\u00a0precisam deslocar o estepe antes de abrir a tampa para cima. No Ford Ecosport e outros utilit\u00e1rios, a tampa abre-se para o lado e leva junto o pneu.<\/p>\n<p>Para alguns, o ideal mesmo \u00e9 abolir o estepe. Existem modelos (poucos) que usam selante e compressor de ar, para reparar o pneu furado, e j\u00e1 se tornam mais comuns os pneus do tipo roda-vazio (<em>run-flat<\/em>), com estrutura refor\u00e7ada, aptos a seguir viagem em velocidade moderada mesmo sem ar. Talvez menos sujeitos a danos no \u201cpiso lunar\u201d de muitas vias brasileiras, por causa dos flancos mais r\u00edgidos, eles t\u00eam desvantagens como perda de conforto, custo bem mais alto e, ao menos oficialmente, a impossibilidade de reparo: um simples prego pode mandar seu pneu de R$ 2 mil para o lixo.<\/p>\n<p>Pensando bem, talvez seja melhor continuar com o velho e bom estepe&#8230;<\/p>\n<table border=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><a href='https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/editorial\/422-combustivel-gasolina-seus-altos-e-baixos-e-onde-ainda-deve-avancar\/' class='small-button smallsilver'>Editorial anterior<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presente no autom\u00f3vel h\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo, o pneu de reserva amea\u00e7a desaparecer, mas ainda \u00e9 uma v\u00e1lida solu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3593],"tags":[156,153,31,1610,1946],"class_list":["post-41330","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-carros-do-passado","tag-colunas-2","tag-editorial","tag-fabricio-samaha","tag-pneus"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41330"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41330\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}