{"id":41456,"date":"2014-03-11T08:30:09","date_gmt":"2014-03-11T11:30:09","guid":{"rendered":"http:\/\/bestcars.uol.com.br\/bc\/?p=41456"},"modified":"2014-09-16T14:54:35","modified_gmt":"2014-09-16T17:54:35","slug":"423-carros-antigos-na-estrada-so-por-precaucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/no-acostamento\/423-carros-antigos-na-estrada-so-por-precaucao\/","title":{"rendered":"Carros antigos na estrada: s\u00f3 por precau\u00e7\u00e3o&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-47114 size-full\" src=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/No-Acostamento.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"146\" srcset=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/No-Acostamento.jpg 560w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/No-Acostamento-470x122.jpg 470w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/No-Acostamento-270x70.jpg 270w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/No-Acostamento-168x43.jpg 168w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/p>\n<h2>Rodar com modelos hist\u00f3ricos, t\u00e3o menos confi\u00e1veis, muitas\u00a0vezes<br \/>\ntraz emo\u00e7\u00f5es\u00a0bem diversas daquelas sentidas ao volante<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de dois anos fui agraciado com uma das oportunidades mais legais que um apaixonado por carros pode receber: um convite para escrever mensalmente sobre autom\u00f3veis antigos, numa revista especializada de grande circula\u00e7\u00e3o. A incans\u00e1vel busca por antigos nacionais e importados expandiu meu leque de amizades, lugares visitados e no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de mec\u00e2nica de autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil conciliar essa atividade com minha agenda familiar e profissional, mas tento destinar um fim de semana por m\u00eas para visitar colecionadores em S\u00e3o Paulo, quase sempre aos domingos. Um acervo rico e bem cuidado geralmente pertence a pessoas ocupadas com grandes responsabilidades, de tal forma que as simples recep\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 consistem em um enorme privil\u00e9gio.<\/p>\n<p>Melhor n\u00e3o desperdi\u00e7ar o tempo do anfitri\u00e3o: ap\u00f3s a escolha do \u201cmodelo\u201d, poucos s\u00e3o aqueles que n\u00e3o se animam a me levar para uma volta. E n\u00e3o se trata de uma voltinha no quarteir\u00e3o, pois quem tem carro antigo sabe que motor n\u00e3o se liga \u00e0 toa: \u00e9 no m\u00ednimo uma esticadinha ao litoral ou a alguma cidadezinha pr\u00f3xima, um simples bate-volta para ouvir e sentir o carro. Um programa ideal para domingos ensolarados&#8230;<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7a com o aquecimento: afogador puxado, d\u00e1-se a partida e, se tudo correr bem, aguarda-se alguns minutos em marcha-lenta para que todos os componentes e fluidos atinjam a temperatura ideal. Neste momento consigo imaginar a dilata\u00e7\u00e3o dos an\u00e9is, a estabiliza\u00e7\u00e3o da press\u00e3o de \u00f3leo (muitas vezes monoviscoso) e a condensa\u00e7\u00e3o de mistura lentamente evaporando no trato de admiss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Nas palavras do querido Mahar, &#8220;a gra\u00e7a \u00e9 ir<br \/>\nmuito longe com eles pra ver a caca que d\u00e1: quando<br \/>\nfuncionam muito bem n\u00e3o tem gra\u00e7a nenhuma&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto o motor n\u00e3o esquenta, vamos tomando um caf\u00e9 e montando o \u201ckit de primeiros socorros\u201d: alguns metros de arame (o quebra-galho universal), duas correias, algumas mangueiras, bobina, platinado, condensador, tampa do distribuidor, jogo de velas, reparo de bomba de combust\u00edvel, rolo de fita isolante, fus\u00edveis de diversas amperagens e o item mais importante de todos: um recipiente de cinco litros cheio d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>Sabe como \u00e9: s\u00f3 por precau\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Nas palavras do querido Jos\u00e9 Rezende Mahar: \u201cS\u00e3o carros que bebem muito, dif\u00edceis de restaurar, que funcionam \u00e0s vezes problematicamente, e a \u00fanica gra\u00e7a que tem \u00e9 ir muito longe com eles pra ver a caca que d\u00e1. A\u00ed fica divertido, porque quando funcionam muito bem n\u00e3o tem gra\u00e7a nenhuma: o neg\u00f3cio \u00e9 quando quebra, d\u00e1 problema. \u00c9 uma forma refinada de masoquismo\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso afirmar que seja a regra, mas passei por momentos curiosos. Como o de um Ford LTD que rodou at\u00e9 certo ponto e depois voltou guinchado, ap\u00f3s apresentar um princ\u00edpio de inc\u00eandio causado por uma bomba de combust\u00edvel com o diafragma rompido. Platinado desregulado ou com os contatos gastos \u00e9 figurinha carimbada nos antigos, quase sempre fazendo par com um condensador no fim de sua vida \u00fatil.<\/p>\n<p>Carburador e linha de combust\u00edvel s\u00e3o outras fontes de problemas: por mais cuidadoso que seja o motorista, sempre fica nas cubas um resto de gasolina, que envelhece e se transforma naquela pasta gelatinosa que fatalmente entupir\u00e1 todas as passagens que encontrar pela frente. As mangueiras tamb\u00e9m come\u00e7am a se dissolver por dentro, entupindo o filtro de combust\u00edvel em poucos quil\u00f4metros \u2014 e assim parou o Chevette.<\/p>\n<p>O induzido do d\u00ednamo \u00e9 outra pecinha que volta e meia estraga muitos passeios: sempre queima sem aviso e, quando isso ocorre, a carga da bateria vai para o espa\u00e7o. Algumas vezes o sistema el\u00e9trico vai e volta sem apresentar problema algum, mas a\u00ed quem cisma de entrar em greve \u00e9 o b\u00eandix do motor de arranque: por falta de limpeza e lubrifica\u00e7\u00e3o ele decide travar e s\u00f3 volta ao batente depois de algumas pauladas gentis, como aconteceu com um utilit\u00e1rio militar (desculpe-me o leitor, mas\u00a0a amizade que surgiu desses contatos me impede de ser mais detalhado).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class='code-block code-block-7' style='margin: 28px auto; text-align: center; display: block; clear: both;'>\n<br>\n<div align=\"center\">\n<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/bestcars.com.br\/bc\/\">\n<img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/bestcars.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Auto-Livraria-450x300-quadros.jpg\" alt=\"Auto Livraria\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\"><\/a>\n<\/div>\n<br><\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span style=\"line-height: 1.5em;\">&#8220;Essa oscila\u00e7\u00e3o \u00e9 normal&#8221;<\/span><\/h2>\n<p>\u00c0s vezes tudo anda \u00e0s mil maravilhas at\u00e9 que voc\u00ea decida pisar no freio de repente, sem guardar aquela dist\u00e2ncia de seguran\u00e7a do ve\u00edculo \u00e0 frente: o pedal simplesmente afunda at\u00e9 o assoalho, sem lhe dar satisfa\u00e7\u00e3o alguma. Quem prega essa pe\u00e7a s\u00e3o os pobres retentores de outras \u00e9pocas, que n\u00e3o d\u00e3o conta de estancar o fluido em seu devido lugar: ele acaba escapando no ch\u00e3o da garagem ou em algum lugar do pavimento. Que o diga um charmoso cup\u00ea alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo que tudo esteja em ordem no circuito hidr\u00e1ulico, h\u00e1 os desagrad\u00e1veis e perigosos desvios de trajet\u00f3ria durante a frenagem: a dire\u00e7\u00e3o que insiste em puxar com viol\u00eancia para um dos lados \u00e9 claro ind\u00edcio de lonas de freio mal ajustadas. Ou pior: algu\u00e9m foi lubrificar o chassi e exagerou tanto na dose que acabou por contaminar os tambores com graxa, como ocorreu com um Lincoln Continental. Melhor n\u00e3o rir, pois \u00e9 mais comum do que se pensa.<\/p>\n<p>Em outra ocasi\u00e3o est\u00e1vamos a cerca de 160 km\/h quando o marcador de temperatura deu aquela oscilada r\u00e1pida, mas sem chegar ao fim da escala. \u201cN\u00e3o se preocupe\u201d, disse o propriet\u00e1rio do b\u00f3lido, \u201cessa oscila\u00e7\u00e3o \u00e9 normal, a n\u00e3o ser que seja apenas vapor no sistema\u201d. Dito e feito: uma mangueira abriu o bico e lentamente esvaiu o l\u00edquido de arrefecimento do Chevrolet nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O fato \u00e9 que, al\u00e9m do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico<br \/>\nsubstancial, houve tamb\u00e9m nas \u00faltimas d\u00e9cadas<br \/>\num ineg\u00e1vel ganho em confiabilidade<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo caso deu at\u00e9 pena, pois o \u00f3leo pingava entre o bloco e o cabe\u00e7ote, indicando uma poss\u00edvel queima de junta: foi s\u00f3 trocar a mangueira e completar o radiador para perceber a fumaceira branca que sa\u00eda pelo escapamento. Pior do que isso, s\u00f3 mesmo quando ocorreu uma quebra de diferencial, provocada por um \u201cinocente tranco\u201d para dar a partida: ficou bem mais caro do que revisar o sistema el\u00e9trico, pois era um carro ex\u00f3tico, \u00fanico no Brasil.<\/p>\n<p>Essas experi\u00eancias foram vividas com carros de v\u00e1rias \u00e9pocas e de in\u00fameros fabricantes, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 o que se falar em \u201cisso \u00e9 problema da marca tal\u201d. O fato \u00e9 que, al\u00e9m do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico substancial, houve tamb\u00e9m nas \u00faltimas d\u00e9cadas um ineg\u00e1vel ganho em confiabilidade, pouco importando se o carro \u00e9 alem\u00e3o, japon\u00eas, franc\u00eas, italiano ou mesmo chin\u00eas. Os \u201cantigos mais jovens\u201d (de 20 a 30 anos) deram um verdadeiro salto nesse sentido.<\/p>\n<p>Basta andar num carro da d\u00e9cada de 1980, quando a igni\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica fulminou o platinado: al\u00e9m de n\u00e3o se ficar mais parado no meio da estrada, h\u00e1 a ineg\u00e1vel vantagem de explorar rota\u00e7\u00f5es mais altas, inimagin\u00e1veis para os anos 60 e 70 com o emprego do tradicional sistema Delco. Tudo melhorou quando o ponto de igni\u00e7\u00e3o passou a ser comandado por sensores. Por fim, a igni\u00e7\u00e3o est\u00e1tica suplantou o distribuidor.<\/p>\n<p>Por sua vez, a d\u00e9cada de 1990 consagrou o emprego da inje\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica: os primeiros sistemas sofreram com interfer\u00eancias eletromagn\u00e9ticas e danos aos injetores por abras\u00e3o e a\u00e7\u00e3o corrosiva, mas boa parte desses problemas j\u00e1 faz parte do passado. Novos materiais e geometrias de atomiza\u00e7\u00e3o mais eficientes reduziram a manuten\u00e7\u00e3o do sistema a um m\u00ednimo, com uma regularidade de funcionamento jamais vista no tempo dos carburadores.<\/p>\n<p>Os antigomobilistas do futuro sabem que h\u00e1 cada vez menos espa\u00e7o para o graxeiro amador: hoje basta calibrar os pneus, verificar \u00f3leo, combust\u00edvel e cair na estrada, at\u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 muito a ser feito diante daquela carenagem que recobre os motores. Restou apenas a troca de pastilhas de freio, que ainda pode ser realizada no quintal de casa ou na garagem dos condom\u00ednios (e n\u00e3o \u00e9 preciso regular mais nada&#8230;).<\/p>\n<p>Mas quem procura acha: outro dia desses, curtindo o marasmo de um Toyota Corolla com apenas 13 anos de uso, me deparei com uma estranha trepida\u00e7\u00e3o nas arrancadas e retomadas. Verifiquei e descobri que o problema estava na junta deslizante tripoide, logo na sa\u00edda da transmiss\u00e3o: dei um sorriso de orelha a orelha, pois a \u201ctrizeta\u201d era uma velha conhecida dos tempos em que eu mexia no saudoso Ford Corcel II da minha esposa.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 aquele problem\u00e3o, mas j\u00e1 \u00e9 um problema: tal qual um hipocondr\u00edaco automotivo, a divers\u00e3o agora \u00e9 sair em busca de problemas que n\u00e3o existem, pois j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u201dir muito longe para ver a caca que d\u00e1\u201d. Por essas e outras que aguardo ansioso por uma folga nas buchas da delicada suspens\u00e3o traseira independente do sed\u00e3 nipo-brasileiro.<\/p>\n<p>Sabe como \u00e9: s\u00f3 por precau\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<table border=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><a href='https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/no-acostamento\/420-o-mercado-de-automoveis-e-as-voltas-que-o-mundo-da\/' class='small-button smallsilver'>Coluna anterior<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodar com modelos hist\u00f3ricos, t\u00e3o menos confi\u00e1veis, muitas vezes traz emo\u00e7\u00f5es bem diversas daquelas sentidas ao volante<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":47115,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3594],"tags":[156,153,2936,590,2935],"class_list":["post-41456","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-no-acostamento","tag-carros-do-passado","tag-colunas-2","tag-felipe-bitu","tag-manutencao","tag-no-acostamento"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41456\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}