{"id":53923,"date":"2014-11-28T15:08:51","date_gmt":"2014-11-28T18:08:51","guid":{"rendered":"http:\/\/bestcars.uol.com.br\/bc\/?p=53923"},"modified":"2014-12-12T13:53:55","modified_gmt":"2014-12-12T16:53:55","slug":"442-carros-boas-invencoes-no-papel-nem-tao-boas-na-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/editorial\/442-carros-boas-invencoes-no-papel-nem-tao-boas-na-pratica\/","title":{"rendered":"Boas inven\u00e7\u00f5es no papel, nem t\u00e3o boas na pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4414\" src=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/editorial.png\" alt=\"Editorial\" width=\"560\" height=\"143\" srcset=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/editorial.png 560w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/editorial-150x38.png 150w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/editorial-280x71.png 280w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Os fabricantes \u00e0s vezes t\u00eam ideias que parecem criativas e<br \/>\nfavor\u00e1veis ao usu\u00e1rio, mas no mundo real revelam desvantagens<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vida de engenheiros e projetistas dos fabricantes, imagino, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. De um lado, os consumidores querem novidades como motiva\u00e7\u00e3o de compra dos autom\u00f3veis; de outro, inova\u00e7\u00f5es da concorr\u00eancia podem conquistar seus clientes antes fi\u00e9is; e de outro lado, existe a constante press\u00e3o pela redu\u00e7\u00e3o de custos de desenvolvimento e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que esses profissionais precisam encontrar novas solu\u00e7\u00f5es para conhecidos problemas ou, simplesmente, formas mais ousadas, pr\u00e1ticas ou atraentes de fazer o que j\u00e1 existe. E nem sempre d\u00e1 certo&#8230; O que de in\u00edcio parece uma boa ideia pode mostrar-se, na pr\u00e1tica, uma mudan\u00e7a prejudicial ao funcionamento do carro e seu uso pelo motorista. \u00c9 o que aconteceu, a meu ver, nos casos que reuni em ordem alfab\u00e9tica neste <em>Editorial.<\/em><\/p>\n<p>\u2022 <em>Cap\u00f4 aberto pela chave<\/em>. Um belo dia, algum engenheiro da Ford europeia teve a ideia de acabar com a tradicional alavanca sob o painel \u2014 ou na coluna de dire\u00e7\u00e3o, como no Escort \u2014\u00a0para destravar o cap\u00f4, sendo ent\u00e3o liberado por uma segunda trava l\u00e1 na frente. Em vez disso, nas duas primeiras gera\u00e7\u00f5es do Focus (1998 e 2004) e na segunda\u00a0do Mondeo (2000), a pr\u00f3pria chave do carro destravava o cap\u00f4 ao ser inserida em um miolo oculto pelo emblema da Ford.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Neste Brasil de trancos e solavancos nas ruas,<br \/>\nn\u00e3o \u00e9 raro o dedo mudar de lugar e n\u00e3o\u00a0se<br \/>\nacertar a tecla: viva os velhos bot\u00f5es girat\u00f3rios<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais que facilitar a abertura e evitar que se sujasse as m\u00e3os \u00e0 procura da trava, o objetivo era a seguran\u00e7a. Primeiro, a chave estaria com quem mexesse no cofre do motor e n\u00e3o esquecida no miolo de igni\u00e7\u00e3o, onde poderia ser acionada por algu\u00e9m descuidado, fazendo o motor ligar, com risco de ferimentos a quem estivesse na frente. Segundo, a elimina\u00e7\u00e3o da trava interna impediria um ladr\u00e3o de rapidamente abrir o cap\u00f4 (depois de quebrar um vidro, por exemplo) para desativar o alarme ou cortar um cabo da bateria, uma interessante solu\u00e7\u00e3o contra furto.<\/p>\n<p>Esses objetivos foram alcan\u00e7ados, mas pergunte a um dono de Focus se gostou da ideia! Al\u00e9m de a chave nunca estar \u00e0 m\u00e3o quando se quer abrir o cap\u00f4, acaba sendo entregue a mec\u00e2nicos e frentistas de m\u00e3os raramente limpas \u2014 j\u00e1 n\u00e3o basta a tampa do tanque ser aberta por ela? Ficou pior com o acesso ao interior por chave presencial, no segundo Focus, pois a serrilha foi eliminada. Para abrir o cap\u00f4, o dono agora tinha de sacar do comando uma chavinha de emerg\u00eancia que era ent\u00e3o inserida na frente. N\u00e3o estranhe ao ver a ideia\u00a0abandonada\u00a0nos atuais Focus e Mondeo.<\/p>\n<p>\u2022 <em>Comandos por toque<\/em>. Se telefones celulares e <em>tablets<\/em> permitem t\u00e3o f\u00e1cil intera\u00e7\u00e3o por meio de telas sens\u00edveis ao toque, por que n\u00e3o as aplicar ao autom\u00f3vel? O recurso come\u00e7ou pelos navegadores, que de fato ganharam inser\u00e7\u00e3o de endere\u00e7o mais f\u00e1cil que em outros sistemas (como o de girar um bot\u00e3o para cada letra, usado por Citro\u00ebn e Peugeot); passou pelos sistemas de \u00e1udio e telefone e chegou aos comandos de ar-condicionado de modelos como Ford Fusion e\u00a0o novo Honda City.<\/p>\n<p>Em nome dessa pretensa inova\u00e7\u00e3o, o motorista precisa dedicar aten\u00e7\u00e3o para encontrar o comando desejado, o que em outros carros pode ser feito \u2014 com alguma pr\u00e1tica \u2014 pela forma e a posi\u00e7\u00e3o de cada bot\u00e3o. Sem uma tecla f\u00edsica para apertar, \u00e9 preciso continuar de olho no comando at\u00e9 completar a opera\u00e7\u00e3o. E, neste Brasil de trancos e solavancos nas ruas, o dedo pode mudar de lugar e dificultar o acionamento. Minha opini\u00e3o: viva os velhos bot\u00f5es girat\u00f3rios!<\/p>\n<p>\u2022 <em>Difusores de ar<\/em>. N\u00e3o se sabe se os projetistas dos pain\u00e9is do Toyota Etios e do Volkswagen Up esqueceram que difusores s\u00e3o usados para a distribui\u00e7\u00e3o de ar pela cabine, mas o fato \u00e9 que erraram no mesmo item. No modelo nipo-indiano os difusores centrais ficam empilhados \u00e0 direita do aparelho de r\u00e1dio, diante do passageiro, o que s\u00f3 pode ser boa inven\u00e7\u00e3o\u00a0se seu objetivo for deixar resfriada a sogra sentada ao lado. No Up, algu\u00e9m teve a ideia bacana de colocar um mostrador destacado com navegador e outras fun\u00e7\u00f5es, o Maps &amp; More, onde ficariam os difusores centrais. E o ar? Tem de sair por tr\u00e1s da tela, o que prejudica a distribui\u00e7\u00e3o do ar condicionado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class='code-block code-block-7' style='margin: 28px auto; text-align: center; display: block; clear: both;'>\n<br>\n<div align=\"center\">\n<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/bestcars.com.br\/bc\/\">\n<img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/bestcars.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Auto-Livraria-450x300-quadros.jpg\" alt=\"Auto Livraria\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\"><\/a>\n<\/div>\n<br><\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Primeiro o estepe, depois a tampa<\/h2>\n<p>\u2022 <em>Estepe externo com suporte<\/em>. A montagem do estepe junto \u00e0 tampa do porta-malas quando ela se abre para o lado (como no Ford Ecosport, diversos Mitsubishis Pajero, o Suzuki Grand Vitara) j\u00e1 divide opini\u00f5es, por ser um elemento que pode danificar mais o carro de tr\u00e1s, em manobras, que o leve encostar de para-choques. Problema mesmo foi quando fabricantes resolveram aplic\u00e1-lo a carros com tampa traseira aberta para cima, como Chevrolet Spin Activ, Citro\u00ebn Aircross, Fiat Idea Adventure e VW Crossfox \u2014 o criador da bobagem parece ter sido a Kia com o Sportage de 1993.<\/p>\n<p>Erguer\u00a0o estepe com a tampa a deixaria extremamente pesada. A solu\u00e7\u00e3o foi um suporte preso \u00e0 estrutura lateral que precisava ser deslocado para a abertura da tampa. Estava feito o estrago: agora era preciso muito mais espa\u00e7o atr\u00e1s do carro (e at\u00e9 ao lado, pois o suporte abre\u00a0al\u00e9m de 90 graus) para acesso \u00e0 bagagem e todo o processo se complicava, por exigir o uso das duas m\u00e3os e de travas que em geral s\u00f3 o dono conhece. Mais: o suporte tornou-se fonte de ru\u00eddos em muitos casos e o espa\u00e7o original do estepe, no porta-malas, raramente teve bom aproveitamento.<\/p>\n<p>\u2022 <em>Ilumina\u00e7\u00e3o azul nos instrumentos<\/em>. Verde, branco, vermelho, laranja&#8230; Parece que j\u00e1 se usaram todas as cores para iluminar os mostradores do painel, devem ter pensado projetistas da Volkswagen alem\u00e3 na d\u00e9cada de 1990. Que tal azul? Mas n\u00e3o qualquer azul: um tom escuro, quase roxo, em contraste ao vermelho dos ponteiros. No Passat de 1996 a inven\u00e7\u00e3o\u00a0chegava ao mercado, seguida por aqui no Gol dito \u201cGera\u00e7\u00e3o III\u201d de 1999.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Com o estepe,\u00a0era preciso muito mais espa\u00e7o<br \/>\natr\u00e1s\u00a0do carro (e at\u00e9 ao lado) para acesso<br \/>\n\u00e0\u00a0bagagem e todo o processo se complicava<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00f3 esqueceram que instrumentos, ao contr\u00e1rio de ambientes de boates, existem para ser vistos com clareza. Com fundo preto e d\u00edgitos em azul escuro, faltava contraste para a f\u00e1cil leitura do painel de diversos modelos da VW nos anos 2000. A ideia infeliz foi deixada para tr\u00e1s pela marca alem\u00e3, mas pareceu atraente \u00e0 chinesa JAC, que ainda a usa em v\u00e1rios autom\u00f3veis, e \u00e0 francesa Citro\u00ebn, que oferece o mesmo tom no DS4 e no C4 Lounge Exclusive \u2014 nestes, felizmente, com op\u00e7\u00e3o de comutar para uma luz branca sem gra\u00e7a, mas funcional.<\/p>\n<p>\u2022 <em>Instrumentos com fundo branco<\/em>. A cria\u00e7\u00e3o surgiu nos anos 90 em carros esportivos, como Audi S4 e Dodge Viper, e logo ganhou for\u00e7a em diferentes marcas: mostradores com fundo branco ou prateado em vez do tradicional preto. Com\u00a0um tratamento especial que respondia \u00e0 luminosidade ambiente, de dia o fundo parecia branco, mas \u00e0 noite e em locais escuros os mostradores escureciam, como se tivessem fundo negro.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o algu\u00e9m \u2014 por equ\u00edvoco ou economia \u2014 adotou o fundo branco, puro e simples, com ilumina\u00e7\u00e3o que deixava os mostradores em um tom amarelado durante a noite, como em muitos Chevrolets brasileiros da d\u00e9cada passada. Solu\u00e7\u00e3o infeliz: o motorista tinha grandes c\u00edrculos claros que, sem qualquer vantagem est\u00e9tica, ainda\u00a0incomodavam os olhos bem nas horas de visibilidade mais cr\u00edtica.<\/p>\n<p>\u2022 <em>Teto solar com forro perfurado<\/em>. N\u00e3o sei quem criou essa solu\u00e7\u00e3o, mas ela \u00e9 vista em marcas como Audi, Fiat e Volkswagen, em geral nos tetos de maiores dimens\u00f5es. Em vez de um forro com veda\u00e7\u00e3o completa dos raios solares, adota-se uma esp\u00e9cie de tela que corta apenas parte da incid\u00eancia dos raios. O objetivo \u00e9 iluminar mais o interior, mesmo com forro fechado, al\u00e9m de se\u00a0poder fech\u00e1-lo enquanto o teto est\u00e1 aberto ou levantado, a fim de manter a ventila\u00e7\u00e3o sem tanto ru\u00eddo de vento ou entrada de insetos na cabine.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o foi boa, mas em um pa\u00eds ensolarado e de baixas latitudes, como o Brasil, o resultado \u00e9 que n\u00e3o se deixa o sol do lado de fora nos hor\u00e1rios mais quentes. Com o carro estacionado, a temperatura dos bancos\u00a0aumenta mais do que deveria; com pessoas a bordo, as cabe\u00e7as v\u00e3o \u201cassando\u201d ao sol durante a viagem. Para mim, nada feito: sem a veda\u00e7\u00e3o completa, \u00e9 melhor abrir m\u00e3o do teto solar.<\/p>\n<table border=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><a href='https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/editorial\/441-mitos-os-cuidados-com-o-carro-que-nao-se-justificam\/' class='small-button smallsilver'>Editorial anterior<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os fabricantes \u00e0s vezes t\u00eam ideias que parecem criativas e favor\u00e1veis ao usu\u00e1rio, mas no mundo real revelam desvantagens<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3593],"tags":[153,31,1610],"class_list":["post-53923","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-colunas-2","tag-editorial","tag-fabricio-samaha"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53923"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53923\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}