{"id":62233,"date":"2015-08-14T15:34:51","date_gmt":"2015-08-14T18:34:51","guid":{"rendered":"http:\/\/bestcars.uol.com.br\/bc\/?p=62233"},"modified":"2016-05-03T11:13:22","modified_gmt":"2016-05-03T14:13:22","slug":"os-carros-100-nacionais-e-a-terceirizacao-do-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/no-acostamento\/os-carros-100-nacionais-e-a-terceirizacao-do-risco\/","title":{"rendered":"Os carros 100% nacionais e a terceiriza\u00e7\u00e3o do risco"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-62234\" src=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/No-Acostamento-743x107.png\" alt=\"No Acostamento\" width=\"743\" height=\"107\" srcset=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/No-Acostamento.png 743w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/No-Acostamento-356x51.png 356w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/No-Acostamento-227x33.png 227w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/No-Acostamento-270x39.png 270w\" sizes=\"(max-width: 743px) 100vw, 743px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Longe de teorias da conspira\u00e7\u00e3o, foi a falta de compet\u00eancia que acabou com a Gurgel e com outras iniciativas brasileiras<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias um amigo colecionador entrou em contato pedindo minha opini\u00e3o sobre a aquisi\u00e7\u00e3o de um <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/classicos\/gurgel-1.htm\" target=\"_blank\">Gurgel BR-800<\/a>: entusiasta de modelos nacionais, ele ficou surpreso quando soube que minha simpatia pelo pequeno carrinho ruiu h\u00e1 alguns anos, quando tive a experi\u00eancia nada memor\u00e1vel de guiar um exemplar em razo\u00e1vel estado de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que se trata de carro para cole\u00e7\u00e3o, n\u00e3o recomendei a aquisi\u00e7\u00e3o: autom\u00f3veis foram feitos para rodar e isso o BR-800 faz de uma maneira sofr\u00edvel. Faltam ergonomia, ventila\u00e7\u00e3o e acerto entre o motor Enertron bicil\u00edndrico e a caixa de c\u00e2mbio de apenas quatro marchas: \u00e9 garantia de muito barulho e pouco desempenho. Mesmo assim, o amigo manteve o interesse no pequeno carrinho, que apesar de desconfort\u00e1vel \u00e9 muito carism\u00e1tico \u2014 h\u00e1 uma legi\u00e3o de admiradores Brasil afora, enaltecendo suas virtudes e fazendo de tudo para mant\u00ea-lo rodando. Ter um Gurgel na garagem desperta um ufanismo jamais visto entre propriet\u00e1rios de Pumas, Engesas e outros \u00edcones brasileiros.<\/p>\n<p>\u00c9 pena que parte desse orgulho se deva ao famigerado vitimismo que assola boa parte dos brasileiros: muitos ainda enxergam o excelent\u00edssimo engenheiro <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/hm\/295-joao-gurgel-1.htm\" target=\"_blank\">Jo\u00e3o Gurgel<\/a> como uma v\u00edtima do poderoso lobby das multinacionais aqui instaladas, mesmo sem serem capazes de assumir que o pr\u00f3prio Gurgel nunca manifestou tais lam\u00farias \u2014 pelo menos n\u00e3o em p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O Cena era a materializa\u00e7\u00e3o do Ti\u00e3o, quase 40 anos depois de sua rejei\u00e7\u00e3o: uma empresa cujo futuro dependia de retrocessos t\u00e9cnicos e produtivos<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como bom empreendedor, Gurgel foi senhor de seu pr\u00f3prio destino. O pequeno mec\u00e2nico de bicicletas cresceu e formou-se engenheiro pela Escola Polit\u00e9cnica de S\u00e3o Paulo. Idealizou um pequeno carro popular antes de concluir a gradua\u00e7\u00e3o, o Ti\u00e3o, com arquitetura t\u00edpica da d\u00e9cada de 1940: motor dianteiro e tra\u00e7\u00e3o traseira. A recusa do projeto como trabalho de conclus\u00e3o do curso na Poli tornou-se um desafio pessoal para Gurgel: \u00e1vido por conhecimentos, o engenheiro fez uma escala no General Motors Institute, aceitando receber um sal\u00e1rio de estagi\u00e1rio. De volta ao Brasil, ingressou na Ford e fez amizade com \u201cBobby\u201d Schultz-Wenk, o alem\u00e3o que trouxe a Volkswagen ao Pa\u00eds.<\/p>\n<p>A amizade rendeu bons frutos: 10 anos depois, Jo\u00e3o apresentava o Gurgel 1200 no Sal\u00e3o do Autom\u00f3vel de 1966. A vers\u00e3o Xavante apareceu no estande da Macan Ltda., do pr\u00f3prio Jo\u00e3o, ao passo que a vers\u00e3o Enseada foi orgulhosamente exibida no estande da Volkswagen, respons\u00e1vel por chassi, motor e c\u00e2mbio. Bem sucedida, a parceria culminou com a Gurgel Ve\u00edculos em 1969.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o ia muito bem: mudou-se da capital para a at\u00e9 ent\u00e3o tranquila Rio Claro, no interior paulista, produzindo e exportando seus utilit\u00e1rios com mec\u00e2nica VW. Mas ele queria mais: o fim da produ\u00e7\u00e3o do Fusca em 1986 soou como a oportunidade perfeita para o desenvolvimento de um autom\u00f3vel genuinamente nacional, t\u00e3o simples, barato e adequado \u00e0s necessidades do Brasil quanto o besouro.<\/p>\n<p>Foi uma verdadeira aposta: com apenas 2,9 metros de comprimento, peso de 450 kg, um motor bicil\u00edndrico de 650 cm\u00b3 e tra\u00e7\u00e3o traseira, o Cena (Carro Econ\u00f4mico Nacional) era a materializa\u00e7\u00e3o do Ti\u00e3o, quase 40 anos depois de sua rejei\u00e7\u00e3o. O anacronismo de sua proposta era simplesmente paradoxal: uma empresa cujo futuro dependia de v\u00e1rios retrocessos t\u00e9cnicos e produtivos. Jo\u00e3o tentava justificar sua cren\u00e7a no atraso: para ele, a tra\u00e7\u00e3o dianteira era invi\u00e1vel em virtude do elevado custo dos pneus radiais e das juntas homocin\u00e9ticas, componentes incompat\u00edveis com um autom\u00f3vel r\u00fastico e popular, projetado para as massas. Uma vis\u00e3o distinta de um g\u00eanio da engenharia, chamado Andr\u00e9 Lef\u00e8bvre.<\/p>\n<p>Pupilo de Gabriel Voisin e egresso da Renault, Lef\u00e8bvre foi contratado por <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/hm\/306-andre-citroen-1.htm\" target=\"_blank\">Andr\u00e9 Citro\u00ebn<\/a> pouco antes de seu falecimento, em 1935. Afundada em d\u00edvidas, a empresa foi assumida pela Michelin, sua maior credora. Sob o comando de Pierre-Jules Boulanger, sua estrat\u00e9gia era incontest\u00e1vel: um autom\u00f3vel popular capitalizaria a empresa e, de quebra, aumentaria a demanda por pneus.<\/p>\n<p>Para tanto, nada melhor que um ve\u00edculo simples, barato e adequado \u00e0s necessidades da Fran\u00e7a: assim surgia o lend\u00e1rio <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/cpassado3\/citroen-2cv-1.htm\" target=\"_blank\">2CV<\/a>, com seu motor \u00e0 frente das rodas dianteiras, tamb\u00e9m respons\u00e1veis pela tra\u00e7\u00e3o (como no igualmente lend\u00e1rio <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/cpassado\/traction-1.htm\" target=\"_blank\">Traction Avant<\/a>). Seu rodar macio e suave era resultado da not\u00e1vel suspens\u00e3o independente de Marcel Chinon. Outro recurso interessante do 2CV eram os novos pneus radiais desenvolvidos pela Michelin: boa parte de seu comportamento din\u00e2mico se devia \u00e0 nova tecnologia, respons\u00e1vel por verdadeira evolu\u00e7\u00e3o na superf\u00edcie de contato dos pneus com o solo. A uni\u00e3o Michelin-Citro\u00ebn foi respons\u00e1vel por in\u00fameros avan\u00e7os da ind\u00fastria automobil\u00edstica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class='code-block code-block-9' style='margin: 8px auto; text-align: center; display: block; clear: both;'>\n<script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script>\n<!-- AL-quadrado -->\n<ins class=\"adsbygoogle\"\n     style=\"display:block\"\n     data-ad-client=\"ca-pub-1914799802606213\"\n     data-ad-slot=\"5683066082\"\n     data-ad-format=\"auto\"\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Carro errado no momento errado<\/h2>\n<p>Honesto e competente, o 2CV durou 42 anos \u2014 seu carisma fez dele um dos s\u00edmbolos da Fran\u00e7a, ainda hoje cultuado. Quando o \u00faltimo foi produzido em 1990, o BR-800 (evolu\u00e7\u00e3o do projeto Cena, agora com motor de 800 cm\u00b3 por padr\u00e3o) ainda engatinhava: a carroceria de pl\u00e1stico e fibra de vidro era incompat\u00edvel com a produ\u00e7\u00e3o em larga escala e a transmiss\u00e3o por eixo card\u00e3 minava seu rendimento. Era simplesmente o carro errado no momento errado: centralizador, Jo\u00e3o Gurgel ficou conhecido pela personalidade teimosa e refrat\u00e1ria, evidenciada por v\u00e1rias de suas posi\u00e7\u00f5es, em especial em rela\u00e7\u00e3o ao \u00e1lcool combust\u00edvel. Avocou para si in\u00fameras responsabilidades, como a de empreendedor, engenheiro e <em>designer.<\/em> O resto \u00e9 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Basta lembrar que o concorrente do BR-800, pouco depois de seu lan\u00e7amento, foi o <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/passado\/fiat\/fiat-uno-a-grande-familia-e-seu-ultimo-rebento\/\" target=\"_blank\">Fiat Uno Mille<\/a>: um autom\u00f3vel idealizado por <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/hm\/290-giugiaro-1.htm\" target=\"_blank\">Giorgetto Giugiaro<\/a>, com toda a tecnologia elaborada por d\u00e9cadas de trabalho de Dante Giacosa, Carlo Salamano, Aurelio Lampredi e Vittorio Valletta, entre outros talentos gerenciados pela <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/hm\/316-gianni-agnelli-1.htm\" target=\"_blank\">fam\u00edlia Agnelli<\/a>. Um trabalho de equipe, sem lugar para decis\u00f5es monocr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Sempre afirmei que a Gurgel quebrou sozinha, mesmo com os revezes impostos pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A \u00faltima esperan\u00e7a do engenheiro foi depositada num maquin\u00e1rio oriundo da Argentina: tudo indica que o velho Jo\u00e3o finalmente se renderia \u00e0 tra\u00e7\u00e3o dianteira, fabricando <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/glossario-t\/#tran\" target=\"_blank\">transeixos<\/a> usados no pa\u00eds vizinho pelo Citro\u00ebn 3CV, vers\u00e3o local do 2CV. Mesmo que tivesse concretizado a empreitada, Gurgel continuaria investindo no atraso: a produ\u00e7\u00e3o argentina do 2CV havia sido encerrada em 1980, oito anos antes da produ\u00e7\u00e3o francesa. H\u00e1 at\u00e9 quem diga que ele recusou a tentadora proposta de um fabricante estrangeiro: n\u00e3o simpatizava com a ideia de perder a autonomia sobre o pr\u00f3prio nome.<\/p>\n<p>Os ufanistas ainda hoje lamentam o fato de o Brasil ter uma empresa do porte da Embraer e nenhuma no ramo automobil\u00edstico: ignoram completamente a iniciativa governamental que antecedeu sua funda\u00e7\u00e3o, incluindo a parceria tecnol\u00f3gica firmada com a alem\u00e3 Focke-Wulf. Tanto que as primeiras vendas comerciais s\u00f3 vieram em 1979, 10 anos ap\u00f3s sua funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Os investidores da IBAP nunca tiveram qualquer retorno e as medidas para evitar novos preju\u00edzos foram interpretadas como \u201ccampanha difamat\u00f3ria\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi promissora para um engenheiro que conhecia um m\u00ednimo de produ\u00e7\u00e3o industrial, o que dizer de um empreendedor completamente alheio ao assunto? Foi o caso de Nelson Fernandes na d\u00e9cada de 1960, quando decidiu criar a <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/classicos\/democrata-1.htm\" target=\"_blank\">Ind\u00fastria Brasileira de Autom\u00f3veis Presidente (IBAP)<\/a>. A IBAP foi fundada numa \u00e9poca em que as pessoas ainda faziam neg\u00f3cios dando como garantia o fio do bigode, ou seja, baseadas apenas na honestidade, integridade, lealdade e respeito. Foram muitos os incautos que transformaram suas economias em capital de risco, viabilizando a realiza\u00e7\u00e3o do sonho de um autom\u00f3vel 100% nacional.<\/p>\n<p>A \u00fanica garantia de Fernandes estava em seus empreendimentos anteriores, nenhum ligado \u00e0 atividade industrial. Seu primeiro produto foi o Democrata, um sed\u00e3 com motor traseiro muito semelhante ao <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/cpassado3\/corvair-1.htm\" target=\"_blank\">Chevrolet Corvair<\/a> de 1960, tanto sob o aspecto t\u00e9cnico quanto pelo estilo. Uma empresa misteriosa, na qual muitos depositaram sua confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Hoje qualquer investidor faz uma an\u00e1lise minuciosa antes de investir seu suado dinheiro em uma empresa de capital aberto, como contabilidade e quadro de gestores. Oficialmente, o que se sabe a respeito da IBAP \u00e9 que em meados da d\u00e9cada de 1960 a empresa nem sequer tinha balan\u00e7o patrimonial ou qualquer dado formalizado capaz de garantir sua opera\u00e7\u00e3o. Deu no que deu: os investidores nunca tiveram qualquer retorno e todas as medidas tomadas para evitar que novos interessados fossem prejudicados foram interpretadas como \u201ccampanha difamat\u00f3ria\u201d. O folclore automotivo brasileiro fala at\u00e9 em mancomuna\u00e7\u00e3o entre o governo e as multinacionais aqui instaladas: um prato cheio para os te\u00f3ricos da conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando ainda residia em S\u00e3o Bernardo do Campo, SP, h\u00e1 20 anos decidi visitar as ru\u00ednas da antiga f\u00e1brica da IBAP: sob o teto em frangalhos restava um amontoado de carca\u00e7as, mas nada que lembrasse uma linha de montagem. Nem mesmo o sistema de produ\u00e7\u00e3o carrossel, adotado por Jo\u00e3o Gurgel na f\u00e1brica de Rio Claro, que conheci anos mais tarde.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de vender sonhos, Gurgel e Fernandes tamb\u00e9m pecaram no desenvolvimento do produto: quem andou no \u00fanico Democrata que ainda roda relata que a experi\u00eancia \u00e9 t\u00e3o ruim quanto a do BR-800. Ou t\u00e3o ruim quanto a do <a href=\"https:\/\/www.autolivraria.com.br\/artigos\/emme-1.htm\" target=\"_blank\">Emme Lotus 422T<\/a>, fruto de uma aventura industrial promovida por uma empresa que nem figura p\u00fablica tinha: a Megastar.<\/p>\n<p>Residindo em Pindamonhangaba, SP, dessa vez foi o editor Fabr\u00edcio Samah\u00e1 quem descreveu as instala\u00e7\u00f5es da f\u00e1brica na mesma urbe: as dimens\u00f5es modestas do empreendimento eram incompat\u00edveis com a produ\u00e7\u00e3o de um autom\u00f3vel, ainda que artesanal. Uma greve tratou de anunciar que ali se fabricavam apenas autope\u00e7as. A promessa de um projeto 100% nacional se resumia a uma carroceria de pl\u00e1stico injetado apoiada sobre uma estrutura tubular (quanta originalidade&#8230;). Enquanto o Democrata almejava ser um dos sed\u00e3s mais r\u00e1pidos do Brasil, o 422T queria ser o mais r\u00e1pido do mundo: 0 a 100 km\/h em cinco segundos e velocidade m\u00e1xima de 273 km\/h. O <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/passado\/bmw\/bmw-serie-5-40-anos-no-ponto-de-equilibrio\/\" target=\"_blank\">BMW M5<\/a> que se cuidasse!<\/p>\n<p>Apresentado no evento Brasil Motor Show de 1997 e no ano seguinte no Sal\u00e3o do Autom\u00f3vel, o 422T atraiu a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e o dinheiro dos incautos: a Megastar encerrou suas atividades em 1999. Dessa vez n\u00e3o surgiram teorias conspirat\u00f3rias: ningu\u00e9m sentiu saudades do acabamento prec\u00e1rio, da aus\u00eancia de bolsas infl\u00e1veis ou freios com sistema antitravamento (ABS) e da dirigibilidade, t\u00e3o sofr\u00edvel quanto a de seus precursores \u201c100% nacionais\u201d.<\/p>\n<p>Curiosamente, o melhor vendedor de sonhos do Brasil viveu uma experi\u00eancia mais bem-sucedida: Eike Batista. A busca por um ve\u00edculo capaz de atender \u00e0s necessidades de seus empreendimentos fez com que ele produzisse em Pouso Alegre, MG, o JPX, uma vers\u00e3o do jipe A3 idealizado pela francesa Auverland. Expressivo em qualidades e defeitos, o JPX foi um verdadeiro fracasso comercial: estima-se que menos de 3.000 unidades foram produzidas de 1994 a 2001, acumulando preju\u00edzos estimados em dezenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Eike percebeu que uma ind\u00fastria automobil\u00edstica n\u00e3o \u00e9 empreendimento para aventureiros: nenhuma teoria da conspira\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de amenizar o risco da atividade.<\/p>\n<table border=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><a href='https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/no-acostamento\/452-as-peruas-continuam-mas-nao-podem-se-chamar-assim\/' class='small-button smallsilver'>Coluna anterior<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longe de teorias da conspira\u00e7\u00e3o, foi a falta de compet\u00eancia que acabou com a Gurgel e com outras iniciativas brasileiras<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":47115,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3594],"tags":[153,1900,238,2935],"class_list":["post-62233","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-no-acostamento","tag-colunas-2","tag-democrata","tag-gurgel","tag-no-acostamento"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62233\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}