{"id":83960,"date":"2017-03-17T19:21:09","date_gmt":"2017-03-17T22:21:09","guid":{"rendered":"http:\/\/bestcars.uol.com.br\/bc\/?p=83960"},"modified":"2017-03-31T16:44:43","modified_gmt":"2017-03-31T19:44:43","slug":"carros-iguais-por-fora-mas-diferentes-por-baixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/editorial\/carros-iguais-por-fora-mas-diferentes-por-baixo\/","title":{"rendered":"Carros iguais por fora, mas diferentes por baixo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Editorial-696.jpg\" alt=\"Editorial\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 696px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 696\/107;\" \/><\/p>\n<h2>Muito antes do Renault Captur, outros nacionais usaram mec\u00e2nicas diversas dos modelos que lhes deram origem<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um franc\u00eas que visse passar o <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/captur\" target=\"_blank\">Renault Captur<\/a> brasileiro \u2014 ou o contr\u00e1rio, um brasileiro que visse passar o carro franc\u00eas \u2014 talvez pensasse que \u00e9 o mesmo autom\u00f3vel vendido em seu pa\u00eds de origem. Uma olhada mais atenta, por\u00e9m, revelaria que o modelo nacional \u00e9 21 cent\u00edmetros mais longo e um pouco mais largo e mais alto.<\/p>\n<p>Na verdade, as diferen\u00e7as v\u00e3o muito al\u00e9m: na parte t\u00e9cnica trata-se de carros distintos. Enquanto o franc\u00eas derivou da plataforma do mais novo <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/clio\" target=\"_blank\">Clio<\/a>, o brasileiro foi desenvolvido sobre a arquitetura do <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/duster\" target=\"_blank\">Duster<\/a>. Quest\u00f5es de custo, claro, foram decisivas na escolha da Renault, mas talvez n\u00e3o sejam as \u00fanicas. A plataforma do antigo utilit\u00e1rio esporte tinha vantagens como robustez comprovada a nosso tipo de piso e op\u00e7\u00e3o de tra\u00e7\u00e3o integral j\u00e1 desenvolvida (que n\u00e3o \u00e9 oferecida aqui, ao menos por ora, mas foi essencial para que nossa vers\u00e3o atendesse ao mercado russo com seu inverno rigoroso).<\/p>\n\n<p>Foi a primeira vez que um carro, ao ser nacionalizado, ficou um tanto diferente do original em termos t\u00e9cnicos? Certamente que n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O desenho do Chevrolet Opala\u00a0pouco o diferenciava do Opel Rekord C alem\u00e3o, mas a mec\u00e2nica era bem diversa, relacionada a modelos da GM norte-americana<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tome-se como exemplo o <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/galaxie\" target=\"_blank\">Ford Galaxie<\/a>, para muitos um dos carros mais memor\u00e1veis da hist\u00f3ria de nossa ind\u00fastria. Embora em espa\u00e7o, conforto e torque ele tenha representado um marco para a \u00e9poca, o motor adotado aqui em 1967 era diferente da vers\u00e3o norte-americana \u2014 o &#8220;Bloco Y&#8221; de 4,5 litros, depois 4,8, usado na picape F-100 e em caminh\u00f5es. S\u00f3 em 1976 o Landau receberia o mesmo &#8220;Windsor&#8221; V8 de 4,95 litros que havia sido oferecido nos Estados Unidos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_83961\" aria-describedby=\"caption-attachment-83961\" style=\"width: 340px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/XR3.jpg\" rel=\"attachment wp-att-83961\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-83961\" src=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/XR3-340x226.jpg\" alt=\"O Escort XR3 passou seis anos sem desempenho \u00e0 altura: como teria sido com o motor europeu?\" width=\"340\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/XR3-340x226.jpg 340w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/XR3-631x420.jpg 631w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/XR3-222x148.jpg 222w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/XR3.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-83961\" class=\"wp-caption-text\">O Escort XR3 passou seis anos sem desempenho \u00e0 altura: como teria sido com o motor europeu?<\/figcaption><\/figure>\n<p>Caso peculiar da mesma \u00e9poca era o do <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/opala\" target=\"_blank\">Chevrolet Opala<\/a>. Em termos de desenho, pouco o diferenciava do Opel Rekord C alem\u00e3o, mas a mec\u00e2nica era bem diversa, relacionada a modelos da GM norte-americana como o Chevy II (no caso do quatro-cilindros inicial, o 153) e o Impala (o seis-cilindros 230 de 3,8 litros). Essa combina\u00e7\u00e3o de Opel e Impala foi oportuna para a ado\u00e7\u00e3o do nome da pedra preciosa.<\/p>\n<p>Mais tarde, a Ford escolheria outro motor antigo para um novo carro: o <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/escort\" target=\"_blank\">Escort<\/a>, lan\u00e7ado em 1983. Se na apar\u00eancia era igual ao europeu, o nacional usava o CHT de 1,6 litro, evolu\u00e7\u00e3o do velho motor do <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/corcel\" target=\"_blank\">Corcel<\/a>, entre n\u00f3s desde 1968. Por seis anos o esportivo XR3 ficou com desempenho incoerente com seu visual, at\u00e9 que a associa\u00e7\u00e3o com a Autolatina lhe emprestasse o VW AP de 1,8 litro. Como teria sido se o CVH europeu fosse usado desde o in\u00edcio?<\/p>\n<p>Com o <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/omega\" target=\"_blank\">Chevrolet Omega<\/a> foi o contr\u00e1rio. As unidades de 2,0 e 3,0 litros com que apareceu em 1992 eram atuais em termos europeus \u2014 a segunda, de seis cilindros em linha, vinha justamente da Alemanha. S\u00f3 que dois anos depois a Opel deixou de produzir tal motor, substitu\u00eddo por um V6 na segunda gera\u00e7\u00e3o, e a GM brasileira teve de encontrar uma alternativa. Tirou ent\u00e3o da gaveta o veterano 4,1-litros do Opala, atualizado para ganhar pot\u00eancia, mas nunca equiparado ao alem\u00e3o em desempenho e comportamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class='code-block code-block-7' style='margin: 28px auto; text-align: center; display: block; clear: both;'>\n<script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js\"><\/script>\n<!-- AL-quadrado -->\n<ins class=\"adsbygoogle\"\n     style=\"display:block\"\n     data-ad-client=\"ca-pub-1914799802606213\"\n     data-ad-slot=\"5683066082\"\n     data-ad-format=\"auto\"\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Piso brasileiro, um desafio<\/h2>\n<p>A quest\u00e3o da qualidade vi\u00e1ria brasileira (ou da falta dela), que parece ter sido relevante no caso do Captur, j\u00e1 levou outras marcas a usar no Brasil suspens\u00f5es bem diferentes do projeto original. Quando a Fiat testou aqui o <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/mille\" target=\"_blank\">Uno<\/a> italiano, no come\u00e7o dos anos 80, descobriu que os amortecedores originais tinham vida muito curta em condi\u00e7\u00f5es severas de piso. A op\u00e7\u00e3o foi adaptar no moderno hatch a suspens\u00e3o traseira McPherson com feixe de molas semiel\u00edpticas transversal do <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/147\" target=\"_blank\">147<\/a> (no italiano era por eixo de tor\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a trouxe uma implica\u00e7\u00e3o: n\u00e3o havia como manter o estepe no assoalho do compartimento de bagagem como na Europa. A Fiat ent\u00e3o redesenhou o cap\u00f4 para abrigar o pneu junto ao motor, a exemplo do 147 \u2014 e o Uno nacional acabou mais conveniente, em caso de furo com o porta-malas carregado, que o europeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>A VW Kombi\u00a0de 1975 tornou-se igual \u00e0 alem\u00e3 de segunda gera\u00e7\u00e3o na frente e na suspens\u00e3o traseira, mas a\u00a0porta corredi\u00e7a ela s\u00f3 teria mais de 30 anos depois<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_83962\" aria-describedby=\"caption-attachment-83962\" style=\"width: 340px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Mille.jpg\" rel=\"attachment wp-att-83962\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-83962 size-medium lazyload\" data-src=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Mille-340x226.jpg\" alt=\"Mille\" width=\"340\" height=\"226\" data-srcset=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Mille-340x226.jpg 340w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Mille-631x420.jpg 631w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Mille-222x148.jpg 222w, https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Mille.jpg 640w\" data-sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 340px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 340\/226;\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-83962\" class=\"wp-caption-text\">Estepe junto ao motor no Uno brasileiro: implica\u00e7\u00e3o do uso da suspens\u00e3o traseira do 147<\/figcaption><\/figure>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/tempra\" target=\"_blank\">Tempra<\/a> brasileiro tamb\u00e9m ganhou suspens\u00f5es diferentes do italiano, justificadas em parte pela quest\u00e3o de piso e em parte pela previs\u00e3o de uso de motores bem mais potentes: l\u00e1 fora nunca houve a vers\u00e3o Turbo de 165 cv que tivemos aqui. Do aspecto da conveni\u00eancia, por\u00e9m, o nosso perdia: para obter maior rigidez estrutural a Fiat deixou fixo o encosto do banco traseiro, que no carro de origem era rebat\u00edvel.<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m novas gera\u00e7\u00f5es que aqui chegaram pela metade. A <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/kombi\" target=\"_blank\">VW Kombi<\/a> redesenhada em 1975 tornou-se igual \u00e0 alem\u00e3 de segunda gera\u00e7\u00e3o na frente e na suspens\u00e3o traseira, mas a se\u00e7\u00e3o central da carroceria n\u00e3o mudou: na Europa havia recebido janelas maiores e porta corredi\u00e7a, item este que a nacional s\u00f3 teria em 1997 \u2014 mais de 30 anos depois.<\/p>\n<p>E os casos de dois falsos modelos da d\u00e9cada passada? O primeiro foi o <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/vectra\" target=\"_blank\">Chevrolet Vectra<\/a> de terceira gera\u00e7\u00e3o, em 2005. Visto de frente parecia muito o hom\u00f4nimo europeu, mas n\u00e3o era nada disso: apenas uma vers\u00e3o sed\u00e3 do Astra alem\u00e3o, combinada a motores que a Europa n\u00e3o mais usava. A &#8220;promo\u00e7\u00e3o de categoria&#8221; ficou evidente quando chegou aqui o Vectra hatch, de mesmo desenho do Astra de l\u00e1, dois anos mais tarde. O sed\u00e3\u00a0nunca repetiu o carisma do modelo anterior, um Vectra de verdade.<\/p>\n<p>A Peugeot, por sua vez, aderia \u00e0 estrat\u00e9gia com o <a href=\"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/tag\/207\" target=\"_blank\">207<\/a> nacional. Na Fran\u00e7a esse n\u00famero identificava o leg\u00edtimo sucessor do 206, um carro maior e mais refinado, que foi considerado caro demais para o mercado brasileiro. Em seu lugar tivemos o 206 reestilizado para lembrar o 207 europeu, manobra que rendeu muitas cr\u00edticas e n\u00e3o contribuiu para o sucesso do &#8220;novo-velho&#8221; modelo.<\/p>\n<a href='https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/informe-se\/colunas\/editorial\/correcoes-de-rota-carros-que-precisam-mudar-rapido\/' class='small-button smallsilver'>Editorial anterior<\/a>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito antes do Renault Captur, outros nacionais usaram mec\u00e2nicas diversas dos modelos que lhes deram origem<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":69289,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3593],"tags":[156,153,19,31,591],"class_list":["post-83960","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editorial","tag-carros-do-passado","tag-colunas-2","tag-curiosidades","tag-editorial","tag-mercado"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83960"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83960\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/autolivraria.com.br\/bc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}