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Versões cupê e conversível de
1957 e, em vermelho, o modelo do ano seguinte, que parecia ser para
sempre o último da série Roadmaster


Entre 1991 e 1996 a Buick
produziu com o lendário nome uma versão do Chevrolet Caprice, que não
honrou a tradição dos modelos originais |
Em
1957, nada mais atual do que
exagerar em todos os sentidos. Grande, pesado e beberrão, o novo
Roadmaster lembrava muito alguns Chevrolets e até Cadillacs. A
frente tinha uma grade cromada e baixa e os parachoques
ostentavam dagmars de respeito. Um extenso
friso cromado contornava toda a lateral, fazendo um "bico" descendente
perto da caixa de roda traseira. Nos paralamas continuavam as famosas
saídas falsas de ar. Parabrisa e vidro traseiro eram
amplos e curvos nas laterais e a traseira tinha um vistoso rabo-de-peixe,
que terminava em lanternas cromadas com uma discreta imitação de
turbinas.
Potência não era um problema com o novo motor de 5,9 litros e 304 cv.
Além de faróis duplos e grade maior, 1958
reservou novidades mecânicas. Os freios com tambores em alumínio
tornaram-se referência na indústria americana. Havia também uma
suspensão a ar que se tornara fonte de problemas. Da mesma forma que
chegou rápido ao mercado, o Roadie se despedia, substituído pelo
Electra.
Renascimento
Mais de 30 anos depois,
os americanos já tinham adotado em massa os veículos de tração
dianteira, menores e mais econômicos. Mas uma parcela ainda nutria
profundo desejo por um carro grande e de tração traseira. A Buick sabia
disso e já preparava algo do gênero. A escolha pelo nome de sucesso do
passado fora quase natural. Segundo executivos da GM, o retorno do nome
e da concepção era uma oportunidade de trazer de volta clientes órfãos
de um grande carro no melhor estilo americano. Curioso saber que
Roadmaster era, desde o princípio, o codinome do projeto, mas nas
pesquisas de opinião ele sequer aparecia nas listagens — eram os
próprios consumidores que o sugeriam.
Em 1991 estreava novamente o Roadie nas revendas da Buick. Na verdade
ele nada mais era que uma versão do Chevrolet
Caprice com pequenas mudanças de estilo e, claro, mais luxuoso.
Produzidos em Arlington, Texas, o sedã e a perua eram grandes, mas não
tão quanto seus antepassados. O entre-eixos media 2,94 m, o comprimento
ficava entre 5,41 e 5,52 m (perua) e o peso seguia a tendência
superlativa, com 1.420 kg para o sedã. O tanque de gasolina comportava
87 litros.
A perua era muito parecida com a versão da Chevrolet, mas
vinha de série com imitação de madeira nas laterais. Já o sedã trazia uma frente mais sisuda e
perdia a terceira janela da coluna traseira. Por dentro o
conforto era farto, com bancos muito macios e confortáveis, painel reto
com apliques imitando madeira, apoio de braço para os passageiros da
frente e equipamentos de conforto como ar-condicionado e comandos
elétricos de bancos, vidros, travas e retrovisores.
Os motores não poderiam deixar de ser V8. De entrada surgia
o de 5,0 litros (305 pol³). Havia também a opção pelo de 5,75 litros
(350 pol³) com 182 cv e 41,5 m.kgf. O câmbio era automático de quatro
marchas. Embora fosse um bom carro, com conforto de sobra e motores potentes,
o "novo" Roadie não escondia o fato de ser uma versão requentada do
Caprice, que também inspirava outros carros da corporação. O Buick
perdera totalmente seu sentido de originalidade e seguiu assim até 1996,
seu último ano.
Junto ao Caprice, o Roadmaster foi um dos últimos grandes americanos de
tração traseira. A febre dos utilitários esporte tomou seu mercado e até
sua fábrica. Fica na memória a história de um nome que sempre será
lembrado, nos EUA e fora deles, pela capacidade de ser uma grande
"locomotiva do asfalto" com boa dose de personalidade.
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