O 4TC (ao lado e abaixo) combinava estilo imponente a motor turbo de 200 cv, mas teve problemas de qualidade; a Citroën recomprou e destruiu os carros

Regiões com inverno rigoroso apreciaram as versões com tração 4x4

Em outra prova, desta vez um rali patrocinado pelos concessionários da marca na Suécia, o jovem piloto Magnus Gustafsson dirigiu um BX 16V com 202 cv e câmbio de seis marchas, emprestado pelo Peugeot Talbot Sport. Já o sistema de suspensão veio do irmão maior XM. Além de vencer vários pequenos eventos no país, Gustafsson ficou em segundo lugar na categoria de 2,0 litros do Rali Internacional da Suécia de 1992. O piloto venceu também o South Swedish Rally. Ainda hoje é possível ver alguns BX, com oito ou 16 válvulas, em provas francesas.

Os ralis, aliás, foram um terreno sondado oficialmente pela Citroën com um carro muito especial: o 4TC (4 pela tração integral, T de turbo e C de compétition). Com a participação da Peugeot com o 205 T16, que tinha relativo sucesso nas pistas, a marca do duplo chevron resolveu entrar na disputa. Depois da dúvida em participar com o pequeno Visa ou o BX, a decisão ficou com o segundo: 200 unidades do carro (derivado da versão 4TC Evolution que deu a cara a tapa nas corridas; leia boxe abaixo) foram construídas para homologação da entrada da marca no Grupo B do Campeonato Mundial.

Algumas partes, como pára-choques e o interior, eram as mesmas do Sport, mas os pára-lamas eram bastante alargados para acomodar rodas especiais e havia quatro faróis auxiliares em posição central. Outra diferença estava na mecânica: o motor de 2.142 cm³ recebia turbocompressor da marca Garrett e injeção K-Jetronic da Bosch, com o que entregava 200 cv e 30 m.kgf. Com 1.280 kg de peso, o BX 4TC acelerava de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos e alcançava 220 km/h. Curiosamente as vendas não foram o esperado: apenas 62 das 200 unidades ganharam as ruas. Por problemas de qualidade, a própria Citroën recomprou os carros para ser destruídos. Os fãs acreditam que há ainda 30 deles pelo mundo. Continua

Triste fim
A Citroën construiu 20 unidades do BX 4TC Evolution para participar do Grupo B do Campeonato de Rali, criado no início dos anos 80 para que as fábricas pudessem mostrar sua capacidade técnica. Os modelos usavam apenas peças da Citroën.

Em relação à versão de rua, o turbo mudava (agora era um K26 da KKK) e potência e torque subiam para 385 cv a 7.000 rpm e 46 m.kgf a 5.500 rpm, na ordem. A frente era mais longa para receber o motor em posição longitudinal, em vez da transversal do carro de rua, e usava pequenos faróis. O imenso aerofólio tomava a vista da traseira. O Evolution, porém, competiria apenas em 15 corridas. O primeiro golpe fatal da categoria aconteceu em 1986, em Portugal.
Um Ford RS 200 saiu da pista e atingiu a parte reservada aos expectadores. Três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. Pouco tempo depois, na famosa Tour de Corse, o piloto Henri Toivonen perdeu o controle de seu Lancia, colidiu com árvores e pedras e caiu em um precipício. Uma violenta explosão matou o piloto e seu navegador, Sergio Cresto. O Grupo B e a cogitada categoria Silhouette foram cancelados para a temporada seguinte, 1987.

Com a exceção de dois BX 4TC, que foram para o museu da marca francesa, os 18 restantes deveriam ser destruídos. Mas alguns acreditam que ao menos três outras unidades foram salvas. Dois foram restaurados por um entusiasta e um terceiro ainda podia ser visto à venda em uma discreta garagem de Paris, em 1992.

Nas telas


007, O Amanhã Nunca Morre



Too Fast to Race


Táxi 3



Antivicio
Filmes rodados nas ruas européias trazem grande chance de mostrar um BX, mas ele nem sempre chega intacto ao fim. Uma unidade, das primeiras fabricadas, aparece rapidamente durante a segunda seqüência alucinante de perseguição do filme Ronin (1998) pelas ruas de Paris. Já em 007, O Amanhã Nunca Morre (Tomorrow Never Dies, 1997) outro BX 1983 é atingido por um Mercedes durante a ação do filme, que conta com Pierce Brosnan e Teri Hatcher.

Nem mesmo o badalado seriado americano Friends (1994-2004) deixou de mostrar o BX em um episódio gravado na Europa, em uma cidade que parece ser Roma. Uma rara unidade do BX 4TC aparece no documentário Too Fast to Race (1997). Outro modelo, um BX com a pintura da polícia espanhola, é visto no seriado Policías, en el Corazón de la Calle (2000-2003). Trata-se de uma série espanhola com 83 capítulos que narra as aventuras de uma delegacia de Madri e seu inspetor-chefe, vivido pelo ator Josep Maria Pou.

O carro aparece também em Carne Trêmula (Carne Trémula, 1997), Entre as Pernas (Entre las Piernas, 1999), Antivicio (2000) e Um Lobisomem Americano em Paris (An American Werewolf in Paris, 1997). Por fim, e para desespero dos fãs, um BX é destruído por um Big Foot — picape com pneus imensos — no filme Taxi 3 (2003).

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