



Com motor de 2,45 litros e 160
cv, o Marea ficava bem mais ágil; no ano seguinte ganhava nova traseira,
e o Brava 1,6, força em baixa rotação |
Mudança de planos
A
estabilidade da economia em geral e da cotação do dólar em particular,
em 1998, somada ao crescimento do mercado de automóveis naquela época,
levou a Fiat a anunciar a importação do Bravo para o ano seguinte, de
modo a suprir a lacuna que o Tipo havia aberto em 1997 ao sair de
produção. Em janeiro de 1999, porém, veio a desvalorização do real e o
dólar subiu quase 50% da noite para o dia, o que inviabilizou os planos.
Cancelou-se então o Bravo e veio apenas o Brava, produzido no Brasil e
lançado em setembro seguinte.
Apesar do atraso de quatro anos em relação ao mercado europeu, o novo
hatch ainda agradava pela modernidade de linhas. As duas versões — SX e
ELX — usavam o mesmo motor do Palio de 1,6 litro, 16 válvulas, 106 cv e
15,1 m.kgf. Por algumas semanas foi vendido com 99 cv e 14,8 m.kgf,
também para menor incidência de IPI, mas as regras do imposto logo
mudaram e os valores originais foram retomados (o mesmo ocorria com os
Mareas ELX e HLX, de volta com 142 cv de janeiro de 2000 em diante,
enquanto o SX passava a 132 cv). Embora o desempenho em alta rotação
convencesse, também faltava ao Brava maior agilidade em baixa, que
demoraria um pouco a vir.
A Fiat parecia mais ansiosa por ter uma versão esportiva, que unisse o
motor 1,75 16V do Marea SX à carroceria menor e mais leve do Brava. A
combinação aparecia em abril de 2000 com o Brava HGT, que assumia a
sigla usada na Itália pelo Bravo 2,0 de 155 cv. Apesar da diferença de
potência de 23 cv entre o HGT deles e o nosso, o desempenho estava
adequado à proposta e o pacote era interessante, com rodas de 15 pol e
pneus 195/55, defletor na quinta porta, suspensão mais firme e
revestimento interno no mesmo tecido do Marea Turbo.
Em agosto, Marea sedã e Weekend ganhavam o motor do Lancia Kappa
italiano, de cinco cilindros e 2,45 litros, com variadores no comando e
no coletor, 160 cv e 21 m.kgf. Havia agora força exuberante desde baixas
rotações — 95% do torque máximo disponíveis já a 1.500 rpm —, quase
comparável à de um seis-cilindros. As reclamações de respostas lentas ao
acelerar e retomar velocidade tornavam-se passado para as versões ELX e
HLX e, com o câmbio 13% mais longo, podia-se viajar em menor rotação sem
necessidade de reduzir marchas com freqüência. Freios e suspensão eram
revistos. O 2,0 de aspiração natural desaparecia, mas o SX 1,75 e o
Turbo 2,0 não mudavam.
Resolvida a falta de torque no Marea, era hora de trabalhar no Brava
1,6. Em junho seguinte, já como linha 2002, ele recebia o motor 1,6 16V
chamado de Corsa Lunga (curso longo, em italiano, em alusão ao curso dos
pistões maior que no anterior), o mesmo do utilitário Doblò. A potência
continuava em 106 cv e o torque aumentava pouco, para 15,4 m.kgf, mas
sua distribuição mais homogênea tornava o motor mais forte entre 1.500 e
3.000 rpm. Outras novidades eram rodas de 15 pol na versão ELX e opções
de bancos de couro e teto solar na HGT, cujo motor era mantido.
Continua
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