Em vez de baixo e longilíneo, o novo conversível mostrava formas volumosas; a carroceria e o interior tiveram inspiração da Riviera francesa

De cupê para modelo aberto em 25 segundos: o teto rígido dobrava-se para ser guardado sob a tampa do porta-malas, como no Mercedes SLK

 
 

Soarer no Japão, SC 430 nos EUA: a diversidade de nomes continuava, mas agora o motor de 4,3 litros e o interior eram os mesmos em ambos

Revelado menos de um ano mais tarde no Salão de Paris, o novo carro — sob o código de projeto Z40 — era denominado Lexus SC 430 para os EUA e a Europa, enquanto no Japão mantinha-se como Toyota Soarer. Permanecia um cupê, mas ganhava um teto rígido retrátil de alumínio para que pudesse atuar como conversível de quatro lugares. A capota era guardada em 25 segundos por um mecanismo automático sob a tampa do porta-malas, como o Mercedes-Benz SLK de 1997 havia trazido pela primeira vez na era moderna do automóvel.

Dessa vez não foram os californianos que o desenharam: projetistas da Toyota no Japão e da Europa é que somaram esforços para chegar a seu estilo refinado. Fato curioso é que as equipes de desenho viajaram para a Costa Azul, a Riviera francesa, para estudar a arquitetura e o estilo de vida da região. As linhas e o acabamento do novo modelo teriam sido inspirados nos iates muito vistos por lá. Além desse fator estético, foi muito considerada a aerodinâmica: as formas deveriam criar um fluxo de ar sobre a cabine, mesmo em velocidade, que não incomodasse os passageiros ao rodar de capota aberta.

Com formas curvas e volumosas, o carro abandonava o perfil baixo e longilíneo de seu antecessor. Agora havia uma ampla grade e faróis também grandes; as lanternas traseiras verticais pareciam subir pelos para-lamas, que ficavam mais baixos que o centro da tampa do porta-malas. Tampa essa que se mostrava um tanto grande em relação ao conjunto — inevitável em conversíveis que guardam o teto no porta-malas, mesmo com uma articulação na capota à altura do fim das portas. Sofisticado e com acabamento irrepreensível, o interior trazia revestimento em couro de alto padrão, apliques de madeira de dois tipos, sistema de áudio Mark Levinson e navegador com base em DVD.

Baseado na plataforma do sedã Lexus GS (Toyota Aristo no Japão) de segunda geração, que mantinha a tração traseira, o conversível era mais curto (4,52 m) que o antigo cupê, mas continuava com porte imponente, sendo um pouco mais largo (1,83 m), alto (1,35 m) e longo entre os eixos (2,62 m). O peso de 1.745 kg superava o do anterior, em parte pelo teto retrátil e todo o mecanismo envolvido.

Tanto no Soarer quanto no SC, um único motor estava disponível: o V8 de 4,3 litros já em uso pelo sedã LS 430, com variação de tempo de válvulas, 300 cv e 45 m.kgf, associado a uma caixa automática de cinco marchas. Tanto o câmbio manual quanto os seis-cilindros ficavam para trás. Mesmo com todo seu peso, podia acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 6,2 segundos. As suspensões independentes usavam braços sobrepostos em ambos os eixos e havia auxílios eletrônicos como controle de estabilidade e tração. Como opção, os pneus do tipo run-flat rodavam mesmo furados em emergência.

"Melhor que um spa"   O SC 430 deixou boas impressões no primeiro teste pela Car and Driver  em 2001: "Basta dizer que todos os superlativos usuais da Lexus se aplicam. O V8 é suave e potente como sempre, com seu fornecimento de torque controlado pela variação inteligente de tempo das válvulas. Mesmo com teto baixo, o motor não incomoda, fazendo um borbulhar distante em qualquer situação que não seja a de plena aceleração. Ele nunca é barulhento; só mais enfático ocasionalmente". A caixa automática, a suspensão e a direção também foram elogiadas.

Nas pistas
Os Soarers das três primeiras gerações (acima um da terceira) resultaram em bons carros para a prática de drift, provas em que derrapar com a traseira é o objetivo. Apesar desse potencial, o modelo nunca se destacou em competições mais convencionais. Mesmo com tração traseira e motores de seis cilindros similares aos do Supra, o carro foi preterido por conta de tamanho e peso excessivos para essa aplicação.

A carreira esportiva veio apenas depois da extinção do Soarer, substituído no Japão pelo Lexus SC 430. Ainda assim, não se tratava do pesado conversível de rua modificado, mas do uso de uma carroceria inspirada nesse modelo sobre um chassi específico para a aplicação. Assim, a Toyota o colocou na categoria japonesa Super GT, em 2006 (acima à direita).
A classe escolhida foi a GT 500, com motores ao redor de 500 cv. O V8 vinha do modelo de produção, mas com extensas modificações. Já na estreia, Juichi Wakisaka e Andre Lotterer venceram em Suzuka — e acabaram levando o campeonato de pilotos naquele ano, enquanto a equipe Open Interface Toyota Team foi campeã de construtores.

O êxito incentivou a fábrica a substituir o Supra pelo SC na temporada de 2007. No ano seguinte a equipe Petronas Toyota ganhou, embora os pilotos campeões dirigissem um Nissan. Wakisaka e Lotterer voltavam a conquistar o campeonato em 2009, pela equipe Petronas, em um ano saboroso para a Toyota — o IS 350 havia obtido ambos os títulos pela classe de menor potência, GT 300.

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