|

Apenas 51 unidades foram
construídas, além do protótipo original; hoje as mais conservadas são
vendidas por mais de meio milhão de dólares


O Carioca (embaixo em desenho da
revista Car Life): o plano de Preston para produzir um carro no Brasil
foi interrompido por sua morte em 1956 |
Com
apenas 36 unidades construídas — sem contar o protótipo original —
paradas na fábrica, Tucker e mais 10 executivos da empresa foram
acusados por Kerner de fraude aos investidores. A alegação era de que o
empresário na verdade nunca quisera construir um carro: o projeto só
existia para arrancar dinheiro de acionistas. O empresário foi comparado
até mesmo ao gângster Al Capone. Mais lenha na fogueira foi colocada com
a declaração de um ex-empregado de Tucker, o engenheiro Frank Kincaid.
Ele afirmava que a empresa nunca comprou maquinaria para a produção de
automóveis — em que pese o tamanho da fábrica em Chicago, a maior
naquele tempo. Esse revés colaborou com o tombo do empresário.
Preston foi processado e perdeu o espaço da fábrica, que era alugado do
governo. Inocentado de todas as acusações e ressentido, resolveu
processar todos os envolvidos pelo esquema, incluindo o governo. Mas o
estrago já havia sido feito e a empresa, conforme idealizada por Tucker,
não conseguiria a confiança popular de volta. Quinze outros carros ainda
foram concluídos após o fechamento da fábrica, para um total de 51. Como
o sonho de Tucker não poderia mais se realizar nos EUA, o empresário
voltou seus olhos para o lado de cá do Equador. Passou a vir ao Brasil,
onde planejava construir um novo modelo. Nesse tempo um Torpedo
remanescente havia sido importado para o País. Embora não se saiba se
foi o próprio Preston quem trouxe o veículo, o carro teve várias fotos
tiradas em locais do Rio de Janeiro, cidade que o norte-americano
escolheu para abrir seu escritório. E foi em Copacabana que nasceu mais
um projeto revolucionário: o Carioca.
Baseado no Torpedo, o Carioca era mais voltado à realidade nacional. O
motor deveria ser de quatro cilindros, mais econômico. O carro era
também mais leve e trazia soluções engenhosas já testadas no Torpedo. A
carroceria de traços esportivos poderia ser comparada a um barco a vela.
As rodas ficavam destacadas, com carenagem própria, como se fossem de
motocicletas. Tucker, animado como sempre, corria atrás de parceiros
para impulsionar o projeto de vez. Conta-se que o ex-governador de São
Paulo, Adhemar de Barros, muito influente naquela época, era um dos
contatos do empresário. Contudo, o sonhador Preston não esperava que um
câncer de pulmão atrapalhasse seus sonhos. Morreria em 26 de dezembro de
1956, aos 53 anos, logo no início do projeto do Carioca.
Como seria o panorama dos EUA se o sonho de Tucker tivesse chegado às
ruas? Nunca saberemos. Todavia, são inegáveis o esforço e as ideias de
um visionário que buscava oferecer algo realmente inovador a seus
compatriotas. Hoje um Torpedo em bom estado pode alcançar meio milhão de
dólares e um modelo foi leiloado por mais de um milhão em 2008. Um
reconhecimento e tanto ao "sonho americano" que mal saiu do papel.
|