
Ao lado da praticidade da quinta
porta, o GT traz um modo de abertura com uma tampa menor, o que preserva
o conforto de quem viajar atrás


O ambiente nos bancos dianteiros
é semelhante ao do sedã, mas seus bancos ficam mais altos; o teto solar
panorâmico é de série no 535i GT


Apenas dois sentam-se no
banco traseiro do hatch, mas com alto grau de conforto; o ajuste
longitudinal permite espaço para pernas de Série 7 |

Chega a ser óbvio descrever as sensações impecáveis do carro nesse
ambiente "de laboratório", pois, ao cravar o pé no fundo do acelerador e
soltar o freio, o 535i GT pula com uma saúde de leão à frente (e você
esperava algo diferente?), progredindo até quase 200 km/h com rapidez,
segurança e com um silêncio excepcional na cabine, considerando estar o
motor esticando cada uma das marchas para chegar a tal velocidade. As
trocas automáticas são imperceptíveis e nada parece fora do lugar. Como
se espera de um BMW (e se paga por isso). Para a frenagem, mesmo
discurso: segurança aos baldes, pouca inclinação da carroceria, sensação
de carro na mão.
E chega o grande momento, o slalom. O primeiro feito "como manda o
figurino", procurando não alargar demais as trajetórias, passando justo
por entre os cones com um carro de mais de três metros de entre-eixos —
mas com excelente pacote tecnológico e controle de estabilidade que o
faz agir como se fosse bem menor. E por sugestão do competente Fernando
Rebellato, consultor da BMW e piloto de mão cheia nas horas vagas,
simulamos um slalom malfeito, como não manda o figurino, levando o 535i
GT ao limite como se fosse dirigido por alguém sem noção do que
significam "trajetória" e "ponto de tangência". E foi nessa situação
limite que o controle de estabilidade efetivamente fez ver seu valor,
compensando os erros do piloto e mantendo a compostura do carro e, em
consequência, a segurança de seus ocupantes.
Todavia, por melhor que tenha sido a programação da BMW, o extenso
conteúdo desses carros torna impraticável uma análise consistente em tão
curto período de tempo. Esperamos voltar a falar em breve desses modelos
após passar mais tempo ao volante.
A BMW espera vender cerca de 60 novos Série 5 no Brasil ainda em 2010.
Na Europa, alguns países têm fila de até quatro meses para o cliente
conseguir um. Em contrapartida, nos Estados Unidos, onde o GT foi
lançado apenas na versão 550i, as vendas estão aquém da expectativa e
induzem a BMW a oferecer uma versão com motor menor e tração 4x4. E
aqui?
Nosso palpite indica que será o sedã 535i o líder da categoria na marca:
imponente, recheado de tecnologia e que faz a mesma "vista" que o 550i,
que certamente é um carro "mais" — inclusive nos mais de R$ 100 mil que
se cobram por ele acima do irmão mais modesto e, insistimos, com as
mesmas aparência e imponência. Mesmo porque o motor turbo de seis
cilindros mostra disposição mais que suficiente para qualquer condição
de uso, seja para ultrapassagens quase instantâneas na estrada, seja
para divertir o motorista em um percurso sinuoso, como um BMW sabe fazer
muito bem.
Já o GT, apesar de entendermos as características positivas e práticas
que uma tampa traseira maior oferece, assim como o ajuste longitudinal
do banco traseiro, e o conforto que aquela disposição 2+2 entrega para
os viajantes, opinamos que o estilo ficou devendo. Menos harmonioso que
o sedã, impactante em medida além da conta para um cliente desse tipo de
carro, o Série 5 GT —apesar de seus bons predicados — deve vender menos.
Todavia, uma boa notícia foi dada na apresentação: a grade de cores da
marca agora traz uma variedade bastante alta não só para a tinta da
carroceria, mas também para os revestimentos internos, pois, "segundo
indicação de nossas concessionárias, os clientes estão ousando mais na
escolhas da cores de seus veículos, dentro e fora".
Oba! É o começo do fim da ditadura preto-prata, ao menos na BMW. |