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Mecânica, comportamento
e segurança

O motor que equipa estas versões é o mesmo 1,8-litro de oito válvulas, produzido pela Powertrain, empresa formada pela GM e a Fiat para fabricar motores. Como se sabe, é uma majoração da Família I, iniciada em 1994 com o 1,0-litro do Corsa Wind e logo ampliada com versões 1,4 e 1,6. Nada tem, portanto, com o 1,8 da Família II que surgiu em 1982 no Monza e ainda sai no Astra a álcool.

Se os 12 anos de diferença parecem indicar modernidade, o fato é que é um motor de tecnologia simples, sem qualquer dos refinamentos técnicos adotados em alguns concorrentes, como acionamento de válvulas por alavanca roletada ou, no caso da Meriva, mesmo acelerador eletrônico (que a Palio utiliza). E, se a opção pela Família I representou redução de peso (de 30 kg segundo a GM), houve uma perda expressiva em função dessa escolha na suavidade de funcionamento (saiba mais abaixo).

Além do comando do acelerador, que não influi nos valores, a versão utilizada pela Fiat diferencia-se apenas no mapeamento da central eletrônica, que gerencia injeção e ignição. Obtém imperceptíveis 1 cv de potência e 0,2 m.kgf de torque a mais Mas, se para a Weekend são números significativos, sobretudo o torque, para a Meriva não se pode dizer o mesmo. E qual a razão? Continua


Ambas são práticas no acesso e na utilização, mas a Palio Weekend (embaixo) leva 95 litros a mais no porta-malas

Comentário técnico
> A substituição do motor 1,6 de 16 válvulas e 106 cv pelo 1,8 de oito válvulas e 103 cv representa ganhos e perdas para a linha Palio. Ganhou-se em torque, já que a apenas 2.000 rpm o novo propulsor já entrega mais que o máximo de 15,4 m.kgf do anterior, que aparecia a altas 4.500 rpm. Mas perdeu-se muito em prazer em dirigir para quem aprecia fazer o motor "girar", já que a conhecida suavidade de funcionamento deu lugar a vibrações e aspereza, bem sentidas acima de 3.500 rpm. Embora o 1,8 esteja bem de acordo com um veículo familiar, o ideal seria ter ambas as qualidades — torque e suavidade — juntas.

> Para quem não lê habitualmente o BCWS, cabe a explicação da origem desses fenômenos. Ao ampliar o motor 1,6 para chegar a 1,8 litro, aumentando
diâmetro dos cilindros e curso dos pistões, a GM mandou para o espaço a relação r/l, que passou de 0,31 para quase 0,34 — não deveria superar 0,3 para manter a suavidade. A culpa está na conservação das bielas curtas (129,75 mm), as mesmas desde a versão de 1,0 litro. Como comparação, o motor Zetec 1,8 da Ford, de curso similar, obtém r/l aceitável, 0,31.

> A suspensão traseira da Weekend, ao contrário da usada no Palio hatch e no Siena, é independente, com braço arrastado em vez de eixo de torção — este empregado também na Meriva. Uma pena que esse conceito bem resolvido tenha sido comprometido por uma calibragem macia demais dos amortecedores, que deixou a perua "mole" e imprecisa nas tomadas de curvas.

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