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Comparativo Completo
Requinte do Laguna: com o cartão no bolso, a porta se destrava ao puxar a
maçaneta; inserido na fenda do console, basta apertar o botão para dar a partida
Laguna: dispensando a chave
O manual do proprietário do Laguna dedica oito páginas a uma de suas inovações neste segmento: o sistema de acesso e partida sem utilização de chave. O carro simplesmente não possui chave como a conhecemos: apenas um cartão eletrônico, do tamanho aproximado de uma fita-cassete (mas mais estreito), que tanto efetua o travamento e destravamento automático das portas quanto autoriza ligar o motor.

Utilizá-lo é simples. Com o cartão em mãos ou mesmo no bolso, basta acionar qualquer maçaneta externa do veículo — mesmo a do porta-malas — para que seja feito o reconhecimento e destravamento das portas. Uma vez dentro do carro, insere-se o cartão em uma fenda no console, o que ativa o sistema elétrico e o reconhecimento pelo imobilizador antifurto. Então, basta apertar o botão start no painel para dar a partida, repetindo a operação para desligar o motor, antes de remover o cartão.

Ao sair, é só levar o cartão consigo para que a trava seja acionada ao se afastar
alguns metros. A sinalização via luzes de direção confirma as operações.

Quem preferir pode trancar e abrir o carro acionando os botões do cartão, como em um controle remoto comum. Em caso de qualquer defeito no sistema, a abertura das portas pode ser feita por uma pequena chave dentro do próprio cartão, a ser inserida na fechadura do motorista.

Embora represente certa conveniência, como ao chegar ao carro com as mãos ocupadas, o sistema tem suas desvantagens. Como em toda mudança de hábito, perde-se algum tempo nas operações de ligar e desligar o motor até se estar habituado, sobretudo para quem se alterna entre modelos diferentes com freqüência. O pior mesmo é ter de explicar tudo a cada manobrista, como aconteceu em um hotel durante alguns dias da avaliação.

Em compensação, o Laguna ficou conhecido entre eles como "o carro do futuro". Tem seu charme.
Comentário técnico
> Analisar a ficha técnica do Laguna revela alguns detalhes construídos com perfeição. Um deles, as relações de marcha: a quinta é direta (1:1), o que elimina as perdas de engrenamento nessa marcha e permite um par final mais longo, condição mais favorável para funcionamento das engrenagens. O resultado é um ganho em ruído de funcionamento em viagem. No Omega a marcha direta é a terceira, como na maioria dos câmbios automáticos tradicionais — mas não no do Vectra, em que a direta é a quarta e última marcha.

> Todo de alumínio, o motor do Renault trabalha com taxa de compressão bem mais alta, 10,9:1 contra 9,35:1. O GM ainda usa bloco e cabeçote de ferro fundido, mais pesados e com menor dissipação de calor, o que acaba limitando a taxa possível.

> Os dois demonstram suavidade de funcionamento típica de relação r/l correta (é de 0,296 no australiano;
no francês não foi possível obter o dado junto ao fabricante).

>
Outro recurso exclusivo do Laguna é o variador de fase das válvulas de admissão, um dos responsáveis pela boa distribuição de torque: 90% do valor máximo estão disponív
eis a 2.500 rpm.

> Os dois modelos utilizam suspensões simples e consagradas. As dianteiras são McPherson e, na traseira, o Omega utiliza braço semi-arrastado e o Laguna eixo de torção. Nada, portanto, dos modernos sistemas multibraço já em uso até por modelos médio-pequenos como o Focus e o Golf V. A Renault argumenta que o eixo de torção pesa cerca de 20 kg a menos que o multibraço... pode estar certa, mas o ganho em comportamento dinâmico vale mais que isso.

> Os pneus do Laguna avaliado eram do tipo assimétrico, com desenhos diferentes entre a metade montada internamente e a metade externa.

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