Forma e conteúdo que faltavam   Para 1955 a Chrysler preparou uma completa reestilização de seus carros de passeio, como acontecia com freqüência bem maior naqueles anos de ouro de Detroit. Em razão dos gastos no projeto de Exner, muitos chamavam o novo desenho de "estilo de 100 milhões de dólares". Desenhados por Maury Baldwin sob a supervisão de Exner, os Dodges estavam mais baixos e com colunas mais retas, elementos também presentes nas outras marcas do grupo. Era o começo do Forward Look (estilo avançado), nome oficial da estética adotada pela Chrysler.

Como elementos diferenciais no visual, os Dodges tinham grade dividida ao meio, de onde brotavam grossas barras cromadas. Enquanto o Royal 1954 já oferecia combinação de duas cores, os Dodges 1955 combinavam três! Fora eles, só os DeSotos tinham tal abundância de tons. Na traseira as lanternas e as luzes de ré formavam duas "turbinas" de cada lado. Por dentro, havia uma pequena alavanca de câmbio abaixo do painel, que era inspirado nos de aeronaves e contava com um velocímetro grande saltado; os demais instrumentos vinham em pequenos círculos de mesmo tamanho.

Outra reformulação visual, em 1955, deixava o Coronet mais baixo e retilíneo; alguns detalhes inspiravam-se nos aviões, internos inclusive

Mas a ofensiva da Dodge não se restringia à estética. Os motores V8 ofereciam diferentes potências: 175, 183 ou 193 cv a 4.400 rpm, com torques de 33,1 a 33,8 m.kgf a 2.400 rpm. O Coronet, base da linha 1955, era o único modelo da divisão a contar com opção de motor seis-cilindros, agora com 123 cv a 3.600 rpm e 26,8 m.kgf a 1.600 rpm, além do V8 de 175 cv. Mas, com os recursos de acabamento das séries superiores, em nada parecia um carro de entrada. A revitalização da linha fez o mercado reagir: de 155 mil Dodges vendidos em 1954, as vendas saltaram para 277 mil no ano seguinte.

O Coronet chegava a 1956 com um privilégio: era o Dodge escolhido pela Chrysler para a linha Mopar de alto desempenho, composta também pelo Plymouth Fury, o DeSoto Adventurer e o Chrysler 300B. No entanto, o pacote esportivo D-500 do Coronet não exibia vistosos elementos de identificação externos, ao contrário daqueles modelos. Ele podia ser adquirido em qualquer modelo da Dodge, do sedã duas-portas à perua! Mas, a exemplo das pistas, geralmente era acoplado ao Coronet por este ser o mais leve entre os modelos da linha.

O número da sigla que definia o pacote significava quantos veículos precisavam ser produzidos para um modelo ser aceito como carro de produção da Nascar. O D-500 começava pelo V8 de 315 pol³ (5,2 litros) com câmaras de combustão hemisféricas, comando de válvulas especial e um carburador de corpo quádruplo, e desenvolvia 260 cv a 4.800 rpm e 45,6 m.kgf a 3.000 rpm. Incluía um câmbio de três marchas reforçado com opção pelo automático, várias opções de relação do eixo traseiro e uma suspensão bem mais firme, com calibração de amortecedores igual à dos Dodges fornecidos à polícia.

As barbatanas na traseira, tão comuns nos americanos daquela época, eram uma novidade do modelo 1956, que oferecia também o pacote de alto desempenho D-500, com potência de 260 cv  

Altura reduzida em 38 mm, pneus 7,60-15 sem câmara e grandes tambores de freio completavam o pacote, que permitia acelerar de 0 a 96 km/h em menos de nove segundos. Ainda mais potente era o D-550-1, com carburação dupla e destinado às provas da Nascar, que chegava — segundo estimativas, mas não oficialmente — a 295 cv. Foi uma tremenda injeção de adrenalina à combalida imagem da Dodge e seu motor mais potente até então. Logo no início de 1956, todos os recordes de velocidade para automóveis fechados já tinham sido batidos pela marca com o pacote D-500.

Mas outras surpresas aguardavam quem comprasse um Coronet 1956. Disponível para toda a linha, a transmissão TorqueFlite era acionada por quatro botões instalados do lado esquerdo do motorista. A borda desses botões ficava iluminada à noite. Toca-discos Highway Hi-Fi era outro opcional interessante. Todos os modelos, exceto a perua, já trajavam as fatídicas barbatanas, tão adoradas naqueles anos. Mas elas ainda não chamavam tanta atenção, ante outros atributos do carro.
Continua

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