A oferta do motor 440 Six Pack, com três carburadores de corpo duplo, 390 cv a 4.700 rpm e 67,7 m.kgf a 3.200 rpm, marcava a linha 1969. Essa usina de força era identificada por um capô de plástico reforçado com fibra-de-vidro com um ressalto para captação de ar, enquanto o das outras versões R/T trazia duas tomadas de admissão. O desenho também estava simplificado. No ano seguinte, apesar de alterações na frente que o deixavam parecido com um Pontiac, o Coronet perdia mercado. A Dodge optou por encerrar a versão conversível após esse ano-modelo, que seria o último dessa geração.

O capô de plástico, com uma enorme tomada de ar, deixava claras as más intenções do Six Pack, o conjunto de três carburadores duplos oferecido em 1969 ao motor 440

O justiceiro   A partir de 1971, o modelo seria oferecido apenas em pacatos modelos sedã quatro-portas e perua. Para os amantes dos "carros musculosos", ele já havia acabado — pela segunda vez. Mas não para as frotas da polícia. O novo Coronet não só era um modelo de bom comportamento, como também fez sucesso na busca por manter a lei e a ordem, como viatura de policiais e patrulheiros rodoviários. A nova geração, por mais que abandonasse o lado arisco da linha, trocaria as aventuras nas pistas de corridas pelas passadas em vias públicas no combate ao crime.

O desenho arredondado e suave, de bom gosto, era marcado pelo pára-choque dianteiro unido a uma borda cromada, que subia pelas laterais e contornava os faróis. Na traseira, destaque para o caimento inclinado da tampa do porta-malas e as lanternas no pára-choque. O motor seis-cilindros de 225 pol³ (3,7 litros) mantinha-se na base da oferta, que também incluía algumas opções de V8, a partir de 318 pol³ (5,2 litros), o mesmo dos grandes Dodges brasileiros. Em 1972, quando 146.929 unidades foram vendidas, uma nova grade com bico triangular adicionava charme à frente. A tônica de retoques visuais prosseguiria.

Os anos 70 foram um tempo de estilos e motores comportados para o Coronet (na foto um de 1972), mas ele conseguiu a consagração em meio às polícias

Após uma grade arredondada em 1973, o Coronet 1974 foi reestilizado às pressas para atender à nova legislação americana de resistência a impactos, que exigia pára-choques maiores. Nessa época o seis-cilindros de 3,7 litros gerava 100 cv a 4.000 rpm e 25,6 m.kgf a 2.000 rpm, enquanto no V8 de 5,2 litros os números eram de 152 cv a 3.600 rpm e 36,6 m.kgf a 2.000 rpm. A potência e o torque bem mais modestos eram, em parte, conseqüência do novo critério de medição da Sociedade dos Engenheiros Automotivos (SAE), que estipulava valores líquidos como padrão. Mas havia também a influência das normas de controle de emissões poluentes e do fim do uso de chumbo tetraetila na gasolina. A nova frente eliminava a borda cromada, em um estilo que só durou um ano.

Para 1975, faróis redondos sobre molduras quadradas davam um aspecto mais leve ao carro. A maior novidade era a volta da versão hardtop — na verdade um mero rebatismo do Charger, que era mantido apenas na versão SE. Foi uma época em que a Chrysler trocava o nome de seus carros como numa dança das cadeiras. O Satellite, clone do Coronet na linha Plymouth desde 1971, passava a se chamar Fury. Foi uma curta convivência do Dodge intermediário com um dos maiores mitos já criados pela Chrysler.
Continua

Nas telas
O Coronet pode ter tido seus dias de glória como carro musculoso dos anos 60, mas nas telas de cinema e TV ele sempre foi, acima de tudo, um carro de polícia dos anos 70. Na telinha, era a figura mais fácil nas séries com perseguições envolvendo algum tipo de representante da lei. Por isso aparecia regularmente a cada episódio de ChiPs (corruptela de CHP, a sigla usual de California Highway Patrol), seriado com Larry Wilcox e Erik Estrada sobre a vida de dois patrulheiros rodoviários de San Diego. O programa foi ao ar de 1977 a 1983, bem na época que o Coronet/Monaco era de fato usado por essa instituição californiana.

Carro Comando (T. J. Hooker, 1982-86), com William Shatner e Heather Locklear, era outro seriado sobre policiais da Califórnia em que o Coronet/Monaco batia cartão. Os gatões (The Dukes of Hazzard, 1979-85), embora uma divertida comédia, punha Coronet, Monaco e o primo-gêmeo Fury para correr atrás dos carismáticos infratores protagonistas toda semana.

No cinema, os Coronets/Monacos dos anos 70 também foram os que mais trabalharam. Como exceção, Os corações loucos (Les valseuses, 1974), filme francês com Gerard Depardieu e

Miou-Miou, conta com a participação de um Coronet 1952. Tanto Corrida contra o destino (Vanishing point, 1971) quanto a versão original de 60 segundos (Gone in 60 seconds, 1974, acima) têm um Coronet 440 de 1970 da polícia em cena.

Já rebatizado de Monaco, o Coronet também aparece em Rocky 3 (1982), The Junkman (1982, continuação da primeira versão de 60 Segundos), O exterminador do futuro (The terminator, 1984, com Arnold Schwarzenegger), 007 - Na mira dos assassinos (James Bond - A view to a kill, 1985, com Roger Moore) e Máquina quase mortífera (Loaded weapon 1, 1993, também com William Shatner). Isso só para ficar nos títulos já identificados pelos fãs de Dodge.

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