O modelo J LeBaron de 1934: um carro inovador também em detalhes, como o sistema automático de lubrificação do chassi

Grande parte desse fôlego olímpico vinha da excepcional rigidez do chassi. Os membros laterais do chassi tinham 21 centímetros de profundidade e eram intercalados por seis membros cruzados e outro diagonal. Entre os dois eixos havia no mínimo 3,62 metros. O motor era montado sobre cinco coxins com bases de borracha. O uso de alumínio aliviava parte do peso do automóvel, que variava bastante, dependendo da carroceria adotada, podendo-se citar 2.300 kg como uma média. Os freios eram enormes tambores de 381 mm de diâmetro e a suspensão usava feixes de molas semi-elíticas em ambos os eixos rígidos.

O motor trazia outra curiosa inovação. A cada 120 quilômetros, um dispositivo automático lubrificava todos os pontos do chassi que precisavam de óleo. Uma luz vermelha acendia no painel durante o processo e, se o reservatório de óleo precisasse ser reabastecido, uma luz verde surgia. Uma terceira luz lembrava o motorista da troca de óleo do motor, a cada 1.100 km, e em intervalos de 2.250 km era a vez de uma quarta lâmpada se manifestar para que o nível da água da bateria fosse checado num posto de serviço. Quase um precursor do sistema de verificação/controle, em 1928!

Duplo comando, 32 válvulas e 6,9 litros resultavam em 265 cv brutos, 100 a mais que em um Cadillac V16: o Duesenberg J era o mais potente automóvel de rua a seu tempo

O chassi de um Duesenberg J era vendido com duas opções de entreeixos — 3,62 e 3,90 metros — pela bagatela de 8.500 dólares. O preço do carro completo girava em torno de 20 mil dólares, uma fortuna, especialmente se considerarmos a crise mundial gerada com a queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929. De fato, a clientela do modelo era o ápice da nata social americana, que pairava sobre "detalhes insignificantes" como o colapso da economia mundial. E, como se essa extravagância não bastasse, a Duesenberg ainda criou o SJ. Continua

Para ler
Duesenberg: Race cars & passenger cars photo archive - por Jon Bill, editora Iconografix. A história da marca contada por meio de belas fotografias em formato horizontal, do tempo em que só produzia carros de corrida até os magistrais J e SJ. Muitas das imagens, cedidas pelo Auburn Cord Duesenberg Museum, nunca haviam sido publicadas. São 128 páginas em inglês.

Duesenberg - por Dennis Adler, editora Krause Publications. Belas fotografias são imprescindíveis em um livro sobre clássicos. Adler, autor de vários livros desse segmento, sabe disso. Pode-se também conhecer mais os personagens da história da marca, dos irmãos Duesenberg e E. L. Cord aos encarroçadores. Entretanto, há quem questione algumas informações da obra e sinta falta de descrições sobre como era dirigir esses carros.  Tem 276 páginas.

Duesenberg: The pursuit of perfection - por Fred Roe, editora Motorbooks International. Originalmente publicado em 1982 com capa preta, este título tem uma segunda edição com capa vermelha e uma lista dos modelos J.
O nome do livro expressa bem o propósito de E. L. Cord quando quis recuperar a marca Duesenberg: a busca da perfeição. Os carros da marca criados após sua administração e descritos no livro são o melhor reflexo disso.

Auburn Cord Duesenberg
(Motorbooks International Crestline Series) - por Don Butler, editora Crestline Publishing Company. Este livro de 360 páginas em inglês tem um capítulo para cada ano das marcas do grupo Cord, cobrindo o período de 1900 a 1937, e um último capítulo sobre protótipos que tentaram recuperar o legado da empresa. Muitas fotos de época ilustram este título.

Duesenberg: The mightiest American motor car - por J.L. Elbert, editora Post Era Books. Um dos primeiros livros sobre os Duesenbergs como clássicos, teve sua edição revisada em 1975. Muita informação técnica e em relação às carrocerias, 189 páginas.

Duesenberg Buyer's Guide - por John B. Malks, editora Motorbooks International. Livro curto de 128 páginas, mas todo focado nos J e SJ. Uma seção ampla é dedicada às carrocerias que vestiram esses modelos da marca e agregaram ainda mais status a eles.
O museu
Um prédio em estilo Art Deco, onde se podem apreciar clássicos da Duesenberg, Cord e Auburn, além de modelos das antigas concorrentes Cadillac, Packard e Rolls-Royce: é essa a proposta do Auburn Cord Duesenberg Museum, localizado na cidade de Auburn, no estado americano de Indiana. O acervo conta com mais de 100 veículos. Há desde carruagens sem cavalos do século XIX até esportivos nervosos dos dias de hoje.

Entretanto, os clássicos dos anos 30 são os que mais combinam com o local e com a história das empresas que dão nome ao museu, cuja inauguração ocorreu em 1974. Existe uma outra razão toda especial para os fãs dessas marcas ou dessa época visitarem o local: o prédio é o mesmo que foi usado pela Auburn Automobile Company. O site do museu é www.acdmuseum.org.

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