Vendaval sob o capô   A principal diferença do SJ estava expressa no "S" do nome. A letra indicava supercharged, ou seja, dotado de compressor. Esse equipamento centrifugava cinco vezes mais rápido que o virabrequim e catapultava a potência para a casa dos 320 cv, valor superior até ao do ultra-luxuoso e exclusivo Bugatti Royale. A velocidade máxima era de 210 km/h e a então mágica barreira das 100 milhas por hora (161 km/h) era cruzada, partindo da imobilidade, em apenas 17 segundos.

O SJ (este com carroceria Murphy) elevou o desempenho de um Duesenberg a patamares fantásticos para seu tempo: 320 cv, máxima de 210 km/h

Para que o compressor pudesse arregalar os olhos de quem soubesse de sua capacidade atlética, foi adotado um recurso de estilo que elevou ainda mais a reputação da Duesenberg entre os "carros mortais". O preço de acomodar a peça foi a instalação de quatro tubos de escapamento, cromados e flexíveis, em cada uma das laterais do capô. Essa solução já existia na Europa, mas causou grande alvoroço nos Estados Unidos. Os tubos, vistos como elementos esportivos e exóticos, davam tal prestígio que alguns proprietários do modelo J encomendavam os tubos para incrementar o visual de seus automóveis.

Os Duesenbergs J e SJ tinham entre seus clientes membros da realeza européia e também a de Hollywood (leia boxe). Em função deste último elo, duas unidades do SJ roadster foram produzidas com um entreeixos ainda mais curto que a menor opção disponível de fábrica, 3,175 metros. Feitos especialmente para os astros Clark Gable e Gary Cooper, os SJ mais curtos ficariam conhecidos como SSJ Speedster. A sigla abreviava short supercharged J, ou J curto com compressor. A encomenda especial de Hollywood foi um elemento a mais na mítica desses exclusivos modelos.

Modelos esportivos foram comuns entre os poucos SJ produzidos, como este conversível com carroceria Weymann; os tubos de escapamento externos não poderiam faltar

No entanto, por mais que a Duesenberg atuasse num universo paralelo ao da crise econômica mundial, os efeitos da Grande Depressão dos anos 30 começavam a fazer suas vítimas na indústria automobilística americana. Foi nessa época que grande parte dos fabricantes de automóveis, de luxo ou não, dos EUA fechou suas portas. Infelizmente, com a mais grandiloqüente de todas elas o fim não seria diferente. Continua

O retorno?
Na primeira tentativa de ressuscitar o nome da empresa que levou seu sobrenome, August Duesenberg foi contratado para desenhar um novo motor de oito cilindros em linha. Em 1947, quando o projeto foi apresentado, os 25 mil dólares que o carro custaria inviabilizaram a idéia. August morreria em 1955. Seu irmão Fred havia morrido no auge dos modelos J, em 1932, enquanto tentava se recuperar dos ferimentos sofridos num acidente em que ele estava a bordo de seu Duesenberg, uma triste ironia.

Onze anos depois da morte de August houve uma nova tentativa de recriar a marca que ele criou com seu irmão Fred. O modelo de 1966 (acima e no alto à direita) era equipado com motor Chrysler, tinha desenho da Ghia e 7,3 metros de comprimento. Só um foi feito: a 20 mil dólares, era caro demais para a realidade daquele período. Em seguida, nos anos 70, uma réplica do SSJ com chassi de picape Dodge e motor Chrysler, com compressor e 500 cv, foi vendida pela Duesenberg Corporation of Gardena, com sede na Califórnia.

Recentemente foi apresentada outra interpretação moderna do clássico. O Duesenberg Torpedo Coupe (abaixo), criado pelo californiano Jeff Teague, só foi mostrado como desenho até agora, mas há planos de que um protótipo seja apresentado em janeiro de 2007. O cupê usaria a plataforma do Mercedes-Benz CLS e seria movido por um V12 refrigerado a ar e, claro, equipado com um compressor. A potência estimada é de 300 cv — valor modesto não só para o mercado de luxo atual, como para o SJ original dos anos 30.

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