Em 1966, o novo Chevy II tratou de subtrair vendas do irmão compacto e o Corvair turbo virava história, mas por uma boa razão. Em 1967 chegaria a resposta da Chevrolet à altura do Mustang: o Camaro, que já usava a plataforma que o Nova ganharia em 1968 para aposentar o nome Chevy II. Se a aceitação ao Camaro foi entusiástica — embora não como a alcançada pelo Mustang —, ela apagou o brilho esportivo que o Corvair conquistara ainda em sua primeira geração. A publicidade do compacto começou a minguar e suas vendas expressavam todos esses contratempos com quedas vertiginosas.

Embora estivesse na melhor fase de seu projeto, o Corvair perdia apelo -- e mercado -- na segunda metade da década; o modelo 1966 já não contava com o motor turbo

Foram 103 mil exemplares em 1966, 37 mil em 1967 e, depois de cancelado o sedã hardtop, 15 mil em 1968. Há quem acredite que a direção da GM só continuou a produzir o Corvair para não dar o braço a torcer às acusações de Nader. Até maio de 1969, seu último mês, somente seis mil unidades foram produzidas. O próprio Falcon não sobreviveria muito mais na ebulição que o mercado americano vivia — foi aposentado em 1970 nos EUA, mas seu legado continuaria na Austrália e na Argentina. O compacto de 1960 que mais durou foi o Valiant, que só deixaria a linha Plymouth em 1976.

Poucos carros passaram por tantos percalços quanto o Corvair. O deslize inicial do projeto com a estabilidade, associado ao escândalo causado pela reação da GM ao livro de Nader, fizeram uma das mais ousadas criações da empresa parecer um equívoco. Não foi. Mas é fato que os motores "a ar" não durariam muito mais — nem mesmo nos VW europeus, que passaram a adotar propulsores dianteiros e refrigerados a água já na década seguinte. E o mercado americano dos anos 60 era tão volátil que a própria Chevrolet agiu com rapidez para se adaptar a ele sempre que precisou.

O modelo 1969 foi o último da história do compacto; esta peculiar disposição mecânica nunca mais foi vista em um carro americano

Alguns anos depois do fim do Corvair, em 1972, o departamento americano de segurança nas estradas testou o modelo de primeira geração, a pedido de Nader, e não constatou defeitos que causassem acidentes. A GM tampouco perdeu qualquer processo que tenha sofrido por causa do carro. Portanto, apesar de rechaçado como vilão, o compacto foi há muito absolvido. Hoje ele figura na história de Detroit como uma criativa interpretação americana de uma tecnologia tipicamente européia, um carro que revolucionou conceitos e experimentou pioneirismos como poucos antes e depois dele.

Ficha técnica
 

700 sedã
(1960)

Monza Spyder
cupê (1962)

Corsa conversível
(1965)

MOTOR
Posição e cilindros traseiro, longitudinal, 6 opostos
Comando e válvulas por cilindro no bloco, 2
Diâmetro e curso 85,6 x 66 mm 87,4 x 66 mm 87,4 x 74,7 mm
Cilindrada 2.295 cm3 2.376 cm3 2.688 cm3
Taxa de compressão 8:1
Potência máxima 80 cv a
4.400 rpm
150 cv a
4.400 rpm
180 cv a
4.000 rpm
Torque máximo 17,2 m.kgf a
2.400 rpm
29 m.kgf a
3.200 rpm
36,6 m.kgf a
3.200 rpm
Alimentação 2 carburadores carburador
CÂMBIO
Marchas e tração 3, traseira
FREIOS
Dianteiros e traseiros a tambor
SUSPENSÃO
Dianteira independente, braços sobrepostos
Traseira independente, semi-eixos oscilantes indep., braço semi-arrastado
RODAS
Pneus 6,50-13 7,00-13
DIMENSÕES
Comprimento 4,57 m 4,66 m
Entreeixos 2,74 m
Peso 1.095 kg 1.150 kg 1.260 kg
DESEMPENHO
Não disponível

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