Arredondamento do quadrado: o Explorer 1996 estava mais atual com frente renovada e trazia importantes novidades técnicas

Suspensão por braços sobrepostos, nova direção e freios a disco atrás faziam pela mecânica o mesmo que o painel modernizado pelo interior

O clássico motor V8 302, com 210 cv e 28,5 m.kgf, trouxe ao Explorer o torque que faltava; no primeiro ano foi oferecido só com tração traseira

A Ford fez pequenas mudanças no utilitário em 1992, como alongamento do diferencial para reduzir o consumo, novas rodas para XLT e Eddie Bauer e conveniências bem-vindas como ajustes elétricos para os bancos esportivos opcionais, porta-copos no console central (não poderia faltar em um carro norte-americano), sistema de ar-condicionado revisto e função um-toque para o comando do vidro do motorista. O motor passava a 160 cv no ano seguinte e chegava ao catálogo a versão Limited, a mais luxuosa. Trazia faróis com acendimento automático, console no teto com bússola e termômetro externo, luzes de neblina e caixa automática de série. Os cromados davam lugar à mesma cor da carroceria, mas a maior novidade foi a adoção do sistema antitravamento dos freios (ABS) nas quatro rodas. Internamente o volante era novo, assim como a grafia do painel de instrumentos. No entanto, a Ford já enfrentava a renovação da concorrência por meio do Jeep Grand Cherokee e do novo Blazer (na mesma geração que chegaria ao Brasil), além dos japoneses aprimorados.

Primeiras evoluções   O Explorer passava em 1995 por uma reestilização que mudou bastante suas feições. Saíam as linhas retas da dianteira e entravam faróis mais arredondados, grade e para-choques também novos, assim como as lanternas traseiras. Por dentro o ambiente ficava mais moderno, com novo painel e redesenho das portas, tudo com um pouco mais de curvas. Havia uma disqueteira para seis CDs no console e bancos com ajuste elétrico; para os passageiros de trás chegavam encostos de cabeça. Se as medidas mudavam muito pouco, porque a carroceria era basicamente a mesma, na parte mecânica havia boas novidades. A antiga suspensão dianteira de semieixos oscilantes dava lugar a um sistema mais moderno com braços sobrepostos e barras de torção, de comportamento dinâmico muito superior; a caixa de direção passava a ser de pinhão e cremalheira, mais leve e precisa; e a nova tração Control Trac com controle eletrônico (dotada ainda de reduzida) entrava em ação de forma automática, enviando força às rodas dianteiras em caso de perda de aderência das traseiras. Para a segurança chegavam bolsas infláveis frontais e os freios eram todos a disco com ABS.

A revista Motor Trend elogiou "o vasto aprimoramento em dirigibilidade. A direção tem maiores precisão e sensibilidade. A nova suspensão lida com pisos ásperos com mais compostura, mas o Explorer ainda não iguala o conforto de rodagem de parte dos competidores". Os novos predicados davam-lhe o posto de melhor compra do ano da Consumer Guide: "A adição de duplas bolsas infláveis coloca-o à frente dos rivais Blazer e Grand Cherokee, que têm a bolsa apenas para o motorista. O sistema de tração automático é uma característica agradável, embora o Jeep ofereça tração integral permanente há anos." No comparativo da Popular Mechanics com o Blazer LS, ambos com motor V6, o Explorer mostrou melhores freios e estabilidade, embora perdesse em aceleração (de 0 a 96 km/h em 10,5 segundos contra 8,7 s) e retomada. A conclusão foi que "o Blazer é um pouco menor, tem um rodar mais próximo ao de um automóvel e oferece um pouco mais de empurrão — e também custa um pouco menos. O Explorer, por outro lado, oferece mais espaço, uma presença mais imponente e o benefício da bolsa inflável do passageiro."

No ano seguinte, junto ao V6, chegava o V8 "Windsor" de 4,95 litros (302 pol³, a clássica unidade que em geração anterior equipou nossos Galaxie e Maverick) com 210 cv e 38,7 m.kgf, de início só disponível no acabamento XLT com caixa automática e tração traseira. O resultado, na avaliação da Motor Trend, estava "mais para a suavidade e o jazz de um Thunderbird LX que para o rock-and-roll do Mustang GT". Segundo a Ford, foi a nova suspensão que permitiu a adoção do motor maior, antes inviável com o espaço disponível. A mesma revista comparou a novidade ao Grand Cherokee, que tinha as vantagens de potência 10 cv maior, tração integral e peso quase 100 kg mais baixo, em função da construção monobloco. O ganho com o V8 era "mais aparente entrando em vias rápidas a partir de acessos em subida. Há uma sensação firme, satisfatória de empurrão, mesmo quando o utilitário de 1.885 kg está carregado com mais uma tonelada de humanos e sua bagagem". Outras novidades eram o assento traseiro embutido opcional para as crianças e novas rodas para o Limited. Continua

Parentes próximos
Como é muito comum nos EUA, as várias divisões das marcas aproveitam um mesmo projeto e fazem suas adaptações. Com o Explorer não foi diferente. A Mercury, divisão de carros mais luxuosos que os da Ford, apresentou o Mountaineer em 1997. O modelo chegou na esteira da segunda versão do Explorer trazendo mecânica idêntica e um estilo levemente diferenciado. Posicionado em um patamar superior em relação ao Explorer, o Mountaineer custava de US$ 1 mil a US$ 6 mil a mais. Na versão de 2006 (acima à esquerda), porém, a marca adotou um estilo bastante diferente da dianteira, em que os faróis lembravam os de nosso primeiro EcoSport. Outra que se beneficiou do projeto foi a japonesa Mazda. A empresa lançou seu primeiro veículo fora-de-estrada em 1991 com o nome Navajo (acima), nada mais que o Explorer Sport rebatizado e com grade, rodas e lanternas diferentes. Vinha apenas com três portas e tração nas quatro rodas, mas no ano seguinte chegava a opção com tração traseira. Foi produzido na mesma fábrica do Explorer em Louisville, Kentucky, e saiu de linha em 2001. Houve ainda a versão picape do Explorer, lançada em 2000. O Sport Trac estava entre o Ranger e o F-150. As linhas da primeira geração eram bem diferentes das do utilitário esporte.

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