Mercedes
Benz Saloons: The Classic Models of the 1960s and 1970s -
por Laurence Meredith, editora The Crowood Press. Na falta de
livros específicos sobre esta geração de Classe E, a obra sobre
sedãs dos anos 60 e 70 pode ajudar. Publicada em 2003, traz 192
páginas com história, dados técnicos e muitas imagens. O autor
já escreveu mais de 30 livros sobre competições e carros
marcantes da indústria alemã.
Standard Catalog of Mercedes-Benz - por Jim Luikens e
Mary Hedberg, editora Krause Publications. Em 224 páginas, o
livro de 2009 cobre todos os modelos considerados de interesse
para coleção que foram vendidos nos EUA no pós-guerra. Inclui
identificação de número de chassi e outras informações do
gênero. O autor, apreciador de Mercedes desde os anos 50, foi
contratado em 2006 para escrever a The Star, revista oficial da
marca no país. |
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Os "barra-oito" da Mercedes foram os carros preferidos dos
motoristas de táxi alemães na década de 1970, destinação que
eles passariam às gerações subsequentes de Classe E até os dias
de hoje. Muitos anos depois, os carros daquela série ainda são
comuns na "praça" em países menos desenvolvidos, como nações
africanas e do Oriente Médio. Robustez, longevidade e a economia
de combustível dos motores a diesel são fatores decisivos para
essa preferência.
Um taxista, entretanto, chegou ao extremo. Gregorios Sachinidis,
da cidade grega de Thessaloniki, comprou em 1981 um 240 D azul
de 1976, já com 220 mil quilômetros, e usou-o até completar nada
menos que 4,6 milhões de km — a maior distância coberta por um
Mercedes de que a fábrica alemã tenha conhecimento. O carro
rodou em serviço 24 horas por dia por 23 anos até 2004, quando
ele doou o fiel companheiro de trabalho ao museu da empresa. |
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O
moderado nível de ruído e o bom desempenho contribuíam também para o
prazer de dirigir, relatava a revista: "De média para alta rotação, não
há praticamente diferença para um motor a gasolina comparável. (...)
Tanto na autoestrada quanto em estradas no campo, você pode andar junto
com carros rápidos sem muito esforço no 3.0". Opiniões compartilhadas
até certo ponto pela Popular Mechanics nos EUA, onde a versão se
chamava 300 D: "Em condução normal fica próximo ao de um seis-cilindros
a gasolina. É notavelmente mais suave que o 240 D de quatro cilindros,
que já não incomoda pelo ruído ou pelas vibrações. No entanto, ainda há
a preguiça típica do diesel".
Da Autocar era o teste com o sedã 230.4, que anunciava: "A maior
potência no compacto familiar da Mercedes dá-lhe maior velocidade
máxima, mas ganho marginal em aceleração. O câmbio mais longo traz mais
suavidade em uso de cruzeiro e menor consumo. Muito confortável e
soberbamente construído, mas bastante caro". Se não era exatamente
rápido — acelerou de 0 a 100 km/h em cerca de 13 segundos no teste —, o
revitalizado Mercedes mostrava qualidades apreciadas nos carros alemães.
"O 230 cruza em silêncio e sem esforço a qualquer velocidade até à
máxima. A estabilidade em
alta velocidade é boa e não é afetada por ventos laterais. (...) Os
pneus, em conjunto à suspensão firme, dão ao carro a adesão à estrada de
um carro esporte", observava o
teste. Em relação a seus adversários mais diretos
—
BMW 520i, Jaguar XJ6, Rover 3500 S e
Volvo 164 E
—,
a revista argumentava que "para se manter
o carro por um longo tempo, ou para se fazer a
quilometragem de vários anos em um curto período, os benefícios serão evidentes quando
ele continuar a prestar bons serviços, enquanto seus competidores já
estarão em suas últimas pernas. Como membro de uma frota executiva, possui toda a aura de prestígio, mas com uma
economia que não pode ser desconsiderada".
Com o lançamento da geração
W123, em janeiro de 1976, o W114/W115 fazia sua gradual despedida
até sair de produção em dezembro. Atingiu respeitáveis 1,9 milhão de
unidades produzidas em Sindelfingen, Alemanha e East London, África do Sul. A versão mais vendida (420 mil) foi a 220 D,
seguida pela 200 D (340 mil), ambas a diesel, enquanto a 200 a gasolina
chegou a 288 mil.
Ainda hoje esses Mercedes ainda são muito apreciados, e não só pelos
colecionadores que veem nessa uma das mais belas gerações antigas de
Classe E: também por motoristas de todo o mundo, sobretudo na África e
no Oriente Médio, que os mantêm em uso após 35 ou 40 anos, às vezes com
milhões de quilômetros de bons serviços. Foram mesmo carros construídos
para durar.
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