O Montella previa um sucessor para o Pantera que não vingou; em 1972 Alejandro adquiria as fábricas de motos Benelli (na foto a Sei) e Guzzi

O Guara apareceu em 1993 com motor BMW V8 e mais tarde um Ford; o Biguá foi renomeado Mangusta (embaixo) e passou às mãos da Qvale

Esse argentino levou para a Itália sua paixão por automóveis e deu ao mundo um dos carros esporte mais desejados dos anos 70: o Pantera

Quanto ao Pantera, cujas vendas começavam ainda em 1971, vinha enfrentando problemas como de superaquecimento. No ano seguinte aparecia o Pantera 290, com motor V6 de 3,0 litros, capaz de atingir 230 km/h, mas que acabou não chegando ao mercado — assim como o De Tomaso Granada, versão personalizada que recebeu desaprovação nos EUA. A Ford comprava o restante da empresa em janeiro de 1973 e a rebatizava Ghia Operations. De Tomaso ficou apenas com sua marca e os direitos de produção do Pantera. Para a Ford, as novas normas antipoluição tornariam o carro caro demais para produzir, tendo então perdido o interesse nele. Não há registros precisos quanto ao número de Panteras feitos, mas se estima em torno de 9.000 — cerca de 80% de todos os carros da marca. Mais da metade foi para os EUA.

De Tomaso chegou a mostrar um protótipo do sucessor do Pantera, o Montella, que ficou no exemplar único. No mesmo ano ele adquiria os fabricantes de motocicletas Benelli e Moto Guzzi. Nova aquisição vinha em 1975: a Maserati, que havia sido comprada em 1969 pela Citroën e depois fechada, com 800 funcionários perdendo o emprego. Com o auxílio do governo italiano, De Tomaso apareceu para salvar a empresa e seus empregados. Um ano depois, outra marca italiana entrava para o grupo: a Innocenti, à época um desdobramento da British Motor Corporation para construir Minis na Itália que havia lançado, pouco antes, uma nova linha desenhada por Bertone.

Alejandro continuou a produção desses carros, chegando a usar um motor Daihatsu no lugar dos ingleses em modelos como Mini 500, 650 e 990, este com versão a diesel e câmbio semiautomático. Criou-se até uma versão esportiva, o Innocenti Turbo De Tomaso, com 72 cv no motor 1,0-litro turbo. Se hoje não é nada excepcional, para a época era um feito.

O primeiro novo Maserati sob a administração de Alejandro foi o Kyalami, que surgiu em 1977 e teve versão conversível. Tratava-se de um Longchamp redesenhado por Frua, com motor Maserati no lugar do Ford V8, e durou até 1983. Depois veio o grande sedã Quattroporte III, mas o principal carro da marca do tridente na gestão De Tomaso foi o Biturbo, de 1981, com dois turbos, várias carrocerias — cupês de dois ou quatro lugares, conversível e sedã de quatro portas — e diversas versões, tais como 222, 228, 420, 422, 425, 430, 2.24v, 4.18v e 4.24v. Algumas derivações "bravas" receberam nomes especiais como Racing, Karif, Shamal e Ghibli, esta revivendo um famoso modelo da marca dos anos 60 e 70.

Em 1986 surgia o Royale, evolução do Quattroporte III com a potência do motor V8 de 4,95 litros aumentada para 300 cv. No mesmo ano, com a compra da Alfa Romeo pela Fiat, Alejandro passou a ser dono do segundo grupo com maior produção de automóveis do país. O último novo Maserati sob sua gestão foi o Barchetta, criado para um campeonato monomarca e do qual uma unidade de rua — a Stradale — foi feita. Ao longo do tempo, Alejandro foi vendendo parte de suas aquisições. A Fiat comprou em 1990 a Innocenti e 49% da Maserati, levando os restantes 51% em 1993. Neste ano Alejandro sofria um derrame e o comando da De Tomaso passava a seu filho Santiago.

O Pantera, já remodelado por Marcello Gandini, chegou a ter uma versão targa feita em apenas quatro unidades pela encarroçadora Pavesi, mas estava em fim de produção. Era hora de lançar novos carros De Tomaso. Surgia então no Salão de Genebra de 1993 o Guara, um dois-lugares de motor central em versões cupê e roadster. O motor inicial era um BMW V8 de 4,0 litros com 304 cv. A carroceria baixa e larga, com desenho de Carlo Gaino, usava fibra de carbono e fibra de vidro. Em 1998 o motor era trocado por um Ford de 4,6 litros, capaz de levar o carro até 270 km/h. O Guara teve produzidas, até 2004, menos de 50 unidades. Em 1994 Alejandro ajudou na engenharia da versão esportiva De Tomaso do Daihatsu Charade.

O último carro projetado pela De Tomaso surgiu em 1996: o Biguá, nome logo mudado para Mangusta. Desenhado por Gandini e Alejandro, tinha motor Ford V8 de 4,6 litros e 305 cv na frente, ao contrário dos demais dois-lugares da marca, que usavam a montagem central. A capota podia ter a parte central retirada como em um targa. Ao aperto de um botão a parte de trás rotacionava e ficava escondida sob o tampão traseiro. Devido a problemas com seu sócio no desenvolvimento, Kjell Qvale, a produção foi assumida por este, que passou a vendê-lo como Qvale Mangusta. No ano seguinte a Qvale vendeu o projeto para a inglesa MG, que usou o carro como base para o X-Power SV. Houve ainda mais um De Tomaso, o utilitário esporte Simbir, de 2000, feito sob licença da russa UAZ.

Alejandro de Tomaso morreu em Modena, Itália em 21 de maio de 2003 aos 74 anos. Sua empresa não resistiu muito mais que um ano após sua morte, mas em 2010 foi comprada pelo italiano Gian Mario Rossignolo, que pretende relançar a marca. E ele não foi o último argentino a montar um império automobilístico na Itália: Horacio Pagani, que também nasceu no país nosso vizinho, trouxe ao mundo os velozes esportivos Zonda.

Carros do Passado - Página principal - Escreva-nos

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados - Política de privacidade