O modelo B de cabine fechada, feito em 1900, e Marcel com um carro de 6,3 litros na corrida Paris-Madri, na qual perdeu a vida em 1903

O modelo 45 com motor de 9,1 litros, que podia chegar a 145 km/h; a impressionante fábrica e o 10CV de três eixos para atravessar o Saara

O avião ainda era uma novidade em 1907, mas nesse ano a Renault começou o desenvolvimento de motores aeronáuticos. Louis assumia no ano seguinte o controle total da empresa, após Fernand se aposentar por motivos de saúde que acabaram acarretando em sua morte — o que levou a empresa a retirar a palavra Frères de sua razão social. No mesmo ano surgia o 50/60 com enorme motor seis-cilindros de 9,5 litros.

Na época, os carros da empresa tinham como característica os grandes radiadores próximos à parede de fogo (divisória entre motor e cabine), embora isso não tão facilmente os identificasse, pois o sucesso levou a um grande número de imitadores de suas linhas. Além dos clones não oficiais, os carros da Renault foram produzidos sob licença no Reino Unido, pela Dodson, e nos EUA pela Palmer-Singer e pela Croxton. Em 1911, os modelos passavam a ter lubrificação forçada. Dois anos mais tarde, a empresa já respondia por 20% das vendas da indústria francesa.

Na Primeira Guerra Mundial, os carros da Renault ganharam notoriedade com o episódio da Batalha de La Marne, na qual as forças armadas requisitaram que a frota de táxi de Paris transportasse as tropas para a batalha — frota essa praticamente formada por modelos AX e AG da Renault, equipados com motor de dois cilindros e 1,1 litro. Louis foi condecorado com a Legião de Honra, pelo sucesso de seus projetos militares na guerra, o que incluía o famoso e revolucionário tanque Renault FT-17. Diversos aviões de combate também tinham motores produzidos pela empresa.

Em 26 de setembro de 1918, aos 40 anos, Louis casou-se com Christiane Boullaire, então com 21, irmã do pintor francês Jacques Boullaire. Tiveram um filho, Jean-Louis, e mantinham uma casa no número 90 da elegante Avenida Foch, nos Campos Elíseos — que ligava o Arco do Triunfo ao Bosque de Bologne —, e outra próxima de Saint-Pierre-du-Vauvray, em um imóvel chamado Castelo da Batalha de Herqueville, cuja enorme construção sediava um terreno de mais de 4.000 hectares. A própria Câmara Municipal da cidade, antes situada na propriedade, foi movida para outro local ao custeio de Louis. A entrada para a residência era por um túnel subterrâneo.

O modelo 45 surgia em 1921, propulsionado por um motor de 9,1 litros e capaz de 145 km/h de velocidade máxima. No ano seguinte, freios dianteiros passaram a ser adotados nos carros da marca, assim como os radiadores vieram embutidos sob o capô, mas ainda ao lado da parede de fogo. Naquele período a Renault adotou avanços técnicos como equipamentos elétricos e motores monobloco.

Foi também a época em que surgiu a rivalidade com André Citroën, caso do lançamento do compacto Renault 6CV (ou tipo NN) de 950 cm³, em 1922, para confrontar o modelo 5CV da marca adversária. Mais tarde, ao inaugurar uma nova e impressionante fábrica, Louis convidou André para a conhecer. O concorrente aceitou e, incomodado, ordenou a demolição de parte de sua unidade em Javel para que uma mais suntuosa que a do rival fosse construída. Em 1924 a Renault mostrava carros de três eixos e dupla rodagem, desenvolvidos para a travessia do deserto do Saara, e no ano seguinte obtinha sua primeira vitória no Rali de Monte Carlo.

Um modelo 40CV, com frente extremamente longa e cabine compacta e recuada, batia em 1926 um recorde de velocidade ao alcançar 175 km/h. Três anos depois era apresentado o Reinastella, um carro de luxo de 5,5 metros de comprimento e 2,5 toneladas com motor de oito cilindros em linha, 7,1 litros e 130 cv, freios assistidos e radiador frontal — item que em 1931 se tornava comum a todos os carros da marca. A linha agora incluía um modelo de oito cilindros mais barato, o Nervastella; o Monasix, de seis cilindros e 1,5 litro; e o Monaquatre, de quatro cilindros e 1,3 ou 1,5 litro, disponível também como furgão.

Ainda durante a década de 1930 foram apresentados modelos expressivos como o Viva Grand Sport (1934), com linhas aerodinâmicas, seis cilindros em linha e 4,1 litros; o Celtaquatre, também com formas favoráveis ao ar; e o popular Juvaquatre (1937), com motores entre 750 e 1.000 cm³. No último ano da década, o luxuoso Suprastella chegava com oito cilindros, 5,5 litros e 110 cv para uma carroceria de 5,60 metros. Durante o período entre guerras, Louis mantinha o controle completo de sua empresa, lidando com sua rápida expansão, enquanto concebia novas invenções e desenvolvia outros componentes — a maioria das quais em uso ainda hoje. Continua

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