


Louis em foto de 1926 e dois
Renaults que impressionaram: Reinastella, um luxo de 5,5 metros, e o
aerodinâmico Viva Grand Sport (embaixo)

Com o econômico Juvaquatre de
motor de 1,0 litro, em 1937, a Renault atendia ao público jovem; oito
anos depois a empresa era nacionalizada |
Além disso, o empresário tornava-se um importante fornecedor para o
exército francês. Mas também enfrentava vários casos de conflitos trabalhistas
com operários da esquerda, além da competição feroz com André Citroën, o que o
deixava cada vez mais paranóico e solitário, embora seu conglomerado empregasse
40.000 funcionários. Preocupado com o crescente poder do comunismo e dos
sindicatos, retirou-se para seu castelo próximo a Mont-Saint-Michel. Na época da
invasão da França pelas tropas de Hitler, em 1940, Renault estava nos EUA,
enviado por seu governo para solicitar tanques de guerra.
Quando ele voltou, já havia sido firmado o armistício franco-alemão, no qual a
Alemanha anexou boa parte do território francês, incluindo a capital Paris. A
Louis foram dadas alternativas: poderia cooperar com os alemães ou, caso se
recusasse a fazê-lo, sua fábrica e os equipamentos seriam enviados para a
Alemanha — o que seria considerado colaboração com o inimigo. Ele acabou
colocando suas fábricas a serviço dos nazistas e do governo de Vichy, capital da
parte da França que não foi ocupada pelos alemães, mas que era controlada por
eles assim mesmo.
Louis dizia: "É melhor dar-lhes a manteiga, ou eles vão levar as vacas". Durante
um período de quatro anos, a Renault fabricou 34.232 veículos para esses fins. O
fundador alegava que, "por permanecer em operação, a fábrica salvou milhares de
trabalhadores de serem extraditados para a Alemanha". Durante a ocupação da
França, embora ainda pertencente a Louis, a empresa estava sob o controle dos
alemães, com o pessoal da Daimler-Benz em posições-chave. Renault tornou-se
impopular entre os membros da resistência francesa.
Em março de 1942, as fábricas da Renault haviam se tornado alvo prioritário dos
britânicos e dos bombardeiros aliados da Força Aérea Real e, finalmente, foram
destruídas. Questões de saúde abalavam ainda mais Louis, cuja função renal havia
diminuído severamente, e em 1942 ele sofria de afasia, sendo incapaz de falar ou
escrever. Em 22 de setembro de 1944, três semanas depois de a França ter sido
libertada, Renault foi preso nos arredores de Paris sob acusação de colaboração
industrial com a Alemanha nazista.
Ele negava que sua empresa tivesse recebido 120 milhões de dólares dos alemães
para o material de guerra, mas, mesmo seriamente doente, foi enviado para a
prisão de Fresnes e depois ao hospital psiquiátrico Ville-Evrard, em
Neuilly-sur-Marne. Quando a saúde de Renault declinou, em 9 de outubro de 1944,
ele foi transferido outra vez — a pedido de sua família — para o lar de idosos
da clínica Saint-Jean-de-Dieuhe, em Paris, aonde chegou em coma, vindo a falecer
15 dias depois. Na época, o governo francês provisório apreendia a empresa da
família sob a alegação de que não seria um confisco permanente, mas apenas até
que uma comissão analisasse os livros contábeis e resgatasse os lucros de
guerra.
Em 1º de janeiro de 1945, um despacho do General Charles de Gaulle decretou a
dissolução da Société Anonyme des Usines Renault e sua nacionalização, dando-lhe
o novo nome Régie Nationale des Usines Renault. A esposa e o filho de Louis não
receberam nada, embora ele nunca tenha sido julgado nem condenado. Diversas
pessoas, assim como documentos, testemunharam a favor dele, mas até hoje ele não
teve sua memória reabilitada. Os familiares perderam ações contra o governo em
1954 e 1961, mas em maio de 2011, graças a uma alteração da legislação, a
família entrou com uma nova ação, dessa vez com bastante esperança na vitória.
Para seus descendentes, mais importante que o dinheiro que podem ganhar seria a
reabilitação da memória de seu antepassado, um dos grandes nomes da história do
automóvel.
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