Pequeno utilitário enfrenta terrenos difíceis e seu tamanho o torna
prático para a cidade, mas donos apontam altos custos e baixa qualidade
Texto: Luiz Fernando Wernz – Fotos: divulgação
Você mora em um grande centro urbano, mas gosta de aproveitar o fim de semana para curtir a natureza, fazendo um passeio pela areia da praia? Ou curte mesmo é sentir o carro deslizando pela lama, bem longe da cidade, só para descarregar a tensão? Felizmente o mercado nacional hoje oferece opções que cabem na vaga do shopping center e na garagem, não limpam sua conta-corrente e ainda podem proporcionar esses momentos de descontração.
O Mitsubishi Pajero TR4 nasceu como Pajero iO (grafado exatamente dessa forma) há 15 anos, em 1999, e foi renomeado em 2003 ao ganhar fabricação brasileira em Catalão, GO. Neste Guia de Compra temos uma atualização, pois um guia anterior foi publicado em 2005 — aqui analisaremos os modelos de 2007 em diante. Algumas evoluções podem ser observadas no período, apesar de o carro ter preservado seus pontos básicos.
Lançado em junho de 2006, o modelo 2007 do pequeno utilitário trazia mudanças visuais que tentavam aproximar o TR4 de seus irmãos maiores (e mais caros) L200 e Pajero Sport. Os faróis retangulares foram trocados por circulares envolvidos por uma máscara plástica, assim como as lanternas traseiras. As máscaras mantinham o formato do conjunto anterior, evitando mudanças nas chapas metálicas da carroceria. Os para-choques foram revistos, assim como a grade e as barras de teto, e os pneus vinham mais apropriados ao uso no asfalto em novas rodas de alumínio de 16 pol. Pneus de uso misto eram opcionais. No interior, a única novidade ficava por conta do tecido dos revestimentos.
Faróis circulares montados em máscaras, que preenchiam o lugar dos anteriores,
e novos para-choques eram algumas das novidades do Pajero TR4 para 2007
O TR4 já vinha com bom pacote de equipamentos de série, com ar-condicionado, direção assistida, controles elétricos de vidros, travas e retrovisores, alarme com travamento das portas por controle remoto, volante e banco do motorista com regulagem de altura, rodas de alumínio, bolsa inflável para o motorista e rádio/toca-CDs com leitor de MP3. Os opcionais eram barras transversais no teto, pneus de uso misto, tanque de combustível com capacidade aumentada de 53 para 86 litros, revestimento interno em couro e câmbio automático, que vinha acompanhado de bolsa inflável para o passageiro da frente e freios com sistema antitravamento (ABS).
O sistema de tração tinha quatro modos de uso:
traseira, 4×4 contínuo, 4×4 com bloqueio
de diferencial central e este último com redução
A mecânica permanecia com motor de 2,0 litros e quatro válvulas por cilindro, com potência de 131 cv e torque de 18 m.kgf, e câmbio manual de cinco marchas ou automático com apenas quatro. Um mês após, em julho, o motor passava a ser flexível em combustível e ganhava 2 cv com álcool. A desenvoltura para enfrentar condições adversas de terreno era um destaque, herança direta da família Pajero.
O sistema de tração tinha quatro modos de operação: 4×2, com tração traseira; 4×4 contínuo, com distribuição de tração nas rodas por demanda e operação de engate a até 100 km/h; 4×4 com bloqueio de diferencial central, com divisão da tração em 50% para cada eixo, também acionável a até 100 km/h; e 4×4 com bloqueio de diferencial central e redução, acionado com o carro parado e no qual não se deve ultrapassar os 50 km/h. Em maio de 2008 era lançada a versão GLS, mais simples, com câmbio manual e sem freios ABS ou bolsa inflável para o passageiro.
O motor de 2,0 litros e 131 cv não mudava, mas um mês depois o TR4 tornava-se
flexível; o sistema de tração tinha quatro modos de uso, incluindo reduzida
Em setembro de 2009 aparecia o Pajero TR4 2010, com a remodelação mais extensa desde o lançamento do Pajero iO. A frente ganhou grade e para-choque mais integrados à linguagem de estilo da marca e novos faróis de duplo refletor. As laterais tiveram os vincos suavizados e receberam saídas de ar nos para-lamas dianteiros, além de vidros laterais traseiros mais arredondados. Na traseira foram refeitos lanternas, tampa do porta-malas e para-choque. Por fim, as rodas cresciam para 17 pol e os pneus tiveram altura reduzida.
A Mitsubishi optou, porém, por manter o interior praticamente igual ao lançado 11 anos antes, modificando apenas detalhes como botões de ventilação, volante e quadro de instrumentos, em um contraste desagradável do exterior mais moderno com o aspecto interno ultrapassado. O sistema de áudio foi aprimorado com entradas USB e para Ipod, além de interface Bluetooth. O pacote de equipamentos de série e opcionais permaneceu, incluindo a privação do ABS e da segunda bolsa inflável nas versões com câmbio manual. Na mecânica, o motor 2,0-litros teve a taxa de compressão aumentada de 9,5:1 para 11:1, melhorando o aproveitamento no uso do álcool e trazendo aumento de potência em 7 cv (4 cv no caso da gasolina).
Por fim, em dezembro de 2011, com foco no público consumidor urbano, era lançada a versão 4×2. Com opção de câmbio manual ou automático, tinha tração apenas nas rodas traseiras. A versão 4×4 passou a contar com uma central multimídia da marca Clarion, que ainda não incluía navegador, embora oferecesse tal possibilidade pela compra de um complemento no mercado de acessórios. Desde então não houve outras novidades no modelo.
Mantido desde o Pajero iO, o interior era um ponto negativo desse Pajero: linhas
antigas, acabamento muito simples e pouco espaço para quem viajava atrás
“É um 4×4 de verdade”
Pelo que se pode constatar pelos relatos do Teste do Leitor, os donos do Pajero TR4 adoram destacar sua aptidão fora de estrada, que transcende os modelos aventureiros apenas na aparência, além de sua praticidade e robustez.
“É um 4×4 de verdade, com quatro opções de tração distintas. Encara qualquer obstáculo. Sabendo dirigir faz em torno de 8 km/l com ar-condicionado ligado, no trânsito de São Paulo, com gasolina. Alto, é muito bom para passar em obstáculos. Buracos e quebra-molas são brincadeirinhas de criança. Dos SUVs pra valer, é o que tem a melhor relação custo-benefício, pelo que oferece em termos de conforto, desempenho e segurança. Pra quem gosta de jipe, de terra, aventura e não tem família grande, é o carro. É muito seguro ao andar em asfalto molhado, com o 4×4 sem bloqueio. Tem muita aderência nesta situação”, elogia Márcio Araújo, de São Paulo, SP, dono de um Pajero TR4 4×4 automático 2012.
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A reestilização de 2010 deixou o TR4 mais atraente e afetava até os painéis
laterais da carroceria; as rodas de 17 pol usavam pneus de perfil mais baixo
Júlio Leroy, de Belo Horizonte, MG, possui um Pajero TR4 4×2 manual 2014 e também tem seus destaques: “Seus pontos positivos são o estilo, robustez, segurança, dirigibilidade e ergonomia. A proposta do carro casou com os meus interesses em ter um veículo seguro, robusto, compacto, de ótima dirigibilidade e preparado para a severidade do campo e área urbana. Excelente!”.
Fábio de Souza Gomes roda por Curitiba, PR, com um Pajero TR4 4×4 manual 2008 e completa o coro dos proprietários muito satisfeitos: “A durabilidade do veículo em geral, o custo-benefício, o desempenho em terrenos off-road e cidade/estrada. Algumas peças têm o preço salgado, porém são mais fáceis de encontrar no mercado paralelo (qualidade original, sem o nome da marca). Apesar de pular um tanto em ruas esburacadas, é muito prazeroso de andar e dirigir. Acompanha muito bem colegas com Troller em passeios e trilhas. Consigo manter médias constantes entre 8,5 e 9 km/l na cidade, andando tranquilamente com gasolina”.
A traseira acompanhava a reforma estética, que mal chegava ao interior; o motor
ganhava 4 cv com gasolina e 7 cv com álcool pela maior taxa de compressão
Os proprietários pouco satisfeitos, por sua vez, têm reclamações das mais diversas quanto ao Pajero TR4. Max Araújo, de Natal, RN, possui um 4×4 automático 2012 e observa: “Qualidade dos materiais plásticos (internos e externos), problemas de infiltração, nível de ruído interno e pouco espaço para os passageiros do banco de trás e no porta-malas. Foi preciso remontar todo o painel, que estava deformado. A suspensão traseira estala em buracos. O desconforto é uma constante. Se para um usuário urbano o carro mais parece colado com fita adesiva, imagino o que deve acontecer na trilha”.
“É muito prazeroso de andar e dirigir e
acompanha muito bem colegas com Troller em
passeios e trilhas”, destaca um proprietário
“É um jipe de verdade e sem frescura. O acabamento é péssimo, de Fiat dos anos 70. Absurdo! Entra (muito) pó e infiltra água, em um carro com 5.000 km! O farol tem infiltração de água. Sempre tive muita atração pelo TR4, mas estou realmente desapontado após a compra de um novo. Absurdo o que te entregam no Brasil”, lamenta Álvaro Danza Vilela, de Poços de Caldas, MG, dono de uma versão 4×4 manual 2012. O já citado Márcio Araújo acrescenta: “Pouco espaço para passageiros traseiros. No álcool bebe demais, no máximo 4,5 km/l na cidade. Na terra entra poeira. Deveria ter um isolamento melhor para um veículo com esta proposta. O acabamento poderia ter um pouco mais de refinamento”.
Entre os aspectos negativos mais destacados estão consumo de combustível, valor do seguro, preço das peças de reposição, falta de filtro no ar-condicionado e estalos e ruídos nas suspensões e acabamentos internos. Há também queixas quanto à confiabilidade, como a de Gelcey Fieno, de São Paulo, SP, dona de um Pajero TR4 4×4 2009.
Volante e quadro de instrumentos atualizados causavam contraste com o
antigo painel; para 2012 a versão 4×4 vinha com central multimídia
“O carro para de funcionar sem nenhum motivo, em qualquer lugar e a qualquer hora. Já me deixou na mão seis vezes em lugares terríveis. Já foi trocada a bomba de combustível duas vezes, todo o chicote elétrico duas vezes e nem a concessionária sabe o que o carro tem. As concessionárias têm atendimento péssimo, várias vezes o carro foi enviado e não dão retorno, dizem que vão oferecer carro reserva, mas depois ninguém atende corretamente. Quando funciona é prazeroso de dirigir, mas devido a tantos problemas eu não quero mais… Quero um carro que seja confiável e esse infelizmente não é”, ela desabafa.
Embora o Guia de Compra tenha analisado poucos modelos do segmento do TR4, seu índice de donos muito satisfeitos no Teste do Leitor não é bom: com 35,3%, fica bem abaixo dos alcançados pelo Ford EcoSport entre 2008 e 2012 (60,2%) e pelo Kia Sportage das duas últimas gerações (50%). A rede de concessionárias Mitsubishi obteve a mesma aprovação de apenas 23,5% dos proprietários, ante 26,4% da Ford e 28,5% da Kia (dados obtidos para cada guia e que podem não refletir a situação atual).
Ao avaliar uma unidade do Pajero TR4, procure por sinais de uso severo nos eixos, dentro dos para-lamas, no tanque de combustível e no protetor de cárter. Teste os engates do sistema 4×4, pois dificuldades podem indicar problemas de lubrificação ou mesmo defeitos mais graves, de reparação cara. Atente também para pontos de vazamento no câmbio e no diferencial.
| Veja opiniões dos donos | Opine sobre seu carro |
Custos de manutenção
Concessionária |
Mercado paralelo |
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| Disco de freio (par, com ABS) | R$ 915 | R$ 360 |
| Pastilhas de freio dianteiras (par, com ABS) | R$ 110 | R$ 85 |
| Amortecedor (jogo de 4) | R$ 975 | R$ 1.180 |
| Pneus Pirelli Scorpion ATR, 225/70 R16 (cada) | R$ 590 | |
| Para-lama dianteiro (cada) | R$ 575 | R$ 380 |
| Para-choque dianteiro (cada) | R$ 820 | R$ 450 |
| Farol (cada) | R$ 1.505 | R$ 330 |
| Mão de obra (hora) | ND | – |
| Preços médios para Pajero TR4 2,0 Flex 16V 4×4 aut. 2008 obtidos pelo Sistema Audatex (concessionária) e lojas de autopeças, em pesquisa em junho de 2014; não envolvem instalação e pintura quando cabível | ||
Cotações de seguro
Custo médio |
Franquia média |
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| Alto risco | R$ 9.780 | R$ 4.200 |
| Médio risco | R$ 3.570 | R$ 3.940 |
| Baixo risco | R$ 1.605 | R$ 3.750 |
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| Alto risco | R$ 14.910 | R$ 4.500 |
| Médio risco | R$ 5.225 | R$ 4.150 |
| Baixo risco | R$ 2.420 | R$ 3.855 |
| Custos médios obtidos em pesquisa da Depto Corretora de Seguros em jun/14; conheça os perfis | ||
Satisfação dos proprietários
Com o carro |
Com as concessionárias |
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| Muito satisfeitos | 35,3% | 23,5% |
| Parcialmente satisfeitos | 41,2% | 35,3% |
| Insatisfeitos | 23,5% | 29,4% |
| Não utilizam | – | 11,8% |
| Estatística obtida no Teste do Leitor com 17 proprietários até jun/14 | ||
Compare as versões
Versão |
Faixa de preço |
Anos-modelo |
| Pajero TR4 2,0/2,0 Flex 16V 4×4 manual | R$ 33.000 a R$ 54.360 | 2007 a 2014 |
| Pajero TR4 2,0/2,0 Flex 16V 4×4 aut. | R$ 35.010 a R$ 69.840 | 2007 a 2014 |
| Pajero TR4 GLS 2,0 Flex 16V 4×4 manual | R$ 35.480 a R$ 54.180 | 2008 a 2012 |
| Pajero TR4 2,0 16V blindado 4×4 manual | R$ 50.520 | 2007 |
| Pajero TR4 2,0 16V blindado 4×4 aut. | R$ 55.345 a R$ 69.370 | 2007 a 2009 |
| Pajero TR4 2,0 Flex 16V 4×2 manual | R$ 53.330 a R$ 60.715 | 2012 a 2014 |
| Pajero TR4 2,0 Flex 16V 4×2 aut. | R$ 56.320 a R$ 64.930 | 2012 a 2014 |
| Preços fornecidos pela FIPE e válidos para jun/14 | ||
Combustível |
Potência |
Torque |
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| gas. | 131 cv | 18 m.kgf |
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| gas. | 131 cv | 18 m.kgf |
| álc. | 133 cv | 19 m.kgf |
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| gas. | 135 cv | 20 m.kgf |
| álc. | 140 cv | 22 m.kgf |
| Desempenho e consumo não disponíveis | ||
