O motor de comando de válvulas único, derivado do quatro-cilindros da marca, tinha cilindrada pouco maior que a versão de rua: 3.003 cm³, o bastante para o colocar na classe de 3,0 litros nas provas. Como o curso dos pistões era fixado pelo regulamento, mas não o diâmetro dos cilindros, passaria a 3.153 cm³ em agosto do ano seguinte. Com injeção Kugelfischer, que a marca só aplicava aos quatro-cilindros de rua como o 2002 tii, entregava potência de 340 cv e torque máximo de 27,7 m.kgf a 4.300 rpm e acelerava de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos. Mas o detalhe mais marcante do CSL foram mesmo os itens aerodinâmicos, introduzidos em julho de 1973.

A versão de rua, necessária para homologação, do 3.0 CSL: acabamento despojado, carroceria mais leve e o motor com injeção de 200 cv

Apesar da explosão de potência, o carro era instável: o piloto Hans Stuck já disse que saía de traseira mesmo nas retas quando ele acelerava a fundo... Então apareceu o "Batmóvel". Sem tempo hábil para um projeto normal de aerodinâmica, a equipe de desenvolvimento recorreu a seqüências de tentativa e erro em túnel de vento, com a meta de gerar sustentação negativa na traseira. O resultado surpreendeu: enquanto o carro original gerava força ascendente (ou seja, que o empurrava para cima) de 60 kg nesse eixo a 200 km/h, o "Batmóvel" conseguia uma força descendente de 30 kg à mesma velocidade. Com ele, Stück baixou em 15 segundos seu tempo de volta no circuito alemão de Nürburgring e a BMW sagrou-se campeã em 1973.

No ano seguinte a Ford fortaleceu-se com o Capri RS 3100, com motor Cosworth V6 de 3,4 litros e 420 cv. A BMW respondeu com um CSL de quatro válvulas por cilindro, bielas de titânio e câmaras de combustão hemisféricas, que atingia 435 cv entre 8.000 e 8.800 rpm e o levava a 270 km/h. O título, porém, ficou nas mãos da Ford. No ano seguinte a BMW recuperava-se e assumia uma hegemonia que duraria de quatro anos, até 1978. Além de Stuck, correram a seu volante nomes como Niki Lauda, Dieter Quester e Ronnie Peterson. O CSL também competiu nos EUA na categoria IMSA, nas mãos de pilotos privados.

A instalação de itens aerodinâmicos, que rendeu o apelido de "Batmóvel", gerou boa estabilidade em alta: o eixo traseiro passava a ser empurrado para baixo pelo ar, em vez de ocorrer sustentação

Em 1976 as restrições do regulamento do Grupo 2 desinteressaram a BMW, mas não a preparadora belga Luigi Racing. Seu CSL de 3,15 litros e 370 cv faturou sete das nove provas. No ano seguinte, um BMW preparado pela Alpina foi o campeão com Gasser Beer. O motor chegou à cilindrada de 3,5 litros, obtida com um diâmetro de cilindros que mal deixava espaço para as galerias de arrefecimento. Versões ainda mais fortes foram construídas, uma delas para o Grupo 5, categoria de regulamento mais permissivo. Com 3,5 litros, 24 válvulas e turbocompressor, chegava a 480 cv a 8.700 rpm e pesava 1.080 kg — relação peso-potência de pouco mais de 2 kg/cv! Continua

Para ler

BMW: M-Series and Performance Specials - Sports Car Color History – por Jonathan Cohen, editora Motorbooks International. Publicado em 1996, traz os modelos de maior desempenho da marca, como M1, M3, M5 e, claro, o 3.0 CSL. Há fotos interessantes e raras do arquivo da BMW. Tem 128 páginas em inglês.

BMW Six Cylinder Coupes & Saloons: Gold Portfolio – por R. M. Clarke, editora Brooklands Books. Essa série de livros pode ser muito útil para quem tem o carro ou quer conhecê-lo melhor, pois abrange testes, especificações e detalhes de publicações da época. Cobre os cupês e também os sedãs da mesma linha. Em inglês, foi publicado em 1999.

BMW Classic Cars of 60s/70s – por Laurence Meredith, editora Crowood Press. O livro de 2000 conta duas décadas de história da empresa bávara, em que foram produzidos modelos memoráveis como os 1500, 2002 e 2002 Turbo e os cupês que mostramos aqui. São 200 páginas (em inglês) e 150 fotos, só que a maioria em preto e branco.

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