Mais que um feroz esportivo, o M3 conquistou adeptos pela facilidade com que se podia explorar seu desempenho, com destaque para o equilíbrio do chassi

Muito suave e apto a alcançar 7.300 rpm, o motor S14 deixava o carro bastante rápido; a suspensão foi toda recalibrada para ganhar firmeza

Nessa geração o M3 não teve opção de quatro portas, mas foi oferecido como conversível, versão que dispensava detalhes como o aerofólio

Era o bastante para acelerar de 0 a 100 km/h em 6,7 segundos e alcançar 235 km/h com seu peso de 1.252 kg: mais rápido que o Mercedes 190 E 2.3-16, seu principal adversário tanto nas ruas quanto nas pistas. E o S14 não era exatamente moderno: suas origens vinham do motor do BMW 1500 dos anos 60, do qual foi derivado até mesmo o propulsor turbo vencedor da temporada de 1983 da Fórmula 1. O desenho do cabeçote era similar ao do seis-em-linha do M1, enquanto pistões, bielas e o trem de válvulas vinham do M 635 CSi.

A caixa manual de cinco marchas adotava o padrão típico de corridas, com a primeira fora do "H" básico, à esquerda — o objetivo é que as quatro marchas mais altas formem o "H" para facilidade de uso nas pistas, onde a primeira se limita às largadas e saídas de boxe.

Muitos se perguntaram, na época, por que o M3 veio com um motor de quatro cilindros e não de seis, configuração que a BMW vinha convencendo o mundo de que fosse a melhor para um funcionamento suave. A explicação oficial era que o virabrequim bem mais curto trazia ao mínimo os esforços de torção e flexão — o "seis" não seria confiável girando a 9.000 rpm, comparava a empresa. Além disso, por se tratar de um motor longitudinal, o bloco mais curto favorecia sua montagem tão recuada quanto possível, para melhor distribuição de massas entre os eixos.

Em termos de chassi, a versão preservava os conceitos de suspensão das demais; contudo, passou por extensa recalibração, com molas, amortecedores e estabilizadores voltados a maior firmeza, novos ângulos de geometria e relação mais baixa (rápida) de direção. As rodas de 15 pol, com cinco elementos de fixação em vez de quatro, usavam pneus 205/55 e a altura de rodagem era 12 mm menor. Freios de maior diâmetro com sistema antitravamento (ABS) de série e diferencial autobloqueante completavam o conjunto.


Empurrão interminável  
Bem-sucedido em competições (leia boxe abaixo), o M3 agradou também nas ruas. A avaliação inicial da Car  britânica descreveu-o: "Ele não parece rápido: parece refinado, especialmente se você está habituado ao jeito de caminhão e ao 'boom' em média rotação de um Cosworth Sierra. Comparado a ele, o M3 é simples, suave e de bons modos. Há respostas impressionantes já a 3.000 rpm. Uma vez que a doce disposição do motor deixa sua impressão, você sente a mesma compulsão dos motoristas de seis-cilindros bávaros: uma necessidade de sentir o desempenho e usar as rotações".

E como ele era, quando assim explorado? Continuava a revista: "Acima de 4.000 rpm o motor canta. Além de 5.000 rpm ele começa uma espécie de uivo educado, e então, pelas últimas 1.500 rpm, o som do motor realmente remete a sua herança das pistas. É a pura qualidade de som dos carros de corrida, entregue sem cansaço para os ouvidos, que começa a tornar esse carro especial. A todo momento a potência é fornecida com um empurrão interminável, até que o limitador de giros corte o entusiasmo a 7.300 rpm. Não há evidência de que a potência decresça antes dessa marca".

O comportamento do M3 também conquistou a revista: "É um carro cujas estabilidade e aderência são muito melhores do que a maioria de nós jamais vai precisar que sejam. É esportivo e firmemente amortecido, mas também silencioso, e a habitual solidez de carroceria bávara está mais presente do que nunca". A conclusão da Car: "O entusiasta que comprar um M3 estará dando a si mesmo o carro de melhor comportamento dinâmico e um dos mais rápidos que a BMW já fez para uso em rua. A maravilha é que ele também é refinado e de bons modos".

Outra britânica, a Autocar, fez o teste completo e destacou que "seu preço pode parecer alto, mas ele é certamente muito carro pelo dinheiro". Dos carros feitos para homologação que a revista havia avaliado, como o 190 E 2.3-16 e o Sierra Cosworth, o M3 era "sem dúvida o de melhor comportamento. Em velocidade, o carro parece bem composto e capaz de lidar mesmo com irregularidades severas sem reclamar. (...) É dócil no trânsito urbano e fácil de manobrar. Quando você chega à estrada aberta e explora sua potência, o chassi administra todas as demandas que o motorista impõe, não importa a superfície da estrada". Continua

Nas pistas
A versão mais apimentada do E30, a M3, conquistou importantes vitórias e campeonatos durante seu ciclo de produção. Nessa configuração o motor S14 desenvolvia 300 cv a 8.000 rpm ou mesmo mais (375 cv no caso da última versão para o Deutsche Tourenwagen Meisterschaft, Campeonato Alemão de Carros de Turismo ou DTM), o que comprovava o potencial da versão de rua caso não houvesse necessidade de atender a quesitos como torque em baixa rotação, emissões poluentes e durabilidade.

O modelo de 1990 para o DTM (fotos) tinha motor de 2,5 litros e velocidade máxima de 280 km/h. As suspensões ganhavam estabilizadores ajustáveis e as rodas de 18 pol recebiam pneus em medida 245/630. Com peso bem menor que o do modelo de rua — 940 kg —, obtido pela eliminação de acabamentos e itens supérfluos, a versão acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de 4,5 segundos. As equipes Bigazzi, Linder, Schnitzer e Zakspeed foram as responsáveis por sua participação no campeonato.

Já em seu ano de estreia nas pistas, 1987, o M3 venceu cinco campeonatos de turismo: o Mundial, com Roberto Ravaglia (Emanuele Pirro foi 4°. colocado, também de M3); o Europeu, com Winfried Vogt; o Australiano, com Jim Richards; o Superturismo italiano, com Michele Di Gioia; e o Alemão (DTM), com Eric van de Poele ao volante.
O êxito continuou em 1988, quando o M3 repetiu o título no Turismo Europeu, com Ravaglia, e conquistou o primeiro no Turismo Britânico, pilotado por Frank Sytner. No ano seguinte voltou a ser campeão no DTM, com Ravaglia, e no Superturismo italiano, pilotado por Johnny Cecotto.

Mais dois títulos no Superturismo da Itália vieram em 1990 e 1991, ambos com Ravaglia no comando. O M3 foi o único modelo tetracampeão nesse certame, disputado de 1987 a 2008 (com interrupção entre 2000 e 2002), e a marca ainda soma mais quatro títulos com os modelos 318i e 320i de gerações posteriores. Ainda em 1991, Will Hoy levou o M3 ao segundo título no Turismo britânico.

Outras provas de relevo vencidas pelo esportivo bávaro foram a Guia Race de Macau, na China, nada menos que cinco vezes (1987, 1988 e de 1991 a 1993); a 24 Horas de Nürburgring, na Alemanha, também por cinco vezes (consecutivas de 1989 a 1992); a 24 Horas de Spa, na Bélgica, com quatro vitórias (1987, 1988, 1990 e 1992); e o Tour de Corse francês, prova do Campeonato Mundial de Rali, vencido em 1987.

Versões inferiores da linha também tiveram boa atuação. Um 325i venceu em 1986 a 24 Horas de Nürburgring, enquanto o bom desempenho do 318i de 16 válvulas foi aproveitado por vários pilotos em ralis e provas de asfalto.

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