Para-lamas abaulados e largos e uma ampla grade oval deram à versão 427 (aqui em versão AC de 2003) o estilo imortalizado do Cobra

Conforto e facilidade de direção não estavam na ordem do dia: o 427 era feito para acelerar com fúria nas mãos de motoristas habilidosos

Ainda mais motor   As vendas iam bem, acima do esperado: na segunda fase 516 unidades ganharam as ruas. Quanto às vendas na Inglaterra, onde levava a sigla AC, eram tímidas. Enquanto isso, para as competições (leia boxe) o Cobra recebia um motor V8 de 427 pol³ (7,0 litros) desenvolvido para os sedãs da Nascar, chassi reforçado, novas suspensões e freios mais potentes. Por causa das bitolas mais largas, a carroceria ganhava corpo: os para-lamas bem mais volumosos assumiam as formas que fizeram o carro famoso e bem diferente do AC original.

O que pegou Shelby de surpresa foi que, diante de tantas alterações, a homologação para correr da versão 289 já não era aceita para o 427. Seria preciso construir 100 unidades do novo Cobra para o enquadrar na classe GT, mas quando o inspetor da Federação Internacional do Automóvel (FIA) apareceu havia apenas 51 concluídas. Como não interessava à Ford colocá-los na categoria Protótipo — já havia o GT40 para esse fim —, Carroll se viu com dezenas de carros sem destino. Mas logo encontrou um: colocá-los no mercado.

Em abril de 1965 a serpente do asfalto ficava mais venenosa: estava à disposição dos clientes o Shelby Cobra 427 S/C (Semi-Competition), com propulsor de 7,0 litros e dois carburadores Holley — mais tarde um só de corpo quádruplo. A potência saltava para 425 cv e o torque para 66,4 m.kgf. Era uma brutalidade sobre quatro rodas com arrancada fulminante. Chegava aos 100 km/h em 4,8 segundos, fazia o quarto de milha (0 a 400 metros) em 12,4 s e sua velocidade final era de 265 km/h. O engenheiro-piloto Miles tornou famoso o teste 0-100-0, em que acelerava até 100 milhas por hora (161 km/h) e voltava à imobilidade, feito em 13,8 s.

Foram produzidos 287 carros nesta configuração para clientes afortunados, que em princípio não os destinavam a competições. Cada um custou na época US$ 9.500, o preço de quatro Mustangs ou dois Lincolns, modelo de luxo do grupo Ford. A caixa automática também estava à disposição para os EUA e os 27 últimos carros tinham molas helicoidais nas quatro rodas, o que os tornava mais confortáveis. Havia engordado um pouco mais, chegando a 1.070 kg, o que não tirava o fôlego desse superesportivo.

Em março de 1967 o último 427 era produzido, despedida feita à altura com um Cobra especial: o 427 Super Snake. O motor de 7,0 litros tinha dois compressores Paxton e 772 cv. Para braços competentes, teve só duas unidades construídas. A que ficou com Shelby, com caixa automática, foi a única remanescente e apurou US$ 5,5 milhões em um leilão em 2007. Continua

De naja para víbora
Carroll Shelby firmou em 1982 um contrato com a Chrysler para desenvolver esportivos da linha Dodge. Depois de variações de carros compactos de tração dianteira, como o Shelby Charger, ele passou em 1987 a trabalhar em um carro esporte tão visceral quanto o Cobra, que apareceria no Salão de Detroit de 1989 como um modelo conceitual: o Dodge Viper (foto). O nome significa víbora em inglês, ou seja, até nisso ele mantinha o parentesco com a naja dos anos 60.

A versão final para produção, revelada dois anos depois, demonstrava sua inspiração no Cobra tanto pelas linhas intimidadoras quanto pelo caráter arisco, sem concessões ao conforto e à facilidade de uso. Em maio de 1991 Carroll dirigia o Viper como carro-madrinha da 500 Milhas de Indianápolis. Em dezembro de 1992, no Salão de Los Angeles, a versão cupê Viper GTS era apresentada — mais uma vez por Shelby — também em fase conceitual, para se tornar realidade apenas em 1996.
Um novo Cobra?
Décadas depois do Cobra, Carroll Shelby e a Ford reaproximaram-se no começo dos anos 2000. O texano participou do desenvolvimento do supercarro GT e esteve presente ao lançamento do carro, em junho de 2003, por ocasião da comemoração do primeiro centenário da marca. Dois meses depois era anunciado que a Ford lançaria versões esportivas com o nome Shelby.

Um ano depois, em agosto de 2004, Carroll revelava um novo Shelby Cobra: o carro-conceito da foto, com linhas inspiradas no clássico e chassi derivado do que equipava o GT. Também o motor veio deste modelo: um V10 de alumínio de 390 pol3 (6,4 litros), potência de 605 cv e torque de 69,3 m.kgf transmitidos a largos pneus traseiros 345/35 R 19. Compacto como um Mazda Miata e com menos de 1.400 kg, o carro não tinha teto ou janelas, como o próprio Carroll desejava. Mais tarde a Ford revelou o GR1, um cupê baseado no Cobra Daytona dos anos 60. Nenhum deles, porém, foi colocado em produção.
Nas telas
Refilmagens no mundo do cinema têm sido comuns,  mas antigamente eram raras. Os Assassinos (The Killers) foi um filme de 1946 que, 18 anos depois, teve uma bela refilmagem com um elenco estelar com Lee Marvin, Angie Dickinson, John Cassavetes e o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan. Baseado numa obra de Ernest Hemingway, o filme conta a história de um bando de assassinos cruéis que se envolvem em situações terríveis. Conta com muita corrupção, dramas e até política. Parte do palco do filme são os circuitos da Califórnia do início dos anos 60, onde um Cobra preto é muito usado fora da pista e outro amarelo dentro dela.

Red Line - Velocidade sem Limites (2007) mostra os mais belos carros da atualidade como alguns ícones do passado. O elenco é desconhecido do grande público, mas o enredo mistura poder, sedução e muita ambição. A belíssima Nadia Bjorlin faz Natasha, cantora de um grupo musical em ascensão que gosta bastante de carros. Um belo Shelby Cobra azul com faixas brancas é uma das várias estrelas sobre rodas.

Outro com muitos carros e adolescentes é Speedkings - Pura Adrenalina (Abgefahren, 2004), filme alemão. Mia é uma jovem que gosta muito de corridas e carros, mas seu obstáculo maior é Cosmo, que tem os mesmos gostos e dirige muito bem. Um Cobra azul é presença constante.

Uma série de TV que nem era desenho animado nem tinha atores humanos, mas mesmo assim encantou adultos e crianças, era Thunderbirds, de 1965 e 1966. As vedetes eram os aviões espetaculares, mas os carros miniaturizados eram também atração. Esteve por lá várias vezes um Cobra 289.
Os Assassinos
Speedkings - Pura Adrenalina Red Line


Hellphone
é uma comédia franco-belga de 2007 que traz também vários atores locais. Um rapaz compra um celular que está “endiabrado”. Algumas vezes faz ótimas ações, em outras não. Um belo Cobra dourado com faixas vermelhas faz parte da trama.

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