|


A réplica do Stutz Bearcat (em
cima)
elaborada para a série
Bearcats,
nos anos 70, e o Bed Buggy ou carro-cama, um dos vários carros-show


O Fire Bug era uma Kombi
transformada em carro de bombeiros; para o filme
Supervan,
Barris fez esse curioso furgão com enormes vidros

O Any Car trazia sob o capô um
minicarro para uso em emergências


O Munsters Koach, uma estranha
limusine para a
Família Monstro,
e o Kargoyle (embaixo), Cadillac
funerário com teto inclinado e compressor |
Houve ainda um
Oldsmobile Toronado roadster para Mannix, de 1967; um picape
e um hot rod Oldsmobile 1921 para A Família Buscapé (cuja
refilmagem de 1993 também teve carros Barris); um
AMX para o seriado Banacek e um
Porter 1928 — modelo de carro inventado — para a comédia My Mother
the Car. Ainda na década de 1960 houve o Cosma Ray
— um Chevrolet Corvette 1968
muito modificado — e o XR-6, hot rod com linhas mais modernas.
Também neste período, Barris começava a se envolver com os chamados
carros-show. Esses tinham carrocerias bizarras, geralmente temáticas, e
muitas vezes eram um modelo em tamanho real no qual se instalava um
motor. Sua finalidade era atrair público para salões de carros ou
eventos de empresas que os alugavam para expô-los. Muitas vezes,
diversos construtores participavam de um mesmo projeto, cada um em sua
especialidade, de modo que vários carros tiveram a autoria atribuída a
mais de um personalizador.
Entre os mais hilariantes carros-show dos quais Barris tenha participado
da criação estavam o carro-mesa de bilhar, o caminhão de sorvete hot rod,
o carro-banheiro — que tinha um lavatório em frente ao radiador e uma
banheira para o passageiro —, o carro-cama e um caminhão guincho de desenho futurista
com um enorme V8 com compressor, montado
entre eixos. Para a Mostra Mundial de 1967, em Montreal, Canadá, Barris
desenhou o 67-X, enorme cupê com base no Oldsmobile Toronado, mesmo
modelo usado para a construção da limusine De Elegance de 1972. Para
Osaka, em 1970, construiu um Riquixá com motor V8.
Na década de 1970 as criações para filmes e seriados continuaram, tendo
surgido réplicas do Stutz Bearcat para a série Bearcats de 1971,
um sinistro e irreconhecível
Lincoln Continental
Mark III para O Carro - A Máquina do Diabo e o futurista
furgão Supervan, criado para um filme de mesmo nome, ambos de 1977.
Barris, de tão envolvido com a indústria cinematográfica, chegara a
produzir um filme em 1979 — Mag Wheels —, claro que com carros
criados por ele. Nem James Bond deixou de andar em suas criações: em um
de seus filmes usou um carro lunar de Barris.
Também prosseguia a criação de carros show, tal como o Fire Bug, uma VW
Kombi transformada em carro de bombeiros, com pneus extralargos.
Projetos de Barris eram apresentados em comerciais e promoções
corporativas, incluindo um carro em forma de guitarra, com um sistema
completo de som para os amplificadores Vox, e dois roadsters em forma de
lata de bebida, um para a cerveja Storh's e outro para a marca de sucos
V8 — movido, é natural, por um V8 de Mustang. Outros carros promocionais
incluíam um hot rod cujas laterais tinham formas de pranchas de surfe —
sob encomenda do proprietário da revista International Surfing —
e um carro em forma de diligência para a banda Paul Revere and the
Raiders, movido por dois motores Pontiac V8 paralelos.
Mas o mais surpreendente carro publicitário de Barris talvez tenha sido
o Any Car, para uma seguradora. Composto por partes de 40
carros diferentes, sob o capô existia um microcarro reserva para
situações de emergência. Para os modelos criados para estrelas de
Hollywood e outros clientes ricos e famosos, Barris fazia de nova pintura até mudanças completas.
Exemplos incluíam uma limusine Cadillac para Elvis Presley, um Cadillac
transformado em perua para Dean Martin, um par de diferentes Mustangs
1966 conversíveis para o então casal Sonny e Cher, um Rolls-Royce para
Zsa Zsa Gabor e um Corvette todo alterado, o Barrister, para a
atriz Bo Derek.
Seus carros de uso pessoal também eram bastante modificados, entre os
quais um Ferrari 308 com painel
eletrônico, pintura dourada e bancos coloridos. Mas nem só os
endinheirados tiveram a oportunidade de comprar um carro de Barris. De
1969 a 1971 foram produzidos os bugues Barris T, em versões aberta e com
capota no estilo de perua de entregas. Para diferenciá-los dos demais
bugues, tinham a frente com aparência de calhambeque.
Nas décadas seguintes, Barris continuava a produzir carros para o cinema
e TV. Para a terceira temporada de Supermáquina ele fez
alterações no Pontiac Firebird
conhecido como K.I.T.T.
Para o filme Parque dos Dinossauros, de 1993, foram feitos
Fords Explorer que
andavam sozinhos — na verdade um truque, pois os carros eram dirigidos a
partir do porta-malas, para onde foram transferidos os comandos e
instalado um monitor para a câmera de vídeo à frente. Para comemorar a virada do milênio, Barris
preparou um Studebaker dos anos 50, o Millenium 2000,
em parceria com Jerry Kind — que participou também do Chrysler City Coupe, com motor de Corvette em uma carroceria
de 1941 toda modificada.
Pouco depois apresentou o Kargoyle, um Cadillac funerário com um enorme
motor ajudado por um compressor e teto inclinado, rebaixado na frente.
Um outro Cadillac funerário, dessa vez de 1954, foi desenhado para
episódios da série de televisão Monster Garage exibidos em 2003.
Entre os mais recentes projetos de Barris estão uma personalização do
Toyota Prius, um Mustang picape, um Pontiac GTO australiano transformado
em roadster, um carro tipo phaeton dos anos 30 chamado Shark Attack, um
Smart transformado em carro do Batman e uma edição especial do Camaro
chamada Spirit.
Barris continuou a trabalhar com mais de 80 anos, com o auxílio de seu filho Brett e sua filha
Joji — Shirley faleceu em 2001. A empresa continua com criações de
automóveis, eventos de caridade e até mesmo uma linha de roupas Barris.
Ele faleceu em 5 de novembro de 2015, aos 89 anos. Seu filho Brett segue os caminhos do pai, tendo criado uma
reinterpretação do dragster da Família Monstro chamado Rat-U-La e
uma versão especial do Dodge Magnum.
|