Na série 2600 havia discretas alterações visuais, mas o motor de seis cilindros com até 145 cv deixava os três modelos muito mais rápidos

No interior do 2600 Spider, volante de madeira e painel mais esportivo

De cima para baixo, o cupê 2000 de Vignale, o sedã com jeito de Sprint da OSI e o Sprint SZ de Zagato, com linhas ousadas, mas discutíveis

A linha 2000 não estaria completa, porém, sem um cupê de quatro lugares e linhas esportivas. O Sprint, lançado em 1960, combinava a plataforma do Spider (com entre-eixos intermediário entre o seu e o do sedã, 2,58 m, para um comprimento de 4,55 m) a uma charmosa carroceria desenhada pelo estreante Giorgetto Giugiaro, recém-contratado pelo estúdio Bertone, empresa que construía as carrocerias. O estilo típico da década que estava para começar mostrava um capô plano, quatro faróis circulares — os primeiros em um Alfa Romeo — incrustados na ampla grade, ampla área envidraçada e superfícies lisas. Sua pureza de linhas o conserva atraente ainda hoje. O motor de 115 cv, o mesmo do Spider, fazia bom trabalho de seus 1.200 kg. No interior havia conveniências como controle elétrico dos vidros e bancos dianteiros reclináveis.

O objetivo da Alfa com esses modelos no mercado italiano pode ser mensurado por seu preço. Em 1961, o sedã e o Spider eram vendidos a 2,4 milhões de liras (2,5 para o conversível de 2+2 lugares) e o Sprint a 2,9 milhões. O mais caro Fiat, o 2300 Coupé, saía por 2,5 milhões e um sofisticado Lancia Flaminia sedã com motor de 2,5 litros chegava a 2,94 milhões de liras. Vale notar que nesse período as três marcas eram competidoras e não complementares: a Lancia seria absorvida pelo grupo Fiat em 1969, e a Alfa, apenas em 1986.

Depois de cinco anos e quase 7.000 unidades (a maior parte, curiosamente, foi do conversível), a Alfa revelava no Salão de Genebra em março de 1962 a série 2600, que substituía a 2000 com evoluções técnicas e de estilo. O sedã mudava pouco: recebia mais dois faróis circulares menores, em posição interna e mais baixa que a dos principais; adotava uma grade-escudo mais baixa e tinha reduzidos os "rabos de peixe" da traseira, em consonância com a tendência norte-americana de estilos menos rebuscados. No Sprint havia uma tomada de ar sobre o capô, enquanto o Spider também ganhava faróis adicionais abaixo dos principais.

O mais importante estava atrás do escudo frontal dos Alfas: em vez do motor de quatro cilindros e 1.975 cm³ vinha um de seis cilindros em linha e 2.584 cm³, também com duplo comando, que obtinha 130 cv/19,2 m.kgf no sedã e 145 cv/21,6 m.kgf nos modelos esportivos — que usavam taxa mais alta e três carburadores Solex 44 no lugar dos dois Solex 32 da outra versão. A unidade era baseada na do Giulietta, com bloco de alumínio, mas tinha mais dois cilindros com diâmetro e curso reduzidos. Embora o motor mais pesado influísse no resultado da balança (1.380 kg no sedã, 1.220 no Spider e 1.280 no Sprint), o desempenho estava bem melhor: o conversível, por exemplo, acelerava de 0 a 100 km/h em 11,1 segundos, contra 14,2 s de antes, e sua velocidade máxima subia de 178 para 200 km/h.

A aptidão do motor 2,6 para altas velocidades fez do sedã uma escolha adequada como carro de patrulha da Carabinieri, a polícia italiana, como se vê em diversos filmes de sua época. A Alfa gostava de destacar a elasticidade do motor, capaz de efetuar a longa retomada de 40 a 160 km/h, em quinta marcha, em 43,5 segundos no sedã. No caso do cupê, menos de um minuto era necessário para passar de 40 a 200 km/h na mesma marcha. Freios dianteiros a disco eram adotados em todos os modelos, que mantinham as disposições da alavanca de câmbio da linha 2000 — até 1965, quando o sedã passou a ter o comando no assoalho. Entretanto, havia críticas ao comportamento dinâmico, pois as suspensões tinham projetos já superados (mais tarde a Alfa adotaria o eixo traseiro De Dion em novos modelos) e a distribuição de peso entre os eixos fora prejudicada pelo motor maior.

A exemplo da série 1900, os Alfas 2000 e 2600 serviram a interessantes propostas de encarroçadores. Sobre o sedã 2000 a Vignale fez um cupê de formas retilíneas e tradicionais, mas equilibradas, entre 1958 e 1961. As últimas séries usaram quatro faróis. A proposta da Touring, denominada Praho, já não agradava tanto: o sedã ganhou quatro faróis em linha horizontal que não combinavam muito com o desenho sóbrio. Outra empresa, a Farina — que só mais tarde assumiria o nome Pininfarina —, fez um cupê de perfil baixo e esportivo com ampla grade horizontal de estilo norte-americano, sem o escudo da Alfa, e mantendo discretos "rabos de peixe" na traseira.

Nas versões de 2,6 litros Zagato fez seu Sprint SZ, com uma carroceria cupê fastback de 2+2 lugares e linhas arredondadas, mas não muito harmoniosas. Os faróis retangulares e a enorme grade-escudo, que chegava a interromper o para-choque, destoavam um pouco do conjunto. Com 165 cv no motor (o bastante para chegar a 215 km/h), pneus mais largos e freios a disco nas quatro rodas, foram feitas 105 unidades entre 1965 e 1967. Outra opção foi o 2600 De Luxe elaborado pela OSI (Officine Stampaggi Industriale), um sedã de quatro portas com estilo semelhante ao do cupê Sprint, mas mantendo as dimensões do sedã original, e apenas dois faróis. Teve 54 exemplares construídos em 1965 e 1966.

Depois de 11.300 unidades da gama 2600, a Alfa Romeo encerrou sua produção em 1969. Ambas as séries tiveram sucesso apenas relativo, em parte pelo alto preço, em parte pela desatualização do projeto: se o 2000 era basicamente o 1900 com nova carroceria, mesmo com o motor mais vigoroso o 2600 ainda não convencia em um mercado de clientes exigentes, que podiam escolher entre os melhores automóveis de luxo. O sedã chegou a ser montado na África do Sul, entre 1963 e 1968.

Depois dele a marca passou longo tempo sem um sedã de seu porte: só 10 anos mais tarde, com o Alfa 6, voltaria a esse segmento de prestígio — dessa vez com os seis cilindros dispostos em "V", o que deixou o 2600 como seu último modelo com o clássico seis-em-linha.

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