Omega, última letra que foi definitiva em desempenho

Em vez de seis cilindros em linha, os motores superiores eram V6 de 2,5 e 3,0 litros com até 211 cv; a perua Caravan mantinha o perfil vertical da traseira

 

Na avaliação da italiana Quattroruote, a versão CD de 2,0 litros era “cômoda, bem construída e equipada, com tudo de um topo de linha. Não é à toa que será vendido no mercado norte-americano com a prestigiosa marca Cadillac [leia quadro na página anterior]. Não tem a aceleração de um esportivo, mas é suficientemente brilhante. Estabilidade segura em qualquer condição, freios bastante potentes”. Conforto, consumo, espaço e equipamentos foram elogiados; a visibilidade traseira, criticada.

Volante ajustável em altura com comandos de áudio, toca-CDs, navegador por GPS e bolsas infláveis laterais dianteiras eram novidades do Omega para 1997. No ano-modelo seguinte eram acrescentados um turbodiesel de quatro cilindros e 2,0 litros (100 cv e 20,9 m.kgf), faróis de xenônio e o sistema de assistência On Star da GM. Entre as medidas para reduzir os níveis de ruído e vibrações dos motores, o de 2,0 litros a gasolina recebia árvores de balanceamento.

A espanhola Autopista comparou em 1998 o Omega MV6 2,5 ao Citroën XM V6: “Autenticamente honesto o motor do Omega, com curva de torque muito progressiva. A tração traseira personaliza seu comportamento. O Opel é mais rápido, mas devemos tomar certa confiança pela tendência sobresterçante no limite de aderência”.

 

O modelo 2000 ganhava mudanças na frente, traseira e painel, além de motor 2,2-litros

 

Depois da série limitada Edition 100, que comemorava o centenário da produção de automóveis pela Opel, em agosto de 1999 o Omega recebia frente e traseira remodeladas, novo painel e ar-condicionado automático de duas zonas. O motor de 2,2 litros (144 cv e 20,9 m.kgf) substituía o 2,0 e surgia a versão Executive com bancos de couro com ajuste elétrico e telefone móvel. No ano seguinte o V6 a gasolina de 2,6 litros (180 cv e 24,5 m.kgf) substituía o 2,5 e o turbodiesel básico passava a 2,2 litros (120 cv e 28,5 m.kgf).

 

Com motor de 5,7 litros e 310 cv do Corvette, o Omega V8 prometia desempenho de respeito diante da trinca alemã de prestígio, mas o projeto nunca chegou ao mercado

 

No teste da alemã Auto Bild, o Omega Sport V6 3,0 foi elogiado por “motor e transmissão de alto nível, um seis-cilindros de alto torque, desempenho quase esportivo e um som realmente encorpado acima de 4.500 rpm. Um carro ideal para longos trajetos. A suspensão esportiva, apesar de 15 mm mais baixa e mais firme, oferece conforto apreciável. Nesta classe, ele encontra poucos competidores sérios que ofereçam tanto por 64.310 marcos. Ele não deixa nada a desejar a BMW, Mercedes ou Audi. Por que este Opel tem pouco sucesso, não é tecnicamente explicável: deve ser algo em relação a imagem e prestígio”.

 

O V8 que não vingou

Sem um modelo de oito cilindros desde o fim do Diplomat, em 1977, a Opel estudava o retorno pela aplicação de um V8 norte-americano ao Omega. O projeto envolvia quatro empresas em três continentes: a GM nos EUA para o motor e a transmissão, a Holden na Austrália para o eixo traseiro, a Opel para gerenciar o projeto e a Magna Steyr na Áustria para o desenvolvimento.

 

Com motor V8 de 5,7 litros e 310 cv o Omega alcançaria 250 km/h, mas os estudos de sedã e perua repletos de conveniências não chegaram à produção

 

O Omega V8 chegou a ser apresentado em 2000 com a intenção de lançamento. Dentro do princípio de transeixo — motor dianteiro, caixa traseira —, o motor de 5,7 litros com 310 cv e 45,9 m.kgf do Corvette foi associado a uma transmissão automática de quatro marchas. Com rodas de 17 pol e pneus 235/45, a Opel anunciava máxima de 250 km/h e 0-100 em 6,9 segundos, marcas de respeito diante da trinca alemã de prestígio. Mas o projeto nunca chegou ao mercado, o que é em geral atribuído aos custos de superar limitações da transmissão e à baixa demanda prevista.

 

 

Sem o V8, tudo o que a Opel pôde oferecer na fase final do Omega foi o V6 ampliado para 3,2 litros (221 cv e 29,6 m.kgf), disponível apenas com caixa automática, de fevereiro de 2001 em diante e que o levava a 240 km/h. O motor BMW 2,5 turbodiesel ganhava potência (150 cv e 30,6 m.kgf) para 2002, quando o carro recebia opções de controle eletrônico de estabilidade e toca-DVDs.

O último Omega deixava a linha de produção em junho de 2003. Dali em diante, sem um sedã de tração traseira, a Opel tentaria suprir sua lacuna com o Signum (um grande hatch derivado do terceiro Vectra) e mais tarde com o sedã Insignia. Nenhum deles adotou a clássica tração traseira, nem dimensões que acompanhassem a categoria na qual o Omega se posicionava. Desse ponto de vista, assim como do desempenho da versão Lotus, a última letra do alfabeto grego foi mesmo definitiva para a tradicional marca de Rüsselsheim.

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Ficha técnica

Omega 3,0 24V (1990) Lotus Omega (1990) Omega 3,2 (2000)
Motor
Posição e cilindros longitudinal, 6 em linha longitudinal, 6 em V
Comando e válv./cilindro duplo no cabeçote, 4
Diâmetro e curso 95 x 69,8 mm 95 x 85 mm 87,5 x 88 mm
Cilindrada 2.969 cm³ 3.615 cm³ 3.175 cm³
Taxa de compressão 10:1 8,2:1 10:1
Potência máxima 204 cv a 6.000 rpm 377 cv a 5.200 rpm 221 cv a 6.000 rpm
Torque máximo 27,5 m.kgf a 3.000 rpm 58 m.kgf a 4.200 rpm 29,6 m.kgf a 3.400 rpm
Alimentação injeção multiponto injeção mult., 2 turbos, resfr. de ar injeção multiponto
Transmissão
Tipo de caixa e marchas manual, 5 ou automática, 4 manual, 6 automática, 4
Tração traseira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco a disco ventilado a disco
Antitravamento (ABS) sim
Suspensão
Dianteira independente, McPherson
Traseira independente, braço semiarrastado ind., multibraço
Rodas
Pneus dianteiros 205/65 R 15 235/45 R 17 225/55 R 16
Pneus traseiros 205/65 R 15 265/40 R 17 225/55 R 16
Dimensões
Comprimento 4,69 m 4,90 m
Entre-eixos 2,73 m 2,73 m
Peso 1.433 kg 1.700 kg 1.710 kg
Desempenho
Velocidade máxima 242 km/h 282 km/h 240 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 7,6 s 5,4 s 9,0 s
Dados do fabricante; ND = não disponível

 

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