
Quase igual na aparência, o Audi
50 precedeu o Polo em um ano, mas oferecia melhor acabamento e motor
superior por preço também maior



A primeira geração do modelo da
Volkswagen: concepção moderna, 3,65 metros, motor transversal de apenas
900 cm3 e tração dianteira |
Na
década de 1970 a Volkswagen alemã resolveu que era hora de mudar seus
conceitos. Até então seus carros seguiam o esquema de motor traseiro e
arrefecimento a ar, uma receita que fez tanto sucesso com o lendário
Fusca que ficava difícil buscar a modernidade
nos projetos seguintes. Mas ela veio com o
Passat, em 1973, o primeiro
modelo desenvolvido e lançado pela VW com motor dianteiro e arrefecido a
água — antes dele existiu o K 70, um
projeto herdado da NSU que não teve sucesso. Logo em seguida apareceu o
Golf, com a mesma proposta
mecânica e um dos carros mais vendidos de todos os tempos.
Nesse contexto, a marca do "carro do povo" percebeu a necessidade de um
veículo menor, mais simples e barato — um carro de entrada. Estava
lançada a pedra fundamental do Polo. Apresentado em Hanover em março de
1975, apenas um ano depois do Golf, o modelo mantinha a ideia de batismo
com um nome relacionado ao esporte. No jogo de Polo, quatro jogadores
por equipe montados em cavalos golpeiam uma bola com um taco, tentando
marcar gols no arco da equipe adversária. A tacada de mestre trouxe
familiaridade à linha, pela semelhança com o Golf, e agregou um valor
despojado ao modelo. E a ideia era essa mesma. Como acontecera dois anos
antes com o Passat, que era praticamente uma versão de dois volumes do
Audi 80 de 1972, o Polo era
baseado no primo mais rico Audi 50 — na verdade tinha carroceria
idêntica, mas era mais simples no acabamento e oferecia a opção de
motores de menor desempenho. Cumpria bem seu papel como carro para
começar a vida sobre rodas.
Em termos estéticos, o Polo trazia grande semelhança com os irmãos Golf
e Passat. A parte dianteira era muito parecida com a deste último, mas
com balanço mínimo, permitido pelo uso
de motor transversal como no Golf (no Passat era longitudinal). Um farol
circular de cada lado era aplicado sobre a grade simples de frisos
horizontais. As linhas retas tinham na lateral apenas um vinco e a
traseira, inclinada, contava também com balanço reduzido e lanternas
retangulares e discretas. Por dentro, o ambiente espartano estava em
consonância com os VW mais simples da época, incluindo os brasileiros. O
volante tinha aro fino e grande diâmetro, típico alemão, e o painel
mostrava linhas retas com os instrumentos essenciais.
Em um carro diminuto e de entrada, e em meio à primeira crise do
petróleo, o motor só poderia ser modesto. Com apenas 900 cm³ de
cilindrada, a pequena unidade de quatro cilindros fornecia potência de
40 cv e torque de 5,8 m.kgf, o que resultava em agilidade mediana e
exigia paciência ao encarar uma rodovia. Mas isso não impedia o pequeno
Polo de usufruir uma suspensão moderna, com conceito McPherson e
raio de rolagem negativo à frente, eixo
traseiro de torção e molas helicoidais — mais uma vez, seguindo o
caminho de Passat e Golf. Frugal no consumo e seguro, menor e mais
espaçoso que o Fusca, o novo carro logo mostrou a que veio.
Pesava apenas 700 kg e media 3,65 metros de comprimento, 1,58 m de
largura, 1,35 m de altura e entre-eixos de 2,33 m. Havia duas versões de
acabamento, a Normal e a L. Na primeira até o servo-freio era suprimido
e o controle de nível de combustível se resumia a uma luz-piloto. Mas
custava e consumia pouco, e isso era tudo em sua categoria, que passava
pelos compatriotas alemães Ford
Escort e Opel Kadett; os
italianos Autobianchi A112 e
Fiat 127; os franceses
Renault 5,
Simca 1000, Peugeot 104 e
Citroën 2CV e o inglês
Mini.
Continua
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