Um V6 com compressor e 333 cv, um câmbio de sete marchas, quatro rodas motrizes:
ingredientes exatos para o S5 Cabriolet divertir pela aceleração e o comportamento
A versão traz câmbio manual automatizado S-Tronic de dupla embreagem e sete marchas, o único oferecido (até mesmo na Europa, que até a linha 2011 contava com um manual de seis marchas), e tração integral permanente Quattro, que mantém distribuição de torque em 40% à frente e 60% à traseira em condições normais de aderência, com rápida mudança desses índices conforme a necessidade. Vêm ainda no S5 uma suspensão mais firme que a do A5 e rodas de 18 pol com pneus 245/40. Os grandes freios a disco são ventilados mesmo nas rodas traseiras.
Como todos esses ingredientes se somam no cardápio do S5? É o que fomos conferir em bons quilômetros de cidade, estrada e serra.
É irresistível manter o V6 acima de 4.000 rpm para ouvir o ronco vigoroso, rasgado, do escapamento quando se abrem as válvulas que diferenciam o modo Dynamic do Comfort
Acompanhando o tráfego, o V6 impressiona pela suavidade, sem qualquer indício de aspereza ou vibração. Há potência abundante em qualquer rotação de uma maneira linear, sem sobressaltos, e a caixa S-Tronic em modo automático opera com exatidão, fazendo suas mudanças de forma muito rápida e imperceptível. Dentro do padrão europeu atual, que prioriza a menor emissão de CO2, as marchas sobem logo e o motor se mantém em regimes moderados, como 1.500 a 2.000 rpm, se o pé direito não exigir mais prontidão.
O motor impressiona pela distribuição de torque e cativa pelo ronco em alta rotação;
a caixa de dupla embreagem e o acerto de suspensão merecem aplausos
Com o modo Comfort selecionado no Drive Select, o S5 faz as vezes de carro de luxo, sem maior pretensão de esportividade, seja pelo rodar macio e confortável — mal se notam os pneus de perfil baixo, série 40 —, seja pelo ruído contido do motor, seja pela direção bastante leve. Impressiona a rigidez estrutural, mesmo de capota baixa: ao transpor a 45 graus uma valeta muito pronunciada, na qual os pneus dianteiro direito e traseiro esquerdo mal faziam pressão no solo, abrir e fechar ambas as portas trouxe a certeza de que a carroceria não havia se flexionado, apesar da solicitação extrema.
O programa de uso mais pacato parece ideal também para passeios a céu aberto, que pressupõem descontração, baixa pressão arterial, nenhuma adrenalina. No entanto, para rodar dessa forma o comprador poderia levar o A5 Cabriolet e economizar uns bons tostões… O que destaca o S5 é a aptidão para ser dirigido de forma vigorosa, com a faca entre os dentes — e foi assim que o experimentamos em um percurso sinuoso, travado, exigente.
Acionado o modo Dynamic, o belo Audi muda de face. A direção (que ganhou assistência elétrica junto das recentes alterações visuais) torna-se firme e passa a exigir algum esforço a partir de média velocidade, mas melhora a percepção do solo que passa sob os pneus. Ainda em modo automático, o câmbio fica bem diferente: agora deixa o carro “nervoso”, desprezando regimes abaixo de 2.000 rpm mesmo com acelerador pouco pressionado, e o som de escapamento se torna mais encorpado. Ao aliviar o pé direito, as frequentes reduções automáticas de marcha são precedidas de agradável aceleração interina, que soa como música para ouvidos entusiastas.
Com motor, câmbio, direção e escapamento ajustados pelo modo Dynamic, a
brincadeira fica séria; até as reduções automáticas têm aceleração interina
Ouvidos que não perdem por esperar. Quando chegam as curvas da serrinha, o S5 revela sua faceta esportiva e começa a divertir, mas é preciso um pouco de jeito para aproveitar seu potencial em trajetos de curvas fechadas: com peso concentrado à frente, o subesterço vem logo e a brincadeira pode ficar sem graça. O truque é reduzir mais a velocidade antes e acelerar com suavidade na saída de curva, para que a tração integral aplique potência às quatro rodas e o Audi saia rápido, na trajetória certa. Embora o controle eletrônico de estabilidade ofereça o modo Sport, mais permissivo, consegue-se diversão em boas doses mesmo em seu programa normal de funcionamento, que não interfere em excesso.
É hora de usar o S-Tronic em modo manual, operado pelos comandos no volante (ou pela alavanca no console, subindo para frente e reduzindo para trás), e o resultado é puro prazer. Mesmo que não seja preciso dar rotação para o V6 fornecer potência abundante, é irresistível mantê-lo acima de 4.000 rpm para ouvir o ronco vigoroso, rasgado, do escapamento quando se abrem as válvulas que diferenciam o modo Dynamic do Comfort. Após algumas curvas, S5 e motorista parecem tão íntimos como se já conhecidos há anos. Terminada a serra, a única vontade é fazer meia volta e repetir a sessão. E de novo, e de novo…
O mais atraente do S5 Cabriolet não está em quanto ele anda, quão belo ele é ou
quanta comodidade oferece, mas na forma como ele associa essas qualidades
Tanto quanto o desempenho e a descontração de rodar a céu aberto, porém, o S5 cativa pela eficiência com que atua em qualquer situação. É esportivo, mas tem rodar confortável, interior que não sacrifica os ocupantes e elevada dotação de segurança ativa e passiva. É conversível, mas com capota fechada serve tão bem quanto um cupê. É potente, rápido, mas bastante dócil ao acelerador e até mesmo econômico se apreciado com moderação. Tem um câmbio ágil ao extremo nas trocas manuais, mas cômodo como qualquer bom automático quando o que existe à frente é muito tráfego lento.
E ainda apresenta, por fora e por dentro, uma rara combinação de classe e esportividade: um carro que está sempre vestido com o traje certo, não importa o ambiente que vá frequentar.
Comentário técnico
Quando a Audi anunciou em 2008 que lançaria seu primeiro motor com compressor — o V6 agora avaliado no S5 —, muitos se perguntaram por que não seguir com o uso de turbocompressor, associado à marca com êxito há mais de 30 anos. De acordo com a empresa, testes indicaram que o compressor mecânico Roots seria superior a um sistema de dois turbos para esse motor: “Em conjunto com a injeção direta, sua construção compacta, desempenho e resposta dinâmica eram bastante superiores”, explicava a informação à imprensa.
E compacto esse compressor realmente é, a ponto de ser instalado dentro do “V” de 90 graus entre as bancadas de cilindros. Sendo acionado pelo próprio motor por meio de uma correia poli-V (ao contrário do turbo, que usa os gases de escapamento para girar), o compressor começa a produzir superalimentação desde a rotação mais baixa. Dentro dele, dois pistões rotativos giram em sentidos opostos em regime que chega a 23.000 rpm. Dois resfriadores de ar são usados para aumentar a densidade do ar admitido e, assim, ampliar a quantidade de ar “empurrada” para os seis cilindros.
A exemplo do A4, o A5 — ou S5 neste caso — traz um novo arranjo do trem de força no qual o diferencial vem montado à frente das embreagens (ou do conversor de torque, no caso de caixa automática). O objetivo é permitir que o eixo dianteiro fique 15 centímetros mais à frente que na antiga geração do A4, o que concorre para melhor distribuição de massas entre os eixos e comportamento dinâmico mais neutro, sem a sensação de frente pesada.
A suspensão dianteira conta com uma evolução do conceito de braços sobrepostos, dotada de cinco articulações, que responde de formas diferentes a forças nos sentidos longitudinal e lateral: o conjunto oferece elevada resistência lateral, para uma atitude precisa em curvas, mas é mais macio e complacente no sentido longitudinal, de modo a favorecer o conforto. Grande parte dos componentes das suspensões dianteira e traseira (esta do tipo multibraço) é feita de alumínio, e ambas empregam subchassi para melhor isolamento de vibrações.
Ficha técnica
| Motor | |
| Posição | longitudinal |
| Cilindros | 6 em V a 90º |
| Material do bloco/cabeçote | alumínio |
| Comando de válvulas | duplo nos cabeçotes |
| Válvulas por cilindro | 4, variação de tempo na admissão |
| Diâmetro e curso | 84,5 x 89 mm |
| Cilindrada | 2.995 cm³ |
| Taxa de compressão | 10,3:1 |
| Alimentação | injeção direta, compressor, resfriador de ar |
| Potência máxima | 333 cv de 5.500 a 7.000 rpm |
| Torque máximo | 44,9 m.kgf de 2.900 a 5.300 rpm |
| Potência específica | 111,2 cv/l |
| Transmissão | |
| Tipo de câmbio e marchas | automatizado, 7 |
| Relação e velocidade por 1.000 rpm | |
| 1ª. | 3,69 / 9 km/h |
| 2ª. | 2,15 / 15 km/h |
| 3ª. | 1,41 / 23 km/h |
| 4ª. | 1,03 / 31 km/h |
| 5ª. | 0,79 / 40 km/h |
| 6ª. | 0,62 / 51 km/h |
| 7ª. | 0,52 / 61 km/h |
| Relação de diferencial | 3,88 |
| Tração | integral |
| Freios | |
| Dianteiros | a disco ventilado (ø ND) |
| Traseiros | a disco ventilado (ø ND) |
| Antitravamento (ABS) | sim |
| Direção | |
| Sistema | pinhão e cremalheira |
| Assistência | elétrica |
| Diâmetro de giro | 11,4 m |
| Suspensão | |
| Dianteira | independente, braços sobrepostos, mola helicoidal |
| Traseira | independente, multibraço, mola helicoidal |
| Estabilizador(es) | dianteiro e traseiro |
| Rodas | |
| Dimensões | 8,5 x 18 pol |
| Pneus | 245/40 R 18 |
| Dimensões | |
| Comprimento | 4,64 m |
| Largura | 1,854 m |
| Altura | 1,38 m |
| Entre-eixos | 2,751 m |
| Bitola dianteira | 1,588 m |
| Bitola traseira | 1,575 m |
| Coeficiente aerodinâmico (Cx) | 0,32 |
| Capacidades e peso | |
| Tanque de combustível | 61 l |
| Compartimento de bagagem (normal/banco rebatido) | 380 l (320 l com capota aberta) / 750 l |
| Peso em ordem de marcha | 1.880 kg |
| Relação peso-potência | 5,6 kg/cv |
| Garantia | |
| Prazo | 2 anos sem limite de quilometragem |
| Carro avaliado | |
| Ano-modelo | 2012 |
| Pneus | Pirelli Cinturato P7 |
| Quilometragem inicial | 5.000 km |
| Dados dos fabricantes; ND = não disponível | |




















