Chassi mais longo e motor de 2,1 litros chegavam com o Plus Four, que por
alguns anos substituiu o 4-4; a Morgan logo deixaria de produzir triciclos
O Plus Four passava por uma pequena reestilização para 1953, com nova grade de radiador plana e inclinada e faróis parcialmente embutidos nos para-lamas, que eram agora mais longos na frente. Logo a grade foi substituída pela arredondada que é usada até hoje pela marca. O estepe também passou a ser único no lugar dos dois anteriores, embutido em parte no capô traseiro. Um ano depois, o Plus Four tinha seu motor substituído pelo do Triumph TR2, de 2,0 litros e 90 cv. O esportivo já chegava a 160 km/h, desempenho muito bom para a época.
O motor do Triumph TR3, de 95 cv, era adotado no modelo em 1955. Com poucos motores desse fornecedor disponíveis e não podendo manter a produção ociosa, a Morgan fez ressurgir o 4/4 na chamada Series II. Ele vinha com o motor Ford Ten 100E dos modelos Anglia e Prefect, de 36 cv. O câmbio era de três marchas, com alavanca no painel, e foi aproveitado o chassi mais longo do Plus Four. Também com essa série surgiu a versão Tourer, com opção de quatro lugares, e pela primeira vez no 4/4 vinham freios hidráulicos.
Dois outros motores Ford eram adotados em 1956 no Plus Four: o 116E, de 1,5 litro e 65 cv, e o 122E, com dois carburadores e 85 cv. Com peso de 673 kg, a primeira versão chegava a 145 km/h. A outra era a chamada Competition, que conseguia 160 km/h. Dois anos depois, foi a vez de o 4/4 passar a oferecer um motor preparado: com a opção do cabeçote Aquaplane, a potência subia para 40 cv. Em 1959 o Plus Four recebia carroceria mais larga e freios a disco opcionais, assim como aparecia uma versão do 4/4 para exportação com motor BMC de 1,5 litro.
Depois de usar motores da Triumph, a Morgan optou pela Ford como fornecedora;
o Plus Four de 1956 chegava a 160 km/h na versão Competition de 85 cv
A produção dessa variação só durou até o ano seguinte, quando o motor do 4/4 foi substituído, na Series III, pelo Ford 105E do novo Anglia de 1,0 litro e 54 cv. Também o câmbio passou a ser de quatro marchas e a carroceria ficou um pouco mais larga. Mais um ano e o Plus Four passava a vir com freios a disco de série, assim como surgia o Plus Four Super Sports, produzido por sete anos em um total de apenas 102 unidades. Ele vinha com motores de 2,0 e 2,15 litros preparados pela Lawrencetune com dois carburadores e até 118 cv, associados a uma carroceria de liga de alumínio, túnel de entrada de ar na lateral do capô e rodas raiadas. Bastante rápidos, alcançavam mais de 190 km/h.
Em 1962 vinha o 4/4 Series IV, com o motor do Ford Classic de 1,35 litro e 60 cv, além de freios dianteiros a disco. No mesmo ano, o Plus Four teve o motor substituído pelo de 2,15 litros do Triumph TR4, que rendia 100 cv na versão comum e 112 cv na de competição com dois carburadores Weber. Na última, auxiliado por um câmbio de quatro marchas, o carro chegava a 185 km/h e acelerava bem com o baixo peso de 840 kg. No ano seguinte aparecia o 4/4 Series V com motor de 1,5 litro do Ford Cortina GT, de 78 cv na versão básica e 83 cv na Competition.
Um ar mais moderno
Grande novidade em 1964 foi que a Morgan lançou um carro com linhas modernas para a época. Era o Plus Four Plus, um cupê com carroceria de plástico reforçado com fibra de vidro, capô longo e traseira curta. Media 3,89 metros de comprimento, pesava 830 kg e usava rodas de 15 pol com fixação central por cubo rápido. O motor era o do TR4, com dois carburadores, e graças à melhor aerodinâmica ele alcançava 176 km/h após acelerar de 0 a 100 km/h em 13 segundos.
Em uma rara tentativa de desenhar um carro moderno, a Morgan lançava o
Plus Four Plus, um compacto cupê que teve apenas 26 exemplares produzidos
No entanto, o carro não agradou aos clientes tradicionais da marca, tendo sido fabricadas apenas 26 unidades em dois anos. Depois desse fracasso, levou décadas para a empresa voltar a lançar um carro com linhas modernas, fixando-se a seus padrões conservadores. O motor do Plus Four básico teve a potência aumentada para 104 cv. Em 1966 era lançado o 4/4 1600, produzido por 15 anos com o motor de 1,6 litro do Cortina GT, de 74 cv na versão básica e 96 cv na Competition. Dois anos depois, a unidade mais potente passou a equipar também a versão básica, quando a carroceria de alumínio passou a ser opcional.
“Há apenas meia dúzia de outros carros, todos mais caros, que podem atingir 160 km/h em menos de 20 segundos”, observou a revista Motor
Uma grande evolução surgia em 1968: o Plus 8. O carro foi desenvolvido pelo inglês Maurice Owen, que desejava instalar em uma carroceria Morgan o motor Buick V8 que havia comprado em um leilão dos bens da massa falida do fabricante de carros Gordon-Keeble. Quando ele solicitou à Morgan um carro sem mecânica para poder instalar o V8, a ideia acabou agradando a Peter Morgan — filho do fundador e então dirigente da fábrica —, que por fim contratou Owen para que desenvolvesse o projeto com objetivo de colocá-lo em linha.
Ocorre que a inglesa Rover havia recentemente comprado os direitos de produção do motor Buick V8 (mais tarde usado no Range Rover, entre outros modelos); com isso, os motores poderiam ser usados no Morgan assim que a Rover os colocasse em produção. O Plus 8 foi lançado com cilindrada de 3,55 litros, 160 cv e caixa de câmbio de quatro marchas. Graças à boa relação peso-potência, o carro podia fazer de 0 a 160 km/h (100 milhas por hora no padrão inglês) em 19 segundos e atingia a velocidade máxima de 210 km/h.
A ideia de aplicar um motor Buick V8 ao Morgan interessou ao fabricante,
que em 1968 apresentava o Plus 8 com maiores dimensões e 160 cv
Seu sucesso foi imediato, tornando tradição a constante lista de espera pelo modelo, que chegava a cinco anos, em parte devido à produção anual sempre baixa. O desenho do Plus 8 era bastante parecido com o 4/4, mas se tratava de um carro mais largo e longo, com entre-eixos de 2,49 m. As rodas de 15 pol eram de liga leve e um detalhe inusitado estava no capô preso por uma correia de couro, como em clássicos modelos de corrida. Opção era um bagageiro sobre o estepe fixado na traseira. O painel vinha em madeira.
“Tremendo desempenho”
No teste da revista inglesa Motor no ano de lançamento, o Plus 8 mostrou bons atributos e limitações. “Chassi nostálgico e um moderno V8 dão um tremendo desempenho, comportamento aceitável e conforto de rodagem muito ruim; cabine civilizada, mas capota primitiva”, resumia a matéria. O carro acelerou de 0 a 96 km/h em 6,7 segundos e atingiu 202 km/h, marcas respeitáveis para a época. “Há apenas meia dúzia de outros carros, todos mais caros, que podem atingir 160 km/h em menos de 20 segundos”, observou a Motor, que concluiu. “É talvez por ser tão diferente dos carros de hoje que alguns motoristas o adoram, enquanto outros jamais chegariam a um termo com suas falhas inerentes”.
O Plus 8 ficava 5 cm mais largo em 1972. Três anos depois o modelo ganhava a versão Sports Lightweight, com carroceria de liga de alumínio, assim como passava a ser exportado para a Califórnia, nos Estados Unidos — era adaptado por uma empresa local para rodar com gás propano, devido à legislação de emissões poluentes daquele estado. Em 1976 o Plus 8 passava a vir com motor do Rover SD1, de 155 cv, e câmbio de cinco marchas da mesma marca, assim como novas rodas de 14 pol. Mais um ano e surgia um novo painel para ele.
| Próxima parte |
Para ler
![]() |
![]() |
![]() |
Morgan: 100 Years: The Official History of the World’s Greatest Sports Car – por Charles Morgan, editora Michael O’Mara. Com a última edição (2012), que inclui o recente Morgan Three Wheeler, tem-se a história da empresa contada por um de seus diretores. O livro inclui uma cronologia ano a ano, com os principais eventos e conquistas esportivas da marca, e tem 232 páginas.
Original Morgan – por Nigel, John Worrall e Liz Turner, editora Motorbooks. Produzido em conjunto com a Morgan, trata-se de um guia de restauração com fotos detalhadas, descrições, mudanças nos modelos, números de produção e esquemas de cor. Publicado em 2003, tem 128 páginas.
Morgan: Performance Plus Tradition – por Jonathan Wood, editora Haynes. Da coleção Classic Makes, a obra cobre toda a história da marca, com dicas para compra, impressões ao dirigir e especificações técnicas. Com 160 páginas, foi publicada em 2005.
Morgan 4/4: The First 75 Years – por Michael Palmer, editora Crowood. Parte da coleção Autoclassic Series, o livro publicado em 2011 dedica-se ao mais longevo modelo da marca. Cobre toda a história, com seu projeto e desenvolvimento, além de examinar sua fabricação. São 192 páginas.



















