Nascido de um modelo de competição, o Aero 8 tinha desenho original, motor BMW
V8 de 4,4 litros e chassi de alumínio; a máxima estava acima de 250 km/h
O Aero 8 era derivado do carro de competição GT2, concluído em 1995 e desenvolvido por Chris Lawrence, Andy Rouse e Harvey Bailey. O conversível de dois lugares pesava 1.100 kg e tinha suspensão independente nas quatro rodas, câmbio de seis marchas e um belo painel de instrumentos em alumínio. Sua velocidade máxima era de 258 km/h. Em 2002 surgia a série especial Le Mans 62, disponível tanto para o 4/4 como para o Plus 8, para comemorar os 40 anos da participação da Morgan na corrida francesa de 24 horas em 1962. Os carros vinham com capota rígida e detalhes de estilo dos carros da prova. A produção foi limitada a 80 unidades.
No ano seguinte, penúltimo de produção do Plus 8, outra edição especial: a Plus 8 35, para comemorar os 35 anos do carro, com carroceria pintada em duas cores. Ainda nesse ano surgia o Aero 8 GT Coupé, com produção limitada a 15 unidades. Com capota rígida e fixa de plástico e fibra de carbono, vinha com pintura dos para-lamas em cor prata e o restante em azul. O motor era mais potente — 322 cv —, a suspensão mais dura e as rodas OZ tinham fixação por cubo central.
Na avaliação da revista inglesa Evo, o Aero 8 Coupé foi descrito como “seriamente rápido e cheio de caráter”, mas carente de algum refinamento. “Com apenas 1.000 kg, o carro parece muito mais potente do que realmente é. A resposta ao pé direito é instantânea em qualquer rotação. E não é só a peso-potência, mas também a sensação de mínima inércia. Mova o volante e você já está lá. Mas o trem de força não é tão refinado quanto se esperaria por suas origens”. A conclusão da revista foi defini-lo como “uma deliciosa combinação do que está faltando em tantos carros modernos”.
O motor V6 de 226 cv do Ford Mondeo animava o Roadster, capaz de acelerar de
0 a 100 em 5 segundos, mas o comportamento da suspensão era criticado
Em 2004 o Plus 8 saía de linha, substituído pelo Roadster 3.0 V6. O motor do Ford Mondeo ST220, com 226 cv, levava-o à máxima de 216 km/h com 0-100 km/h em apenas 5 segundos, já que o peso não passava de 940 kg. Também dirigido pela Evo, ele foi elogiado pelo estilo do passado, mas criticado pelo comportamento dinâmico idem… “Ele pode não ter o torque do V8, mas fornece um bom empurrão em baixa rotação. Em asfalto que não seja perfeito, o Roadster revela ondulações que não havíamos notado na estrada antes. Há bastante aderência nos pneus Yokohama, mas a direção não assistida torna-se um tanto pesada”.
Ainda nesse ano, a BMW passava a equipar seu motor V8 4,4 com variação do tempo de abertura das válvulas (sistema Valvetronic) e assim o Aero 8 teve sua potência aumentada para 333 cv, permitindo 0-100 km/h em menos de 4,5 segundos. Ele ainda teve o porta-malas modificado para maior capacidade, ganhou freios com sistema antitravamento (ABS) e controle de tração. O Plus Four ressurgia mais uma vez, dessa vez com motor Ford 2,0-litros de 16 válvulas e 145 cv.
AeroMax, sob encomenda
O cupê AeroMax aparecia em 2005, de início como exemplar único, construído para o banqueiro suíço Eric Sturdza (que patrocinava a equipe Morgan na categoria GT3) e mostrado no Salão de Genebra. Com carroceria de alumínio, chassi e motor BMW V8 4,4 como os do Aero 8, ele atingia 260 km/h, podendo acelerar de 0 a 100 km/h em 4,5 s. A produção em série, limitada a 100 unidades, começaria apenas três anos depois.
Depois do exemplar único para um banqueiro suíço, o AeroMax entrava
em produção em 2008 com carroceria de alumínio e motor BMW V8
Ainda em 2005 o 4/4 passava a vir com motor Ford Duratec 1,8 de 125 cv. No ano seguinte surgiam o Roadster V6 Fourseater de 3,0 litros e o Plus Four Fourseater de 2,0 litros. Com quatro lugares e mais espaço interno para os passageiros de trás, graças ao redesenho da capota e da traseira, visavam a um público que quisesse um carro esporte que comportasse a família — tinham até mesmo Isofix para fixação de cadeiras de criança. A opção de rodas de 18 pol era outra novidade.
A Evo descrevia: “Em um túnel de árvores com aceleração máxima, o barulho é enorme e físico, enchendo seus ouvidos e engolindo tudo”
No mesmo ano vinha a edição comemorativa 4/4 70th Anniversary, para homenagear os 70 anos do início de produção do 4/4. Foram produzidas apenas 142 unidades — duas para cada ano de produção —, sendo que cada dupla era individualizada para determinado ano, com as capotas típicas usadas pelo 4/4 através das décadas e painel de instrumentos especial. Já o Aero 8 passava por uma reestilização e ganhava faróis iguais aos do AeroMax, já que os anteriores foram bastante criticados — diziam que o carro parecia estrábico. O espaço interno ficou 15 cm maior em largura.
Completavam o Aero 8 controlador de velocidade, freios com distribuição eletrônica entre os eixos e monitor de pressão dos pneus — apesar de tudo isso, ainda pesava apenas 1.145 kg. Um opcional bastante desejado era o conjunto de malas especialmente feito pela marca Schedoni. A capota rígida de fibra de carbono era outro opcional para o Aero 8, assim como para o Roadster V6. No mesmo ano surgia o Aero 8 America, com para-choques e outros itens apropriados para o mercado norte-americano.
Lançada em 2006, a série comemorativa 4/4 70th Anniversary tinha 142 unidades;
cada dupla refletia detalhes como a capota usados em determinado ano
O Aero 8 passava a vir em 2008 com o motor V8 de 4,8 litros do BMW 550i, com 367 cv, e opção de câmbio automático de seis marchas. O desempenho melhorava ainda mais: máxima de 274 km/h e 0-100 km/h em 4,2 s. A mesma mecânica era adotada no AeroMax, que passou a ser produzido em série, e aparecia o 4/4 Sport, novo carro de entrada da marca. Mais barato, associava a carroceria tradicional ao motor Ford 1,6 de 16 válvulas e 110 cv, suficiente para os 795 kg de peso do carro.
Na avaliação da Evo, o AeroMax foi considerado tão atraente que “o fato de se mover pode ser considerado um bônus”. E ele o fazia sem discrição: “Em um túnel de árvores com aceleração máxima e as janelas abertas, o barulho é enorme e físico, tremendo os ramos, enchendo seus ouvidos e engolindo tudo”.
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As réplicas
O sucesso dos Morgans, conhecidos pelos aficionados como Moggie, aliado à exclusividade das versões originais, levou ao surgimento de diversas réplicas pelo mundo. Dos modelos de três rodas houve as réplicas inglesas Triking (lançada em 1979), Dragonfly F-Type (feita de 1994 a 1995) e JZR (desde 1987 mais de 450 unidades foram produzidas), a espanhola Bandido e a norte-americana Odin, feita a partir de uma moto.
Dos modelos de quatro rodas tradicionais, há casos como as inglesas Moss Malvern (na foto; lançada em 1983 e com mais de 500 unidades produzidas), Burlington SS (de 1980, com frente e para-lamas originais do Morgan, mais tarde chamada Dorian SS), Hadleigh Sprint (cujo nome depois mudou para Caburn Roadster), GCS Hawke (surgida em 1994) e Ryder Royale (com motor traseiro Volkswagen refrigerado a ar), além da turca Mohawk, da argentina Plásticos de Sudamérica 51, da neozelandesa Bridson e da brasileira Roadster Victoria. Esta última surgiu em 1981 e empregava mecânica VW “a ar”. Na Rússia existiu uma réplica do Aero 8, chamada Natasha, com motor Toyota de 3,0 litros.






















