Mesmo sem os requintes do Titanium, versão intermediária de
2,0 litros revela conforto, prazer ao volante e bom desempenho
Texto e fotos: Fabrício Samahá
Depois de ficar em segundo lugar em vendas na categoria (segundo os dados de emplacamentos da Fenabrave) no ano passado, atrás do Chevrolet Cruze, o Ford Focus hatch recuperou este ano a liderança no segmento que detinha em 2012. O êxito da terceira geração apresentada em setembro levou-nos a colocá-la em uma avaliação completa, incluindo medições de desempenho e consumo.
A versão escolhida foi a SE — intermediária entre a básica S e a de topo, Titanium — com motor de 2,0 litros, de maior interesse por trazer a inovação da injeção direta com flexibilidade em combustível. Oferecida apenas com o câmbio automatizado Powershift de dupla embreagem e seis marchas, ela chegou sem os opcionais disponíveis, que são ar-condicionado automático de duas zonas de ajuste por R$ 1 mil e o pacote Plus (bolsas infláveis de cortina, acesso e partida sem chave, faróis e limpador de para-brisa automáticos e retrovisor interno fotocrômico) por mais R$ 2 mil.
Apesar dos polêmicos triângulos na frente e das lanternas que fogem à tradição
do modelo, o desenho do novo Focus agrada e revela detalhes bem-feitos
A configuração de R$ 73.790 inclui, mesmo assim, um conteúdo de série respeitável: controle eletrônico de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa (retém os freios ao sair), aviso de pressão baixa dos pneus, bolsas infláveis frontais e laterais dianteiras, cintos de três pontos nos cinco lugares, fixação Isofix para cadeira infantil, faróis de neblina, retrovisores com luzes de direção, rodas de alumínio de 17 pol, computador de bordo, sistema Sync de áudio, alarme antifurto, sensores de estacionamento na traseira e bancos revestidos em couro.
No painel, o recurso Eco Mode analisa a forma de
dirigir e dá notas ao motorista, que pode se
sagrar “Eco Campeão” pela condução eficiente
Apesar dos três anos de presença em mercados mundiais e de já ter passado por uma remodelação dianteira lá fora, o desenho do Focus permanece um de seus atrativos. Há interessante combinação de curvas, arestas e vincos que indicam esmero no processo de estilo, com linhas que fluem e se combinam de uma peça para outra. Detalhes que provocaram polêmica são os triângulos do para-choque dianteiro — muitos prefeririam uma só tomada de ar, como acabou por ser adotada na renovação — e as lanternas traseiras, que deixam de ocupar as colunas como nas duas gerações anteriores.
Nesta versão os faróis são mais simples, com duplo refletor de superfície complexa (na Titanium com lâmpadas de xenônio vem um refletor elipsoidal), mas estão presentes unidades de neblina à frente e atrás e repetidores laterais de luzes de direção. Pode melhorar a qualidade de estamparia, que revela alguns vãos exagerados entre painéis da carroceria.
Faróis mais simples (sem refletor elipsoidal ou xenônio) e outras rodas, também
de 17 pol com pneus 215/50, diferenciam a versão SE da mais cara Titanium
No interior, a Ford retomou a ousadia de formas que caracterizava o modelo inicial e se perdeu, de certa forma, na segunda geração. O ambiente tem aspecto moderno, mesmo nesta versão com tela simplificada de 4,2 pol para o sistema Sync (na Titanium é de 8 pol e sensível ao toque), mas alguns materiais plásticos poderiam ser mais agradáveis ao tato. Os bancos vêm revestidos em couro, que infelizmente não oferece alternativa à cor preta, aspecto que o fabricante deveria repensar.
Bem-acomodado em um banco com intensos apoios laterais (que não incomodam, porém) e apoio lombar regulável, o motorista pode ajustar altura e distância do excelente volante de quatro raios, uma tradição do Focus que foi mantida, e encontra pedais bem posicionados e bom apoio ao pé esquerdo. A visibilidade é pouco prejudicada pelas colunas dianteiras, mas algo pior para trás. Ponto alto são os retrovisores externos biconvexos de ótimo campo visual.
O painel traz instrumentos bem legíveis, com iluminação permanente em branco e azul claro, e um pequeno quadro para o computador de bordo que fornece consumo em km/l — fica de fora do SE o mostrador maior do Titanium, capaz de indicar várias informações ao mesmo tempo. No mesmo local, o recurso Eco Mode analisa a forma de dirigir e dá notas ao motorista, que pode se sagrar um “Eco Campeão” pela condução eficiente.
Interior tem desenho moderno e sistema de áudio com comando por voz; versão
traz pacote interessante de conforto e conveniência, mas espaço decepciona
Há numerosos detalhes de conveniência no Focus, como controles elétricos de vidros com função um-toque, temporizador, abertura e fechamento comandados a distância; limpador de para-brisa com braços opostos (para ampla área de varredura) e ajuste do intervalo, controlador e limitador de velocidade, comando remoto para a quinta porta, indicador de temperatura externa, comutador de farol com dupla função (retorna ao facho baixo tanto puxado contra o volante quanto empurrado), para-sóis com espelho e iluminação, alças de teto com retorno suave, bom espaço para objetos no console e alerta específico de porta mal fechada.
O sistema de áudio, embora com qualidade de som apenas boa, inclui toca-CDs, interface Bluetooth para telefone celular e conexões USB e auxiliar. Há ainda um comando de voz que facilita bastante sua operação, podendo-se pedir determinado artista ou faixa, por exemplo; o entendimento dos comandos foi bastante satisfatório. O ar-condicionado, mesmo com ajuste manual, traz uma solução inteligente e incomum: ativa a recirculação quando se posiciona para frio máximo e a desativa ao se escolher temperatura pouco mais alta, exatamente como se deveria fazer pela ativação manual.
Próxima parte |