Interior melhorou muito em aspecto e acabamento; instrumentos e volante seguem os do Focus; teto solar, monitor de pneus e câmera traseira são novidades
O áudio da versão é Sony, mais potente e de qualidade superior ao antigo, com nove alto-falantes. Recursos inéditos no modelo são teto solar com controle elétrico, monitor de pressão dos pneus (com sensores nas rodas e informação individual no painel), câmera traseira de manobras com linhas dinâmicas, limitador de velocidade e alertas para veículos em pontos cegos nas faixas laterais e em tráfego cruzado atrás. O ar-condicionado, que continua com uma só zona de ajuste, agora tem maior capacidade, sete velocidades e três níveis de modo automático. Efeito colateral da reforma foram os difusores de ar centrais baixos, sob a tela, mas os antigos ao lado do aparelho não eram dos melhores.
O motor permite aceleração forte para a categoria, a caixa automática mostra boa calibração e houve sensível diminuição do ruído interno, para sensação de carro mais refinado
Em busca de menor nível de ruído o Ecosport ganhou isolamento acústico no para-brisa e manta estrutural nas portas, entre outras medidas. De acordo com dados do fabricante, tanto o ruído interno a 110 km/h quanto o de vento a 130 são mais baixos que em Tracker, HR-V e Renegade, além do antecessor. O banco traseiro ganhou mecanismo de rebatimento mais prático. No compartimento de bagagem a Ford aplicou uma bandeja no assoalho, que permite criar um porta-objetos de 52 litros na posição mais alta, além de formar uma plataforma plana quando o banco for rebatido. Na posição inferior a capacidade é de 356 litros, seis a menos que antes.
Injeção direta e caixa automática
A adoção de injeção direta no motor de 2,0 litros deixou o Ecosport na liderança da categoria em potência e com um dos maiores torques entre os modelos flexíveis: com gasolina, 170 cv e 20,6 m.kgf; com álcool, 176 cv e 22,5 m.kgf. No Duratec anterior com injeção multiponto eram 141 cv/19,0 m.kgf e 147 cv/19,7 m.kgf, na ordem. A unidade tem duplo comando com variação do tempo de abertura das válvulas, corrente para acionar os comandos e partida a frio sem uso de gasolina (a injeção direta dispensa preaquecimento). Para a versão de 1,5 litro a Ford divulgou apenas os índices com álcool: 137 cv/16,2 m.kgf ante 131 cv/16,1 m.kgf do antigo 1,6 com caixa automatizada (com a manual eram 115 cv/15,9 m.kgf).
Sistema Sync 3 tem tela de 8 pol, Android Auto e Car Play; sensores alertam para carro em ponto cego ou tráfego cruzado; porta-malas ganha assoalho ajustável
A nova transmissão automática, de fabricação Ford, deixa para trás os problemas da automatizada (antiga Powershift, nome abandonado em 2015) e traz a vantagem de multiplicar o torque nas saídas por meio do conversor. O lubrificante nunca precisa ser trocado. Mudanças manuais, antes possíveis só por um botão no pomo da alavanca, agora podem ser feitas pelos comandos junto ao volante, ativados mesmo na posição D. A rotação a 120 km/h em sexta, 2.600 rpm, é praticamente a mesma de antes. Não foram divulgados índices de desempenho, mas a Ford prevê cerca de 9,5 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h, tão rápido quanto o Tracker e à frente dos demais oponentes.
Em parte pelas alterações para aumentar a rigidez torcional da carroceria em 5%, o Titanium ficou mais pesado: 1.359 kg contra 1.316 do anterior. As suspensões foram recalibradas com maior curso na dianteira, eixo traseiro mais rígido e molas traseiras progressivas (mais firmes à medida que se comprimem). A fábrica anuncia aspereza 40% menor no volante. As rodas da versão passam de 16 pol com pneus 205/60 de uso misto para 17 pol com pneus 205/50 de asfalto.
Dirigimos o Ecosport Titanium no campo de provas da Ford em Tatuí, no interior paulista. A primeira impressão ao entrar no carro é como o acabamento melhorou: o novo desenho e a parte inferior do painel em cor clara deram um ar de requinte bastante superior. Os bancos são revestidos com repelente de sujeira, que facilita muito a limpeza do couro e pode evitar a rejeição do mercado brasileiro a tons claros. A quantidade de porta-objetos na cabine chama a atenção e a posição da tela do painel permite fácil uso e excelente visibilidade. Aliás, toda a ergonomia melhorou.
Desempenho impressiona bem com quase 30 cv a mais; caixa agora é automática; estabilidade melhorou com pneus 17 e suspensão recalibrada
Acelerando, nova surpresa: o motor permite uma aceleração forte para a categoria, sobretudo de médias para altas rotações, e a caixa automática mostra boa calibração. Foi sensível a diminuição do ruído interno, o que concorre para a sensação de um carro mais refinado, mais próximo do Focus que do Fiesta. No circuito de testes percebeu-se melhora da estabilidade nas pistas de alta velocidade, acompanhada por eficiente absorção de buracos e obstáculos nas seções de paralelepípedos e calçamento irregular, mesmo com o baixo perfil dos pneus. Embora operem a contento, os freios traseiros bem poderiam passar a usar discos diante do desempenho da versão.
A atualização de estilo pode ter sido tímida para um modelo lançado em 2012, mas em termos de refinamento, desempenho e tecnologia o Ecosport voltou a ser muito competitivo. A versão Titanium traz praticamente o melhor que existe na classe em itens de conveniência e segurança, associados a um motor potente e uma caixa que promete confiabilidade. Apesar de algumas restrições, como o espaço interno modesto e o estepe externo de que muitos não gostam, o SUV compacto da Ford parece apto — a depender dos preços a serem anunciados — a fazer dos novos tempos também bons tempos.
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Ficha técnica
| Motor | |
| Posição | transversal |
| Cilindros | 4 em linha |
| Comando de válvulas | duplo no cabeçote |
| Válvulas por cilindro | 4, variação de tempo |
| Diâmetro e curso | 87,5 x 83,1 mm |
| Cilindrada | 1.999 cm³ |
| Taxa de compressão | 12:1 |
| Alimentação | injeção direta |
| Potência máxima (gas./álc.) | 170/176 cv a 6.500 rpm |
| Torque máximo (gas./álc.) | 20,6/22,5 m.kgf a 4.500 rpm |
| Transmissão | |
| Tipo de caixa e marchas | automática, 6 |
| Tração | dianteira |
| Freios | |
| Dianteiros | a disco ventilado |
| Traseiros | a tambor |
| Antitravamento (ABS) | sim |
| Direção | |
| Sistema | pinhão e cremalheira |
| Assistência | elétrica |
| Suspensão | |
| Dianteira | independente, McPherson, mola helicoidal |
| Traseira | eixo de torção, mola helicoidal |
| Rodas | |
| Dimensões | 7 x 17 pol |
| Pneus | 205/50 R 17 |
| Dimensões | |
| Comprimento | 4,269 m |
| Largura | 1,765 m |
| Altura | 1,693 m |
| Entre-eixos | 2,519 m |
| Capacidades e peso | |
| Tanque de combustível | 52 l |
| Compartimento de bagagem | 356 l |
| Peso em ordem de marcha | 1.359 kg |
| Dados do fabricante; desempenho e consumo não disponíveis | |






















