Depois do Sport 1100 com motor Osca e carroceria Fantuzzi (em cima), De Tomaso lançou o Vallelunga definitivo, cupê com carroceria plástica

O Pampero, pequeno conversível com motor central, não chegou a ser feito em série; embaixo o Mangusta, belo esportivo com motor Ford V8

O 1600 (em cima) era um targa que lembrava o Fiat X1/9; o Pantera, que marcou a parceria com a Ford, foi o carro mais vendido da De Tomaso

O próximo F-1 da empresa só surgiu em 1970, projetado por Dallara para a equipe Williams. Chamado 505, tinha motor Ford Cosworth DFV e foi pilotado por Piers Courage, Redman e Schenken. Jamais um carro De Tomaso chegou a terminar uma corrida de F-1. A empresa também construiu, entre 1961 e 1970, motores de quatro e 12 cilindros com cilindradas de 1,0 litro (em um carro de F-2 de 1963, com 105 cv) a 4,8 litros.

Os carros esporte de rua começaram então a ser o interesse de Alejandro. Em 1961 apareceram o Sport 1100, com motor Osca 1,1-litro, e outro com motor 1,5 da mesma marca, ambos encarroçados por Fantuzzi. Três anos depois vinha um com motor Chevrolet de 4,6 litros, mesmo ano em que apareceu um Fórmula 3. Em 1965 aparecia o 70P, com motor Ford V8, desenvolvido em colaboração com Carroll Shelby. Na época a Ford pretendia comprar algum fabricante de automóveis europeu, tendo feito tentativas com Isotta Fraschini, Lancia e Ferrari, mas esses esforços fracassaram. Então a Ford veio até De Tomaso.

Pequenos fabricantes necessitam de peças compradas de outras empresas, e a Ford lhe ofereceu seus motores. Foi lançada antão em 1965 a versão definitiva do Vallelunga, que já havia sido mostrado no Salão de Turim nos dois anos anteriores. Embora os primeiros exemplares tivessem carroceria de alumínio, os produzidos em série usavam o plástico reforçado com fibra de vidro e foram construídos pela Ghia. Foram cerca de 55 unidades. No mesmo ano vinham um carro esporte desenhado por Pete Brock, feito pela Ghia sobre chassi Fantuzzi, e o AC-Ghia Cobra, proposta de substituto para o Cobra com participação de De Tomaso no projeto. Este, no entanto, foi rejeitado em favor do 428 de Frua.

No ano seguinte era mostrado o De Tomaso Pampero, pequeno conversível desenhado por Ghia com motor de 1,5 litro entre eixos, além do carro de competições Sport 5000. Outro, de maior importância, foi o protótipo do Mangusta, com tampas traseiras em forma de asas de gaivota, desenhado por um então jovem projetista da Ghia: Giorgetto Giugiaro. O Mangusta acabou sendo produzido em série, com cerca de 400 unidades com o motor Ford V8. Uma versão conversível foi apresentada no ano seguinte, mas permaneceu exemplar único. Outro exemplar, com motor Chevrolet, foi feito sob encomenda por Bill Mitchell.

Em 1967 chegavam o Sport 1000 e um motor de 2,0 litros e oito cilindros opostos com carroceria Ghia. No mesmo ano a Rowan Controller Industries, do cunhado de Alejandro, comprava 80% da De Tomaso. Com o dinheiro o empresário adquiriu a Ghia, que pertencia 75% ao ditador da República Dominicana Ramfis Trujillo e 25% à Condessa Segre — viúva de Luigi Segre, famoso projetista responsável pelo crescimento da empresa no pós-guerra. Ele viria ainda a adquirir um hotel em Modena e um fabricante de barcos de pequeno porte. De gosto refinado, De Tomaso investia também em uma loja na chique Via Condotti e em um avião particular. Seu escritório era todo decorado com antiguidades autênticas, como prataria veneziana e até barris oriundos do HMS Victory, navio inglês concluído em 1765.

Giugiaro saía da Ghia em 1968 para fundar seu próprio estúdio, o ItalDesign, assumindo então o cargo de chefe de projetos da De Tomaso o norte-americano Tom Tjaarda. Entre os carros da Ghia, no período em que a empresa pertencia a Alejandro, estavam um carro-conceito com mecânica Checker, marca famosa pelos táxis amarelos de Nova York até os anos 80; outro com mecânica Maserati, chamado Simun; o grã-turismo Iso Fidia; o esportivo Sereníssima, com motor central V8 e velocidade máxima de 250 km/h; e o Rowan, carro elétrico com autonomia informada de 300 km e velocidade máxima de 70 km/h.

No ano seguinte a Ghia mostrava o cupê Lancia Marcia, e a De Tomaso, um carro para F-2. Um acordo foi fechado com a Ford para vender nos Estados Unidos, pela rede Lincoln-Mercury, o novo esportivo da empresa: o Pantera, desenhado por Tjaarda. De Tomaso seria o responsável pelas vendas na Europa. Para a produção, como a Ghia não teria capacidade suficiente, De Tomaso comprou a encarroçadora Vignale. Engenheiros da Ford foram envolvidos no desenvolvimento, mas apenas nas áreas de projeto da produção em massa e análise de custos. Em 1970 a Ford conseguiu, afinal, comprar uma fábrica de carros europeia de prestígio: adquiriu a parte do grupo De Tomaso que pertencia à Rowan, devido à morte em acidente aéreo dos parentes investidores de Isabelle.

Os norte-americanos encomendaram à Ghia no mesmo ano o Mark I, proposta de versão mais sofisticada do Ford Granada. Outros carros desse ano foram o Mustela, conceito Ghia com motor Ford, e o sedã de luxo De Tomaso Deauville, que contou até mesmo com uma versão perua, feita apenas em um exemplar para a senhora De Tomaso. Três desenhos de Ghia com a marca De Tomaso eram mostrados em 1971: o Zonda, cupê com estrutura tubular; o 1600, um targa com motor Ford Cosworth 1,6 e desenho bastante semelhante ao do Fiat X1/9; e o Longchamp, um cupê 2+2, único dos três produzido em série. Continua

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