Espaço vertical e para pernas, com o banco traseiro corrediço, são destaques do Fox
O Fox sempre nos agradou pelo ótimo comando da caixa de transmissão manual, mas incomodou pela firmeza excessiva da suspensão, que sacrificava o conforto para manter boa estabilidade de sua carroceria estreita e alta. Nesse aspecto a VW trabalhou bem através dos tempos, pois o Track — que mantém os pneus e a calibração das outras versões de 1,0 litro — revela um rodar aceitável, firme sem excessos, e ainda transmite segurança em curvas. É fato que a absorção de irregularidades melhoraria com pneus de perfil mais alto, mas é difícil convencer o consumidor menos esclarecido a abrir mão do visual agradável de um carro com rodas maiores.
Sistema de áudio espelha celular
Além do motor, o Fox 2016 traz a novidade dos sistemas de áudio com conexões mais elaboradas a telefones celular. O aparelho de topo Discover Media tem tela sensível ao toque de 6,3 polegadas com sensor de aproximação (mostra menus assim que o dedo se aproxima da tela), seleção de álbuns por gestos na tela (como em telefones) e conexões USB, auxiliar, Bluetooth, para cartão SD e App-Connect. Esta última permite espelhar no aparelho a tela de um celular compatível com os padrões Mirror Link, Car Play (Apple) e Android Auto (Google) de modo a controlar aplicativos sem tocar no telefone.
Um projeto antigo, mas ainda válido; computador de bordo, comandos no volante e controle elétrico dos vidros traseiros são opcionais
Há ainda navegador integrado, toca-CDs, controles no volante e comando por voz para áudio, telefone e navegação. O aparelho é dos melhores já vistos em facilidade de uso, além de ter qualidade de áudio muito boa para o tipo de carro, mas se mostrou incapaz de compreender alguns endereços para navegar, mesmo com o motor desligado. O uso de aplicativos não abrange todos os presentes no telefone: a rede social Facebook e o navegador Waze, entre outros, ficam de fora.
O aparelho de topo Discover Media tem tela com sensor de aproximação, navegador, comando de voz e conexão App-Connect para celular
O acabamento interno do Track tem detalhes diferenciados como a costura azul aplicada ao simples tecido de revestimento dos bancos, forro de teto e colunas em preto (opcional) e um bom volante de couro com base achatada. O espaço interno é amplo em altura e para as pernas de quem viaja atrás, desde que o ajuste longitudinal do banco esteja em posição mais recuada, o que sacrifica o compartimento de bagagem — varia entre 260 e 353 litros conforme essa regulagem. Apenas a largura útil é modesta, inerente a um carro de suas dimensões.
O Fox mostra ainda itens positivos como alarme volumétrico (com ultrassom), alerta programável para excesso de velocidade, comando a distância para abrir e fechar vidros, computador de bordo com duas medições, controle elétrico de vidros com função um-toque para os dianteiros, faróis de duplo refletor mais os de neblina, luzes de leitura à frente e atrás, marcador de temperatura externa e vãos de carroceria estreitos e regulares. Ainda, a tampa traseira agora pode ser aberta pelo emblema VW sem uso da chave e, já há alguns anos, a iluminação em branco deixou os mostradores do painel bem legíveis.
O novo motor é silencioso, mas de desempenho discreto; transmissão continua ótima de usar; prejuízo à visibilidade pelas colunas é incômodo bem conhecido
No entanto, os plásticos internos são bastante simples e nota-se a ausência de alertas para uso do cinto e para porta mal fechada, banco traseiro bipartido, comando interno da tampa do tanque — usar chave para isso é tão anos 80… — e faixa degradê no para-brisa. Outros inconvenientes, que acompanham o Fox desde o lançamento, não têm correção fácil: pedais deslocados à direita com pouco espaço para o pé esquerdo, colunas dianteiras largas ao extremo (sobretudo na base) com prejuízo à visibilidade e limpador de para-brisa que faz a palheta direita terminar seu curso bem no centro do campo visual.
Ao colocar prós e contras na balança, conclui-se que o Fox permanece dentro do prazo de validade, se é que ele existe para automóveis. Atualizado em motor, sistema de entretenimento — tão importante para os motoristas da nova geração — e com vários aspectos melhorados ou corrigidos, ele supera 12 anos com o mesmo projeto sem parecer ultrapassado diante dos garotos da concorrência. É pena que seu desempenho ainda seja um ponto negativo, apesar de toda a revitalização feita sob o capô.
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Comentário técnico
• O motor EA-211 foi um dos primeiros do mercado dentro da tendência dos três cilindros, que reduz o número de peças móveis, o peso e as dimensões do motor e os atritos internos. Lançado em 2013 no Fox Blue Motion, foi empregado no ano seguinte no Up e chegou em 2015 a toda a linha Gol, Voyage e Fox de 1,0 litro. É fabricado em São Carlos, SP.
• Entre as vantagens sobre o antigo quatro-cilindros da série EA-111 estão bloco de alumínio (que concorre para a expressiva economia de peso de 24 kg), quatro válvulas por cilindro com variação contínua do tempo de abertura para as de admissão, coletor de escapamento integrado ao cabeçote e partida a frio com álcool por preaquecimento do combustível (dispensa injeção de gasolina). O duplo circuito de arrefecimento permite manter temperaturas diferentes para o bloco e para o cabeçote, pelo uso de duas válvulas termostáticas. O bloco mais quente torna o óleo lubrificante mais fluido e reduz os atritos; o cabeçote mais frio afasta o risco de detonação.
• Na linha 2016 o Fox recebeu assistência elétrica de direção, que dispensa fluido e não consome potência do motor (apenas energia elétrica, mas não todo o tempo). Até então, a versão Blue Motion usava o sistema eletro-hidráulico e as demais tinham o hidráulico, menos eficiente dos três.
Ficha técnica
| Motor | |
| Posição | transversal |
| Cilindros | 3 em linha |
| Material do bloco/cabeçote | alumínio |
| Comando de válvulas | duplo no cabeçote |
| Válvulas por cilindro | 4, variação de tempo |
| Diâmetro e curso | 74,5 x 76,4 mm |
| Cilindrada | 999 cm³ |
| Taxa de compressão | 11,5:1 |
| Alimentação | injeção multiponto sequencial |
| Potência máxima (gas./álc.) | 75/82 cv a 6.250 rpm |
| Torque máximo (gas./álc.) | 9,7/10,4 m.kgf a 3.000 rpm |
| Potência específica (gas./álc.) | 75,1/82,1 cv/l |
| Transmissão | |
| Tipo de caixa e marchas | manual / 5 |
| Relação e velocidade por 1.000 rpm | |
| 1ª. | 3,77 / 6 km/h |
| 2ª. | 2,10 / 11 km/h |
| 3ª. | 1,28 / 18 km/h |
| 4ª. | 0,93 / 25 km/h |
| 5ª. | 0,74 / 31 km/h |
| Relação de diferencial | 4,93 |
| Regime a 120 km/h | 3.900 rpm (5ª.) |
| Regime à vel. máxima informada | 6.500 rpm (4ª.) |
| Tração | dianteira |
| Freios | |
| Dianteiros | a disco ventilado (256 mm ø) |
| Traseiros | a tambor (200 mm ø) |
| Antitravamento (ABS) | sim |
| Direção | |
| Sistema | pinhão e cremalheira |
| Assistência | elétrica |
| Diâmetro de giro | 10,9 m |
| Suspensão | |
| Dianteira | independente, McPherson, mola helicoidal |
| Traseira | eixo de torção, mola helicoidal |
| Estabilizador(es) | dianteiro |
| Rodas | |
| Dimensões | 6 x 15 pol |
| Pneus | 195/55 R 15 H |
| Dimensões | |
| Comprimento | 3,868 m |
| Largura | 1,663 m |
| Altura | 1,552 m |
| Entre-eixos | 2,467 m |
| Bitola dianteira | 1,432 m |
| Bitola traseira | 1,426 m |
| Coeficiente aerodinâmico (Cx) | 0,364 |
| Capacidades e peso | |
| Tanque de combustível | 50 l |
| Compartimento de bagagem | 260 a 353 l (conforme ajuste do banco) |
| Peso em ordem de marcha | 1.084 kg |
| Relação peso-potência (gas./álc.) | 14,5/13,2 kg/cv |
| Garantia | |
| Prazo | 3 anos sem limite de quilometragem |
| Carro avaliado | |
| Ano-modelo | 2016 |
| Pneus | Pirelli P7 |
| Quilometragem inicial | 1.000 km |
| Dados do fabricante | |





















