Renault Kwid traz qualidades de Up a preço de Mobi

Bom em altura interna e porta-malas (290 litros), o Kwid é mais estreito que os concorrentes; controles de vidros, só dianteiros, vêm no painel

 

Diante da preocupação causada por esses testes, a Renault brasileira esclarece que os Kwids de lá e de cá são variações diferentes da plataforma — cada uma desenvolvida para atender a um mercado, sua legislação e suas exigências pelo consumidor. Nossa versão tem maior emprego de aços de alta resistência na estrutura (30% dela) e, somados a outras alterações, os reforços elevaram o peso em 120 kg para 780 kg na versão Life. Embora não anuncie uma previsão para o teste do Latin NCap, a fábrica se diz confiante em bons resultados.

 

 

O motor SCE de 1,0 litro e três cilindros com bloco de alumínio, duplo comando e quatro válvulas por cilindro é o mesmo disponível na Índia: embora inaugurado aqui pela linha 2017 de Logan e Sandero, foi no Kwid que ele nasceu no grupo, sendo derivado da unidade de 800 cm³. Comparado ao daqueles modelos, perdeu a variação de tempo de abertura das válvulas e teve a taxa de compressão reduzida de 12:1 para 11,5:1, o que baixou a potência de 79/82 cv para 66/70 cv e o torque de 10,2/10,5 m.kgf para 9,4/9,8 m.kgf, sempre na ordem gasolina/álcool. Up e Mobi oferecem potência e torque superiores, mas são mais pesados.

Além da óbvia redução de custo, a Renault justifica que o novo carro atinge o desempenho previsto: de acordo com a fábrica, acelera de 0 a 100 km/h em 15,5/14,7 segundos e alcança velocidade máxima de 152/156 km/h, na ordem. Além disso, pelos dados oficiais o Kwid torna-se o carro mais econômico da categoria no ciclo urbano do Inmetro (veja tabela comparativa com os concorrentes após a ficha técnica).

Plataforma inédita no Brasil foi bastante reforçada (em vermelho, aços de alta resistência); motor SCE sem variador tem 70 cv; note a câmera traseira no emblema

 

Como no Mobi Drive, a corrente que aciona os comandos de válvulas dispensa troca periódica, necessária com correia dentada como a do Up. A transmissão manual é exclusiva na marca, mais compacta que a de Logan e Sandero. Em relação ao indiano o tanque de combustível foi ampliado de 28 para 38 litros, até para compensar o uso de álcool (que rende cerca de 30% a menos que gasolina), e os pneus passaram de 155/80 R 13 para 165/70 R 14. As suspensões seguem o padrão McPherson/eixo de torção, sem estabilizador, e os freios dianteiros são a disco sólido, usual em carros mais leves.

 

O Kwid flui sem esforço, com melhor relação peso-potência que os adversários, e a suspensão de longo curso traz tranquilidade em pisos desnivelados e valetas

 

Ao volante do Kwid

Na apresentação prévia à imprensa em São Paulo, SP, o Best Cars dirigiu o Kwid Intense em condições urbanas variadas, da Marginal Pinheiros a ruas bastante desniveladas. A primeira boa impressão é de agilidade: o carro flui sem esforço, seguindo o tráfego em rotações moderadas, pois consegue melhor relação peso-potência que os adversários. Acima de certa velocidade, como 50 km/h, a menor potência se faz notar. Como é comum em modelos de baixo custo, as vibrações do três-cilindros são bem percebidas tanto em marcha-lenta quanto em rotações mais altas — eliminá-las tem custo. O comando de transmissão é leve e relativamente preciso.

A suspensão de longo curso e o amplo vão livre trouxeram tranquilidade em pisos desnivelados e grandes valetas (a Renault escolheu bem o trajeto), pelos quais passou mais rápido que o habitual sem atritos inferiores. Contudo, o rodar não é confortável: a suspensão traseira dura transmite os impactos, bem mais que a do Mobi, talvez mais que a do Up. Bons os bancos: embora compactos, acomodam melhor que os do Fiat, que são dos piores do mercado.

 

O novo Renault é ágil e supera pisos irregulares com facilidade, mas o rodar poderia ser mais confortável; bolsas infláveis laterais de série são destaque

 

Pelo contato inicial, o que esperamos do Kwid? Sua maior qualidade talvez seja trazer benefícios do Up, como plataforma própria e bom espaço para bagagem, a preço próximo ao do Mobi. Até então, para não pagar mais pelo VW (R$ 48.790 na versão Move aspirada), o comprador desse segmento tinha de aceitar o pequeno porta-malas do Fiat e escolher a versão Drive (R$ 41.260) de três cilindros para ter um carro econômico. Para obter grande vão livre do solo, tinha de descartar tanto o Up quanto essa versão do Mobi — o pacote Way não oferece o novo motor Firefly.

 

 

Assim, é bem-vinda a alternativa de um modelo mais barato (R$ 35.390 com os itens hoje essenciais) que combina economia, bom espaço para bagagem, suspensão elevada e ainda bolsas infláveis laterais, ausentes dos concorrentes. Por essa associação é que prevemos êxito para o Kwid e tempos menos tranquilos para Mobi e Up. Que vença o consumidor.

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Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 3 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4
Diâmetro e curso 71 x 84,1 mm
Cilindrada 999 cm³
Taxa de compressão 11,5:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 66/70 cv a 5.500 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 9,4/9,8 m.kgf a 4.250 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas manual, 5
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 14 pol
Pneus 165/70 R 14
Dimensões
Comprimento 3,68 m
Largura 1,579 m
Altura 1,474 m
Entre-eixos 2,423 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 38 l
Compartimento de bagagem 290 l
Peso em ordem de marcha 798 kg
Desempenho
Velocidade máxima 152/156 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 15,5/14,7 s
Dados do fabricante para versão Intense

 

Compare o consumo

Mobi Drive Kwid Move Up
Em cidade 13,7/9,6 km/l 14,9/10,5 km/l 14,2/9,6 km/l
Em rodovia 16,1/11,3 km/l 15,6/10,8 km/l 15,3/10,6 km/l
Gasolina/álcool, conforme padrões do Inmetro; Move Up com pneus de 14 pol

 

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