
O Galaxie usava um resistente chassi perimetral; o motor V8 de 4,5 litros vinha da picape F-100, mas com cabeçotes de alumínio
O robusto motor V8 cedido pela F-100, com 272 polegadas cúbicas de cilindrada (4.458 cm³) e comando de válvulas no bloco, recebia cabeçotes de alumínio para reduzir o peso. Ele desenvolvia potência de 164 cv e torque de 33,4 m.kgf pelos padrões brutos usuais na época: não era o ideal para o elevado peso do Galaxie, 1.780 kg. Ainda assim, o primeiro automóvel da Ford logo assumia uma posição de prestígio no mercado, dada a escassa concorrência nacional, com qualidades que eram apreciadas nos carros norte-americanos.
Na primeira avaliação, a revista Quatro Rodas destacou sua comodidade: “Surpreende a suavidade de marcha e a quase ausência de ruído do motor no interior do carro. Nos buracos, percebe-se a alta qualidade da suspensão. No assento de trás você pode até cruzar as pernas. O torque é mais que suficiente para passar em terceira marcha de 40 km/h para até 120, sem trepidação. A direção é macia e obediente. Nas curvas, acostumados, já nem percebemos que estamos dirigindo um carro grande”.

Direção assistida e freio de estacionamento por pedal eram novidades no mercado; o ar-condicionado vinha logo depois
A Ford indicava velocidade máxima de 165 km/h. Mais tarde, em teste completo, a revista obteve aceleração de 0 a 100 km/h em 14,9 segundos e observou o desempenho limitado: “O Galaxie não tem a aceleração que suas linhas sugerem. O consumo é naturalmente alto”, como 7,7 km/l a 100 km/h constantes e cerca de 4 km/l em uso urbano. Por outro lado, seu comportamento foi aprovado.
“A aderência do carro à estrada é perfeita em qualquer tipo de pavimentação. Na estrada é possível manter-se velocidade média elevada. A suspensão apresenta equilíbrio capaz de vencer curvas de alta velocidade com toda a segurança. A direção hidráulica — que transforma a tarefa de operá-la em simples brinquedo — não atrapalha em nada”. A conclusão foi que o carro oferecia “conforto e qualidade em padrões internacionais”.

Vinil no teto, madeira no painel, apoio de braço e outros refinamentos vinham no LTD, junto ao motor de 4,8 litros
O total de produção do Galaxie em 1967, com 9.237 unidades, se manteria seu recorde até o fim da produção. Nos anos seguintes vinham novos equipamentos que acentuavam seu conforto. A linha 1969 passava a oferecer a versão LTD (de limited, edição limitada, o que na verdade não era) com acabamento mais refinado: teto revestido em vinil, grade e frisos diferenciados, tapetes espessos, painel e portas com revestimentos em jacarandá da Bahia. Trazia ainda retrovisor externo com ajuste interno (por um botão no painel, opcional), lampejador de farol alto, espelho de cortesia no para-sol direito e apoio de braço central no banco traseiro.
Embora com um motor não ideal para seu peso, o Galaxie logo assumia uma posição de prestígio, com qualidades apreciadas nos carros norte-americanos
Junto do LTD vinha um motor de 292 pol³ (4.785 cm³, obtidos com maior diâmetro dos cilindros), 190 cv e 37 m.kgf para melhora razoável no desempenho. Era vinculado à transmissão automática de três marchas — chamada de Cruise-o-Matic nos EUA e Ford-o-Matic aqui —, a primeira em carro nacional. O ar-condicionado tinha evaporador, comandos e difusores de ar ainda sob o painel, enquanto a direção assistida era tão leve que o volante podia ser movido com um só dedo, chegando a assustar os desavisados.
Em teste, a Quatro Rodas apontou que “em velocidades mais elevadas ainda falta potência ao carro, mas ele atinge 100 km/h em apenas 17,4 segundos. Enfrentar o trânsito congestionado com esse carrão é um brinquedo. Sua estabilidade é bastante boa e, em curvas onde não se chega à compressão máxima da suspensão, o LTD apresenta-se muito dócil e seguro”.

Na publicidade, destaques ao conforto, espaço e silêncio ao rodar; para o LTD, a primeira transmissão automática do Brasil
A combinação do motor 292 à caixa manual tornava-se disponível apenas no modelo 1970 do Galaxie 500, que agora acelerava de 0 a 100 km/h em 13 segundos. Na mesma época surgia o Galaxie Standard ou básico, mais simples e acessível, para concorrer com o então novo Dodge Dart e com o Chevrolet Opala 3800. Despojado no acabamento interno e externo, ele perdia a direção assistida, a ventilação forçada, as calotas e muitos cromados, e não podia vir com ar-condicionado ou transmissão automática nem como opcionais.
Antes mesmo de chegar às ruas esse Galaxie era apelidado de “Teimosão” ou “Pé-de-Camelo”, em alusão às versões populares Teimoso do Renault Gordini e Pé-de-Boi do Volkswagen, fabricadas anos antes. De pouco sucesso, o modelo básico teve cerca de 1.300 unidades produzidas até 1972, sempre em número bem menor que o do Galaxie 500 ou o do LTD a cada ano.

O Galaxie básico dispensava confortos para competir em preço com o Dodge Dart, mas a proposta teve pouca aceitação
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A linha Galaxie passou por diferentes transformações e adaptações, sobretudo depois de sair de produção, quando os carros tinham baixo valor de mercado. Há registro de modelos modificados para perua, conversível, limusine e até picape.

Entre as limusines, ficou famosa nos anos 80 a da cantora e empresária Lilian Gonçalves, pintada em branco-pérola com o teto de vinil creme. Realizada pela Max Golden Car a partir de dois Landaus, a transformação deixou o carro com 6,40 metros de comprimento e incluiu televisor, videocassete, geladeira e isolamento entre o motorista e os passageiros. Desde então, muitos sedãs receberam essa conversão para atender a um mercado em especial: o transporte de noivas até o casamento (acima o da empresa Bauru Limousine).
No II Salão do Veículo Fora de Série, em 1987, uma empresa apresentou o Landau Van (foto). O sedã tornava-se um furgão de lazer, com seção traseira bem mais alta, rodas largas e pintura chamativa.
O Landau foi transformado também em carro fúnebre em Caxias do Sul, RS, pela empresa RVM Carrocerias Ltda. na década de 1980. O luxuoso sedã recebia alongamento da capota e adaptação na parte traseira para o serviço, realizado com classe e sobriedade difíceis de obter em outro veículo. As portas traseiras eram soldadas. O vidro traseiro basculante servia de acesso ao compartimento.























