Subaru Legacy, um lobo nipônico em pele de cordeiro

Subaru Legacy GT Type S2 1993

 
O GT Type S2 de 1992, só para o Japão, usava rodas BBS alemãs; faróis,
grade e para-lamas foram redesenhados nesse ano-modelo

 

Em outro comparativo, a perua Legacy AWD foi avaliada junto aos utilitários esporte Ford Explorer e Oldsmobile Bravada e à minivan Plymouth Voyager como opções 4×4 para o inverno rigoroso: “A Legacy é a mais vivaz do grupo, com pretensões praticamente de carro de rali e uma natureza esportiva acentuada pelo equilíbrio de tração e o baixo peso. Provou-se muito rápida na neve e o melhor carro do grupo em frenagem nessa condição. Inspira confiança em rodovias, mas seu vão livre do solo e o motor de pequena cilindrada trazem limitações quando as condições pioram”.

Uma leve remodelação era implantada em 1991, com faróis, grade e para-lamas dianteiros revistos. No Japão apareciam a versão GT Type S2, com aerofólio e rodas BBS, e em 1992 a Touring Wagon STI, primeiro Legacy com a intervenção da divisão esportiva Subaru Tecnica International. Essa edição limitada de 200 unidades trazia mais potência no motor turbo e volante esportivo Nardi. No mesmo ano começavam as vendas do sedã e da perua no Brasil (leia quadro abaixo).

 

Subaru Legacy TW 1992
Isuzu Aska
 
A Touring Wagon com as mesmas alterações de estilo (à esquerda) e
o Isuzu Aska, como o Legacy foi vendido por essa marca japonesa

 

Essa fase do Legacy também foi vendida pela japonesa Isuzu como a segunda geração de Aska, em substituição ao projeto Carro J da General Motors — o mesmo que originou o Chevrolet Monza no Brasil. Com mínimas diferenças visuais, o Aska foi oferecido entre 1990 e 1993 com motores Subaru de 1,8 e 2,0 litros e tração dianteira ou integral, esta apenas para o mais potente. As duas gerações seguintes desse Isuzu recorreriam a outro fornecedor: a Honda com seu Accord.

 

A Outback surgiu do objetivo de atender
ao público dos utilitários esporte sem
os custos de desenvolver um novo carro

 

Uma perua para qualquer terreno

Outubro de 1993 marcava a estreia da segunda geração do Legacy, com linhas mais suaves e arredondadas que evoluíam o tema da anterior e maiores dimensões (4,60 e 2,63 m, com ganhos também em largura e altura). Os motores disponíveis eram de 2,0 litros com comando de válvulas único (135 cv) ou duplo (150 cv), 2,2 de comando único (137 cv) e, para a versão GT nos EUA, um novo 2,5-litros de 150 cv. No Japão a linha esportiva contava com o GT, de câmbio automático, e o RS com ambos os tipos de caixa.

A tração integral usava dois sistemas, um para carros de câmbio manual, outro para os de caixa automática. Versões de entrada com tração dianteira também estavam no catálogo. Para a Popular Science, o novo carro “mostrou-se um estradeiro silencioso, com suspensão que fornece um comportamento firme, ao estilo europeu. O motor 2,2 é apenas adequado para subidas em rodovias, mas ajuda está a caminho na forma de um 2,5”.

 

Subaru Legacy RS 1994

 

Subaru Legacy RS 1996
Subaru Legacy GT Touring Wagon 1994
 
Maior e com formas mais arredondadas, o segundo Legacy
mantinha a versão esportiva RS; a perua seguia as mudanças

 

Os norte-americanos ganhavam em 1995 uma perua que, nas palavras de Tim Mahoney, Vice-Presidente Sênior da Subaru da América, salvaria a empresa. Com o nome do deserto australiano, a Outback surgiu do objetivo de atender ao público dos utilitários esporte — categoria em franco crescimento na época nos EUA — sem incorrer nos custos de desenvolver um novo carro. Com altura de rodagem maior em 65 mm para um vão livre do solo de 200 mm, grandes pneus 205/70 R 15 e apliques plásticos em todo o contorno da carroceria, ela ficava a meio caminho entre uma perua tradicional e um utilitário. No Japão chamava-se Grand Wagon ou, de 1998 em diante, Lancaster.

 

 

De início apenas o motor 2,2 de 135 cv era oferecido à Outback nos EUA, com câmbios manual e automático e tração sempre integral, mas o 2,5 com duplo comando e 165 cv entrava em uso mais tarde (no Japão o 2,5 de comando único foi empregado desde o lançamento). Avaliada pelo Best Cars, ela mostrou bom compromisso: “O boxer move a perua com facilidade, evidenciando boa distribuição do torque. Apesar da altura, a Outback roda com grande precisão direcional, mas o desenho misto dos pneus reduz a aderência em curvas rápidas. Seu grande mérito é combinar desempenho e conforto de uma perua médio-grande com capacidade fora de estrada bem razoável”.

Com o novo 2,5-litros, o sedã GT foi comparado pela Road & Track a Acura Integra, Audi A4, Nissan Maxima e Volkswagen Jetta em 1997: “Nenhum outro sedã é tão favorável ao usuário. Ele obteve nota máxima em posição de dirigir, visibilidade e banco traseiro. Você se sente em casa ao volante. Os bancos dianteiros têm apoio lateral excepcional. Na pista, comporta-se como um típico 4×4, com generoso subesterço, mas admirável aderência”. Por outro lado, o motor não muito potente foi criticado e seu nível de ruído foi o pior dos cinco.

 

Subaru Legacy Outback 1996
Subaru Legacy GT-B Touring Wagon 1996
 
Enquanto os EUA recebiam a “aventureira” Outback, o Japão desfrutava
o motor de 276 cv da perua GT/B com turbos sequenciais (à direita)

 

O público japonês adepto da esportividade, por sua vez, recebia uma perua de alto desempenho em 1996: a Legacy GT/B, que aplicava dois turbos de atuação sequencial (um de menor inércia atuava desde baixas rotações; o outro, de maior capacidade, entrava em ação em regimes mais altos) ao 2,0-litros de duplo comando para obter 276 cv. O pacote incluía amortecedores Bilstein e rodas e freios maiores. Outra opção, o sedã Legacy 250T, combinava visual esportivo ao motor 2,5 aspirado.

O pacote fora de estrada da Outback foi aplicado também ao Legacy, denominado SUS ou Sport Utility Sedan, em 1999. Tinha ainda aerofólio traseiro e tomada de ar no capô — falsa, pois não havia resfriador de ar ou mesmo turbo no motor 2,5. A Popular Mechanics avaliou-o ao lado de 11 concorrentes: “Pneus menos aderentes e maior altura prejudicaram sua estabilidade, mesmo com a vantagem da tração integral. À parte o comportamento, seu desempenho compara-se ao de outros Legacys, com uma potência mediana compensada pelo rodar em rodovias, que está próximo da perfeição”.

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Os especiais

Tommykaira M20 TB 1994
Tommykaira M20 TB 1994

Subaru Legacy Tommykaira B4 1998
Tommykaira B4 1998

Apesar do alto desempenho das versões esportivas de fábrica (ou justamente por causa dele?), o Legacy serviu de base para algumas preparações. A segunda e a terceira gerações passaram pelas mãos da Tommykaira, que fez o B4 com rodas maiores, para-choques remodelados e um alto aerofólio traseiro. A perua, com versões M20 TB e TB6, acompanhava as mudanças.

Prodrive B4 1999
Prodrive B4 1999

DAMD 2009
DAMD 2009

Também do segundo modelo a inglesa Prodrive fez um B4 refinado com novas rodas e anexos aerodinâmicos. Sedã e perua da quarta geração, em 2006, foram preparados pela japonesa DAMD: novos para-choques e grade, defletores, rodas de 19 pol com pneus 225/35. Alterações semelhantes foram feitas em modelos subsequentes, com a inclusão de volante esportivo, amortecedores especiais e rodas de 20 pol com pneus 235/30.

Rowen B4 RR 2009
Rowen B4 RR 2009

Rowen TW RR 2014
Rowen TW RR 2010

Para o quinto e o sexto modelos, a nipônica Rowen oferece o conjunto aerodinâmico RR (para-choques, saias, aerofólio), escapamento esportivo com uso de titânio, freios de alto desempenho, novos itens de suspensão e rodas Prodrive de 19 ou 20 pol. Sua Touring Wagon RR chega a exagerar nos adereços visuais, mas está na medida certa para se destacar no trânsito.

 

No Brasil

O Legacy ainda era novidade quando as importações de veículos foram reabertas no Brasil, em 1990. Dois anos mais tarde, por meio de um importador autorizado, o Legacy chegava a nosso mercado como sedã e perua com motores de 1,8 e 2,2 litros, incluindo versões com tração integral.

Subaru Legacy Outback 1996A segunda geração aparecia em 1995 com motores de 2,0 e 2,2 litros, mantendo as opções de carroceria, e dois anos mais tarde recebia o motor de 2,5 litros. Foi também em 1997 que estreou a Outback (foto), já com essa unidade de maior cilindrada. Versões de 2,0, 2,2 e 2,5 litros da linha Legacy continuaram no catálogo brasileiro até 2002, passando pela terceira geração. A importação da marca era assumida em 1998 pelo grupo Caoa, do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade.

O quarto modelo era lançado aqui em 2005 como o sedã 3.0 R, com motor H6 de 3,0 litros, e a perua Outback, com opção entre o 2,5-litros (até 2006) e o H6 (até 2009). A quinta geração chegava a nosso mercado em 2010 com o sedã (com motores 2,0 aspirado e 2,5 turbo e câmbio CVT) e a Outback, agora dotada do seis-cilindros de 3,6 litros e 280 cv, ambos com tração integral de série. O sexto Legacy ainda não desembarcou no País.

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