Bancos confortáveis e amplo espaço na traseira são pontos positivos; tela central de 7 pol traz áudio, navegador e orientação para condução econômica
Confortável, mas não pela direção
Salvo pelo trem de força ou a alavanca de transmissão, é o mesmo Captur que avaliamos antes. O conteúdo da versão Intense inclui alarme, ar-condicionado automático, assistente de partida em rampa, bolsas infláveis laterais, câmera traseira de manobras, chave-cartão presencial para acesso e partida, cintos de três pontos para cinco ocupantes, comando satélite de áudio, controlador e limitador de velocidade, controle eletrônico de estabilidade e tração, fixação Isofix para cadeira infantil, rodas de alumínio de 17 polegadas e sistema de áudio com tela de 7 pol e navegador. O preço de R$ 88.400 passa a R$ 89.900 com bancos revestidos em couro. A pintura metálica em dois tons custa mais R$ 2.900.
Embora os 25 cv de diferença entre as versões possam fazer falta em algumas condições, o 1,6-litro ainda acelerou mais rápido que o Jeep Renegade de 1,75 litro
É um carro espaçoso para passageiros e bagagem (437 litros), com bancos confortáveis, painel bem desenhado (o velocímetro digital é bem prático) e rodar confortável a maior parte do tempo. A suspensão garante ótima estabilidade em curvas, com bom controle de movimentos e da inclinação, e o vão livre do solo de 212 mm — o maior da categoria — traz tranquilidade sobre lombadas, valetas ou trechos leves fora de estrada.
Há uma série de bons detalhes, como ajuste elétrico de facho dos faróis, alerta para uso do cinto também pelo passageiro ao lado, controle elétrico de vidros com função um-toque e fechamento a distância (não abertura), espelho esquerdo biconvexo, faróis de neblina com iluminação de curvas, faróis e limpador de para-brisa automáticos, rebatimento elétrico dos retrovisores e a soleira protegida pelas portas, que evita sujar a barra da calça ao sair.
Chave-cartão presencial, retrovisor biconvexo, ajuste de faróis, controlador/limitador de velocidade e soleira protegida: bons detalhes
O que não agrada? Primeiro, o acabamento: os materiais do interior, dos plásticos do painel ao couro dos bancos, têm aspecto mais simples do que em Kicks e Renegade. Segundo, a visibilidade: as colunas dianteiras largas e avançadas criam pontos cegos maiores que os normais, mesmo que o “normal” hoje seja bem diferente de alguns anos atrás em prol da segurança em impactos. Terceiro, a direção.
Como não é novidade a quem lê o Best Cars, a transmissão de impactos do piso ao volante do Captur é das piores notadas em quase 20 anos de avaliações. Percebe-se em retas, mas fica pior com o esterçamento da direção, o que faz supor que a geometria dianteira saia do ideal nessa condição. Embora seja inconveniente conhecido do Duster, que lhe cedeu a plataforma, a impressão é de que foi agravado com pneus e altura de rodagem diferentes. A Renault deveria colocar sua competente Engenharia para buscar uma solução.
Há outros itens melhoráveis. Embora prático de usar, o sistema de áudio e navegação Media Nav está superado perante concorrentes com integração a celular (Android Auto, Apple Car Play). Faria bem abandonar o tanque auxiliar de gasolina para partida a frio em favor de preaquecimento de álcool, em uso por quase toda a indústria — até a sócia Nissan. Os controles de vidros só atuam após ligar o motor ou com a inserção do cartão no console, o que não faz sentido, e o estepe sob a carroceria parece ser aprovado apenas pelos gatunos. E que tal faixa degradê no para-brisa?
Motor SCE de 118/120 cv e caixa XTronic trouxeram bom desempenho urbano e menor consumo, mas em subidas de rodovia é preciso solicitá-los mais
No comparativo de cinco SUVs, o Captur de 2,0 litros ficou em último lugar. Seria diferente se o XTronic 1,6 estivesse no confronto? A resposta é sim: mereceria mais um ponto nas notas de Motor, Consumo, Transmissão e Relação Custo-Benefício (de 3 para 4), enquanto a de Desempenho continuaria 3. A média de 3,67 o promoveria a terceiro acima de Tracker e HR-V.
É fato que os 25 cv de diferença entre as versões (com gasolina; com álcool seriam 28) podem fazer falta em algumas condições. Contudo, o 1,6-litro ainda acelerou mais rápido que o Renegade, segundo mais vendido entre os SUVs compactos — o Compass é médio —, o que revela aceitação do público a carros não tão ágeis. Assim, apesar das ressalvas, a combinação do motor SCE à transmissão XTronic confirmou-se uma boa novidade para o Captur.
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Comentário técnico
• A CVT fabricada pela Jatco usa correia de liga de aço, sem substituição prevista (espera-se a mesma durabilidade da caixa como um todo), e não a mantém banhada em óleo para reduzir a inércia de funcionamento: o lubrificante é apenas borrifado onde necessário. Um conversor de torque é empregado para multiplicar o torque nas saídas, aumentar o efeito redutor nas desacelerações e ativar a marcha à ré. Uma caixa auxiliar, que funciona como uma reduzida, permite grande variação de relações (7,3) com polias menores e mais leves. A caixa acrescenta apenas 13 kg ao peso total em relação à manual.
• O motor SCE, lançado para 2017 no Logan e no Sandero, tem recursos atuais como variação do tempo de abertura das válvulas de admissão, bloco de alumínio e coletor de escapamento integrado ao cabeçote. No Captur, assim como no Duster e na Oroch, ele obtém potência superior à daqueles modelos. É basicamente o mesmo motor dos Nissans March, Versa e Kicks, mas com algumas evoluções.
Ficha técnica
| Motor | |
| Posição | transversal |
| Cilindros | 4 em linha |
| Material do bloco/cabeçote | alumínio |
| Comando de válvulas | duplo no cabeçote |
| Válvulas por cilindro | 4, variação de tempo |
| Diâmetro e curso | 78 x 83,6 mm |
| Cilindrada | 1.597 cm³ |
| Taxa de compressão | 10,7:1 |
| Alimentação | injeção multiponto sequencial |
| Potência máxima (gas./álc.) | 118/120 cv a 5.500 rpm |
| Torque máximo (gas./álc.) | 16,2 m.kgf a 4.000 rpm |
| Potência específica (gas./álc.) | 73,9/75,1 cv/l |
| Transmissão | |
| Tipo de caixa e marchas | automática de variação contínua, emulação de 6 marchas |
| Relação e velocidade por 1.000 rpm | |
| Mais curta | 3,87 / ND |
| Mais longa | 0,53 / ND |
| Relação de diferencial | ND |
| Regime a 120 km/h | ND |
| Regime à vel. máxima informada | ND |
| Tração | dianteira |
| Freios | |
| Dianteiros | a disco ventilado (ø ND) |
| Traseiros | a tambor (ø ND) |
| Antitravamento (ABS) | sim |
| Direção | |
| Sistema | pinhão e cremalheira |
| Assistência | eletro-hidráulica |
| Diâmetro de giro | 10,7 m |
| Suspensão | |
| Dianteira | independente, McPherson, mola helicoidal |
| Traseira | eixo de torção, mola helicoidal |
| Estabilizadores | dianteiro e traseiro |
| Rodas | |
| Dimensões | 17 pol |
| Pneus | 215/60 R 17 H |
| Dimensões | |
| Comprimento | 4,329 m |
| Largura | 1,813 m |
| Altura | 1,619 m |
| Entre-eixos | 2,673 m |
| Bitola dianteira | ND |
| Bitola traseira | ND |
| Coeficiente aerodinâmico (Cx) | ND |
| Capacidades e peso | |
| Tanque de combustível | 50 l |
| Compartimento de bagagem | 437 l |
| Peso em ordem de marcha | 1.286 kg |
| Relação peso-potência | 10,9/10,7 kg/cv |
| Garantia | |
| Prazo | 3 anos ou 100 mil km |
| Carro avaliado | |
| Ano-modelo | 2018 |
| Pneus | Continental Conti Cross Contact |
| Quilometragem inicial | 1.000 km |
| Dados do fabricante; ND = não disponível | |


























