Versão Dynamic Tech com câmbio de nove marchas, que tem
desenho e tecnologia como destaques, demanda aprimoramentos
Texto e fotos: Fabrício Samahá
Desde que os utilitários esporte chegaram ao Brasil e se tornaram sonhos de consumo de muitos, diferentes marcas ocuparam a posição de ícone do segmento, com modelos desejados por pessoas dos mais diversos perfis. O Jeep Grand Cherokee deteve o título na década de 1990, para então passá-lo ao BMW X5 e ao Porsche Cayenne. Nos últimos anos, porém, um modelo menor e mais acessível que esses conquistou de vez os brasileiros, a ponto de obter o segundo lugar na classe O Carro dos Meus Sonhos na 16ª. e na 17ª. edições da Eleição dos Melhores Carros do Best Cars, atrás apenas do campeão absoluto Porsche 911, e de obter recorde de votação em sua classe: o Range Rover Evoque.
Com o recente lançamento do câmbio de nove marchas, submetemos a uma avaliação completa a versão de topo do Evoque, a Dynamic Tech, com preço sugerido de R$ 281.000 (tanto com três portas, opção denominada com exagero de Coupé e que representa parcela discreta das vendas no Brasil, quanto com cinco). É um incremento substancial sobre o preço de entrada da linha, os R$ 197.500 da versão Pure Tech, que usa o mesmo motor turbo a gasolina de 2,0 litros. Há ainda o turbodiesel de 2,2 litros, vinculado ao acabamento Prestige.
Os equipamentos de série são, como esperado, numerosos: o Dynamic vem com controle eletrônico de estabilidade, sete bolsas infláveis (frontais, laterais dianteiras, cortinas e para os joelhos do motorista), rodas de 20 polegadas, faróis com lâmpadas de xenônio, faróis e limpador de para-brisa automáticos, banco do motorista com ajustes elétricos, freio de estacionamento elétrico, assistente para estacionamento, seletor Terrain Response, controle de descida, alarme, controlador de velocidade, teto panorâmico (fixo) e sistema de áudio Meridian com potência de 380 watts, 11 alto-falantes e tela de 5 pol no painel.
Do carro-conceito LRX o Evoque herdou as formas ousadas, que incluem
bons detalhes de estilo como os faróis, lanternas e para-choques
O pacote Tech, que acrescenta nada menos que R$ 49.500 ao preço original do Dynamic (R$ 231.500), traz ainda controlador da distância até o tráfego à frente, controle automático do facho dos faróis, bancos dianteiros esportivos com memórias para o do motorista, tela de 8 pol com tecnologia de dupla visão, câmeras que mostram 360º em torno do carro, áudio de 825 watts com 17 alto-falantes, controle eletrônico dos amortecedores, acesso ao interior e partida do motor sem uso de chave e tampa traseira motorizada para abrir e fechar.
Com comutação automática, os faróis
passam ao facho alto em ambiente escuro e
voltam ao baixo se surge veículo à frente
Embora a Range Rover — uma submarca de prestígio da Land Rover, marca hoje sob comando do grupo indiano Tata — fosse sinônimo de utilitário luxuoso desde os anos 70 (leia história), foi só com o lançamento do Evoque em 2010 que passou a atrair atenções de um público mais jovem, que antes desprezava seus desenhos retilíneos e tradicionais. Não foi por menos: o modelo veio praticamente inalterado da fase de carro-conceito, quando se chamava Land Rover LRX, em 2007, para a de produção.
Essa transição deu ao Evoque um desenho moderno, quase futurista, e com tão intensa identidade que logo passou a inspirar todos os novos modelos da Land Rover, do Range Rover ao Discovery Sport, passando pelo Range Rover Sport. Os destaques são os faróis e lanternas traseiras de perfil baixo e com elementos de leds bem elaborados, a linha de cintura extremamente alta e o perfil estreito das janelas laterais e traseira, que formam um atraente conjunto com as rodas de 20 polegadas da versão (as de 18 pol do carro básico chegam a parecer pequenas em função do volume de chapas da carroceria). Detalhe curioso é o limpador do vidro traseiro que repousa no topo, sob o defletor, para não ficar à mostra.
A linha de cintura é alta a ponto de prejudicar a visibilidade ao redor;
versão de topo traz rodas de 20 pol e tampa traseira motorizada
Ao destravar as portas à noite, nota-se no solo próximo das portas uma charmosa iluminação de cortesia com a silhueta do carro escura — parece que alguém da marca assistiu muito aos desenhos de Batman. Aberta a porta, a soleira iluminada traz o nome Range Rover em destaque e o banco do motorista fica mais baixo e recuado para facilitar o acesso, voltando à posição original ao se dar partida. O ambiente interno é sofisticado e usa materiais de alta qualidade, como os plásticos suaves. Tons chamativos, como o caramelo do carro avaliado, estão no catálogo de opções para o Brasil.
Os bancos dianteiros do tipo concha, envolventes e com intenso apoio lateral, são confortáveis e bem definidos em forma e densidade de espuma, mas alguns podem se incomodar com o aperto lateral na região dos quadris. Há ajuste elétrico para todas as funções (incluindo a intensidade de apoio lombar, mas não sua altura) e duas memórias no do motorista. Posição de comandos e empunhadura do volante de quatro raios são corretas. Contudo, colunas dianteiras largas, vidro traseiro de perfil baixo e a altura da linha de base das janelas deixam a visibilidade bem aquém do desejado — vê-se mais o teto que a carroceria dos carros ao lado no trânsito.
O quadro de instrumentos inclui um computador de bordo com duas medições, mas que informa consumo no padrão europeu (litros por 100 km) em vez do nosso (km/l). A iluminação dos mostradores, branca por padrão, torna-se vermelha ao ajustar o seletor de modos para Dynamic (mais sobre ele adiante). Na seção central do painel, a tela sensível ao toque serve aos sistemas de áudio (de ótima qualidade), vídeo, telefone por Bluetooth, navegação e dados de economia, com histórico de consumo e nota para a direção eficiente.
Bancos dianteiros concha e opções exóticas de tons dão tom diferenciado
ao interior do Evoque; espaço no banco traseiro é inviável para três
Há alguns comandos de voz em espanhol (não português, nem o lusitano) e conexões USB, auxiliar e para aparelhos Apple. A tela Dual View, ou dupla visão, projeta diferentes imagens conforme o ângulo pelo qual é vista: assim, o passageiro da frente pode assistir a um vídeo enquanto o motorista vê o navegador, já que pela legislação uma imagem de entretenimento não pode ser exibida em movimento a quem dirige. A tela mostra também as imagens de cinco câmeras, em separado ou juntas, com ajuste de ângulo e posição e que atuam em qualquer velocidade — nada impede que mostrem a rodovia enquanto se viaja, embora tenham como intuito monitorar obstáculos no fora de estrada.
Apesar das práticas funções, a tela esbarra em um problema conhecido: é alta para uso prolongado com toques da mão, mas baixa para visualização frequente enquanto se deve olhar para a estrada. Outras marcas de luxo resolveram a questão separando a parte visual (com uma tela elevada, logo abaixo do para-brisa) do acionamento, feito no console central com comandos multifunção. Talvez a Land Rover devesse seguir esse caminho.
Esta versão de topo traz recursos interessantes, como a comutação automática de faróis: passam ao facho alto tão logo for detectado ambiente sem iluminação, mas voltam ao baixo quando acusam veículo à frente (basta uma moto) ou no sentido contrário. Funciona tão bem que, em uma estrada sinuosa, o facho abaixava assim que víamos as luzes de um carro vindo pela curva na faixa oposta, antes mesmo que ele entrasse no campo de nossos faróis altos — ou seja, acaba o risco de ofuscar alguém. Quando o carro passa, o facho volta a alto.
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