Toro Endurance manual continua lenta, mas mostra conforto

Transmissão manual deixou a Toro ainda mais lenta de 0 a 100 km/h; respostas ficam mais convincentes em modo Sport



Motor e desempenho
Transmissão manual deixa um veículo mais rápido que a automática? Nem sempre. No caso da Toro, a versão com três pedais tem cinco marchas em vez de seis e não conta com o conversor de torque, que fornece um “pulo” inicial à automática. Assim, na pista de testes (ambas com gasolina), a Endurance manual levou 14,1 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h ou 0,4 s a mais que a automática. Se a outra estava longe de empolgar pelo desempenho, essa então…


Fato curioso é a terceira marcha acabar a 118 km/h reais, o que afeta tanto a aceleração de 0 a 120 quanto as retomadas. No dia a dia, a Toro melhoraria em sensação de desempenho se não tivesse um acelerador tão lento em um tempo de uso abusivo de pedais rápidos (que abrem quase toda a borboleta a um leve toque) por várias marcas.

Embora seja melhor a atuação progressiva, nesse caso ela acentua a sensação de falta de potência. Basta acionar o modo Sport, por tecla no painel, que o pedal ganha a resposta desejada e a picape parece outra. Ponto positivo: o motor emite ruídos e vibrações moderados. Já os engates da caixa são firmes e precisos, mas não macios.

Caixa manual trouxe vantagem em consumo: mais de 11 km/l de gasolina no trajeto urbano leve, bom ganho sobre a automática



Consumo
Trocar de caixa automática para manual resultou, como esperado, em boa melhora no consumo da Toro. A Endurance fez 11,3 km/l no trajeto urbano mais leve, ante apenas 9,1 km/l da Freedom automática, e 10 km/l no percurso rodoviário contra 9,5 da outra. Em rodovia a versão automática beneficia-se da menor rotação e, em boa parte do tempo, roda com conversor de torque bloqueado, o que explica a proximidade de resultados. Embora a Toro manual esteja longe de ser econômica, mostrou consumo compatível com o de SUVs de médio porte.

Com acerto de suspensão dos melhores, a Toro consegue ser excelente em conforto de rodagem e em estabilidade para os padrões de picapes


Comportamento dinâmico
Com moderna suspensão traseira independente multibraço — mais sofisticada até que os sistemas dos colegas de plataforma Jeep Compass e Renegade — e acerto dos melhores, a Toro consegue ser excelente em conforto e em estabilidade para os padrões de picapes, não ficando atrás de muitos utilitários esporte. A absorção de irregularidades agrada sempre, sejam pequenas ou grandes, rápidas ou lentas. O perfil alto dos pneus não compromete a boa atitude em curvas e há controle eletrônico de estabilidade e tração de série. O vão livre do solo (243 mm entre eixos) está adequado.

Correta é também a direção em assistência e relação. Duas ressalvas: o diâmetro de giro muito grande, conhecido da picape, e pedal de freio que parece ter um curso morto (sem ação) e precisa ser pisado a fundo para atuar.

Destaque para o acerto da suspensão, bem superior às picapes com chassi tanto em estabilidade quanto em conforto de rodagem



Segurança passiva
Diferente das versões de topo, que trazem sete bolsas infláveis (incluindo laterais dianteiras, de cortina e de joelhos do motorista), a Toro Endurance oferece apenas as bolsas frontais. É o mínimo exigido por lei, assim como cintos de três pontos e encostos de cabeça para todos os ocupantes e fixação Isofix para cadeira infantil.



Custo-benefício
A Toro Endurance manual tem um segmento para chamar de seu, pois não há concorrentes diretas. Abaixo dela em porte e preço existe a Renault Duster Oroch, que custa R$ 90 mil na versão Dynamique manual, com a vantagem do motor mais potente (de 2,0 litros e 143/148 cv), mas bem inferior em refinamento e idade de projeto.

Picapes maiores com tração traseira e construção sobre chassi custam bem mais que o modelo da Fiat. Entre as opções estão Chevrolet S10 LT (2,5 litros, 197/206 cv, caixa automática, R$ 142 mil) e Toyota Hilux SR (2,7 litros, 159/163 cv, caixa manual, R$ 133.550). Diante desse quadro, a combinação de desenho atraente, ótimo acerto de suspensão e preço intermediário faz da Toro mais simples uma opção a considerar para quem valoriza, em uma picape, mais o conforto ao rodar que o desempenho.

Mais Avaliações

Nossas notas

Estilo 5
Acabamento e conveniência 3
Posto do motorista 4
Espaço interno 4
Caçamba 4
Motor e desempenho 3
Consumo 3
Comportamento dinâmico 5
Segurança passiva 2
Custo-benefício 3
Média 3,6
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Desempenho e consumo

Aceleração
0 a 100 km/h 14,1 s
0 a 120 km/h 20,1 s
0 a 400 m 19,5 s
Retomada
60 a 100 km/h (3ª.) 8,0 s
60 a 100 km/h (4ª.) 10,8 s
60 a 120 km/h (4ª.) 17,3 s
80 a 120 km/h (4ª.) 12,0 s
Consumo
Trajeto leve em cidade 11,3 km/l
Trajeto exigente em cidade 5,9 km/l
Trajeto em rodovia 10,0 km/l
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Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 80,5 x 85,8 mm
Cilindrada 1.747 cm³
Taxa de compressão 12,5:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 135/139 cv a 5.750 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 18,8/19,3 m.kgf a 3.750 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas manual, 5
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira independente, multibraço, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 16 pol
Pneus 215/65 R 16
Dimensões
Comprimento 4,944 m
Largura 1,844 m
Altura 1,711 m
Entre-eixos 2,99 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 60 l
Compartimento de bagagem 820 l
Peso em ordem de marcha 1.606 kg
Desempenho e consumo (gas./álc.)
Velocidade máxima 180/183 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 14,0/13,0 s
Consumo em cidade 9,9/6,9 km/l
Consumo em rodovia 10,9/7,6 km/l
Dados do fabricante; consumo conforme padrões do Inmetro

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