Fiat Toro em dose dupla enfrenta Renault Oroch

Toro 1,75
Toro 1,75
Toro 2,4
Toro 2,4
Duster Oroch
Duster Oroch

 

Pneus de uso misto são úteis na Oroch para uso leve fora de estrada, mas falta controle de tração; o rodar das três nessas condições é confortável

 

Item de série relevante a favor das Fiats é o controle eletrônico de estabilidade e tração, útil tanto pela segurança em curvas e manobras de emergência quanto no tráfego fora de estrada. A função de tração contribui para evitar a patinação dos pneus na lama, embora possa ter atuação indesejada se a aderência do piso for muito baixa (para isso há botão de desativação).

 

As duas marcas buscaram bom compromisso entre conforto, estabilidade e capacidade de carga, mas a Toro é superior em absorção de impactos

 

As Toros seguem a atual tendência de adotar assistência elétrica de direção, que traz vantagens como volante muito leve com carro parado, menor consumo de energia e ausência de fluido e sua manutenção, se comparada à eletro-hidráulica da Oroch (era apenas hidráulica no modelo 2016; a marca alterou em busca de menor consumo). A favor da Renault está o diâmetro de giro menor em 1,5 metro, que se constata facilmente no dia a dia urbano: é difícil fazer retornos e manobras de estacionamento com a Fiat pelo baixo esterçamento.

Os freios das três picapes contam com distribuição eletrônica entre os eixos (EBD), mas não assistência adicional em frenagens de emergência. Pode melhorar a assistência da Toro, que dá sensação de pouca capacidade de frear no começo de curso do pedal. Mesmo assim, não percebemos na 2,4 um inconveniente notado na 1,75 e na turbodiesel: diante da pouca resposta inicial, ao pisar pouco mais a frenagem se torna excessiva. Isso pode indicar aprimoramento pela fábrica após a produção inicial, pois nossa versão 1,75 era um carro há mais tempo na frota.

 

Toro 1,75
Toro 1,75
Toro 2,4
Toro 2,4
Duster Oroch
Duster Oroch

 

Todas têm faróis de duplo refletor e para neblina, aos quais a Oroch pode acrescentar os de longo alcance

 

Elas equivalem-se em faróis, dotados de duplo refletor e associados aos de neblina (opcionais nas Toros). A Oroch pode receber os auxiliares de longo alcance, mas não tem luz traseira de neblina. Há ainda repetidores laterais das luzes de direção e luzes diurnas, estas com leds apenas nas Fiats; também nelas, o farol de neblina de cada lado acende-se ao girar o volante para iluminar curvas. A visibilidade dianteira é melhor na Renault, que tem colunas mais estreitas e recuadas; para trás ambas impõem limitações.

 

 

Em temos de segurança passiva, as três vêm de série apenas com as bolsas infláveis frontais exigidas por lei, além de encostos de cabeça e cintos de três pontos para os cinco ocupantes. No entanto, a Fiat oferece para a versão 2,4 a opção de bolsas laterais dianteiras, de cortina e de joelhos para o motorista, em um pacote que a deixava em clara vantagem. Sua picape inclui ainda fixações Isofix para cadeira infantil, ausentes da rival.

Próxima parte

 

Fiat Toro 1,75
Fiat Toro 1,75

Controle de estabilidade e fixação Isofix vêm apenas na Toro, que pode ter mais cinco bolsas infláveis, como na 2,4 avaliada

 

Desempenho e consumo

Tanto a fama de baixo desempenho da Toro 1,75 no mercado quanto a impressão ao dirigi-la confirmaram-se na pista de testes, onde a picape exigiu sonolentos 15,2 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h e 17,7 s na retomada de 60 a 120. Não menos grave é o tempo de quase 7 s para seguir acelerando de 100 a 120 km/h, apesar de contar com seis marchas, que permitem ao motor manter certa rotação após as trocas. Portanto, cuidado extra com ela ao calcular uma ultrapassagem.

A Toro 2,4, por outro lado, mostrou o bom desempenho esperado: 0 a 100 em 11,5 segundos, 60 a 120 em 14,4 s. É importante lembrar que as três foram medidas com gasolina (nosso objetivo, embora nem sempre possível), mas que seu motor tem a maior diferença de potência e torque em relação ao uso de álcool. Assim, se testadas com o combustível vegetal, a mais potente das Fiats tenderia a acentuar sua vantagem sobre as demais.

No meio-termo ficou a Oroch, com 13 s no 0-100 e 15,6 s no 60-120. Com relação peso-potência similar à da Toro 2,4, ela evidencia os prejuízos trazidos pela ineficiente caixa de quatro marchas e seus grandes intervalos entre relações: a cada mudança, o motor perde muitos giros e demora a retomar o ímpeto.

É simples arrancar forte com qualquer uma delas: acelera-se tudo, aplicando ou não o pedal de freio enquanto isso, e elas saem sem patinar pneus em asfalto seco. Permitem maior rotação de estol as caixas da Toro 1,75 (2.700 rpm) e da Oroch (2.600) que a da Toro 2,4 (2.200): é provável a Fiat ter aumentado essa rotação para melhor capacidade de saída, como em rampas com picape carregada. A mudança automática de marcha vem em torno de 6.000 rpm na Toro mais fraca e 6.300 na mais potente e na Oroch.

De certo modo, foi surpreendente o equilíbrio entre as marcas de consumo das três: a Toro 1,75 venceu nos três trajetos por margens entre 0,3 e 0,8 km/l. Os resultados levam a três constatações.

Primeira, que nem sempre maior cilindrada implica grande aumento de consumo: nesse caso, a eficiente caixa de nove marchas manteve o motor 2,4 em baixas rotações sempre que possível. Segunda, que relação peso-potência ruim também sacrifica a economia, pois se esperava maior vantagem da Toro 1,75 sobre a versão mais potente. Terceira, que quatro marchas são mesmo coisa do passado — não importa o quanto as defendam algumas publicações — e respondem em boa parte pelo consumo elevado da Oroch, embora ela seja tão mais leve que as Toros e tenha motor menor que o 2,4 da Fiat.

 

Medições Best Cars

Toro 1,75 Toro 2,4 Oroch
Aceleração
0 a 100 km/h 15,2 s 11,5 s 13,0 s
0 a 120 km/h 22,1 s 16,7 s 18,7 s
0 a 400 m 19,9 s 18,0 s 18,8 s
Retomada
60 a 100 km/h* 10,8 s 7,6 s 10,3 s
60 a 120 km/h* 17,7 s 14,4 s 15,6 s
80 a 120 km/h* 12,9 s 9,7 s 10,9 s
Consumo
Trajeto leve em cidade 10,1 km/l 9,3 km/l 9,3 km/l
Trajeto exigente em cidade 5,2 km/l  4,9 km/l 5,1 km/l
Trajeto em rodovia 11,1 km/l  10,6 km/l 11,0 km/l
Autonomia
Trajeto leve em cidade 545 km 502 km 419 km
Trajeto exigente em cidade 281 km 265 km 230 km
Trajeto em rodovia 599 km 572 km 495 km
Testes efetuados com gasolina; *com reduções automáticas; melhores resultados em negrito; conheça nossos métodos de medição

 

Dados dos fabricantes

Toro 1,75 Toro 2,4 Oroch
Velocidade máxima 172/175 km/h 197/200 km/h ND
Aceleração de 0 a 100 km/h 12,8/12,2 s 10,5/9,9 s ND
Consumo em cidade 8,3/5,8 km/l 8,6/5,9 km/l 8,6/5,9 km/l
Consumo em rodovia 10,5/7,4 km/l 10,8/7,4 km/l 10,8/7,6 km/l
Dados do fabricante para gasolina/álcool; ND = não disponível; consumo conforme padrões do Inmetro

 

Comentário técnico

• Os motores têm origens bem distintas. O F4R da Renault é antigo, em uso por aqui desde a Scénic de 2001, embora com evoluções. Não muito mais novo é o E-Torq de 1,75 litro da Toro, aplicado em 2010 ao Punto, mas derivado do 1,6 que BMW e Chrysler fabricavam desde 2001 em Campo Largo, PR, para atender a modelos como Mini e PT Cruiser. Ambos usam bloco de ferro fundido e variação de tempo de abertura de válvulas (só de admissão no Renault, para todas no Fiat, pois a árvore de comando é uma só). Comparado à versão lançada em 2015 no Renegade, o da Toro ganhou coletor de admissão com geometria variável, estendido mais tarde ao Jeep.

• Mais sofisticado é o Tigershark 2,4, um motor Chrysler da década passada (evoluiu daquele que tivemos no Fiat Freemont e no PT Cruiser) que recebeu cabeçote Multiair na atual gestão da FCA. O sistema eletro-hidráulico usa a variação de tempo de abertura e de levantamento das válvulas de admissão para controlar a entrada de mistura ar-combustível aos cilindros. Além disso, tem bloco de alumínio, parada/partida automática (com botão para desativar) e preaquecimento de álcool para partida a frio.

• Ambos os motores Fiat usam corrente para sincronia entre comandos de válvulas (duas árvores no 2,4, uma só no 1,75) e virabrequim, solução mais robusta e de menor manutenção que a correia dentada da unidade Renault. Desfavorável é a relação r/l do motor maior da Toro, 0,338, uma das piores já vistas (embora poucos fabricantes forneçam esse dado). No E-Torq é 0,316 e no motor Renault pouco pior, 0,323.

• Usar mais marchas em uma caixa automática traz dois benefícios. Um é o espectro mais amplo, calculado ao se dividir a relação da primeira pela da última: 9,8 na Toro de nove marchas ante 6,7 da versão de seis marchas e apenas 3,8 da Oroch. Assim, o fabricante pode obter ao mesmo tempo maior capacidade de saída em rampa (em primeira) e menor rotação em viagem (na última), o que favorece a economia. Como se constata pelas velocidades por 1.000 rpm (veja na ficha técnica), a primeira da Renault é similar à segunda da Fiat 2,4, enquanto as três últimas marchas desta são mais longas que a quarta da rival.

• A outra vantagem é o menor intervalo entre as relações, também notado nas velocidades por 1.000 rpm: a operação torna-se mais suave, usa-se menos o conversor de torque (cuja operação consome energia), mantém-se o motor em baixa rotação por mais tempo e reduções não elevam muito os giros sem necessidade. Benefícios que se nota claramente ao dirigir uma das Toros em comparação à Oroch.

• Embora a Renault tenha anunciado que sua suspensão traseira é multibraço (multilink em inglês), não é o caso: a falta de braço superior caracteriza-a como McPherson, ao contrário da Toro, que usa uma multibraço legítima. De qualquer forma, ambos os fabricantes buscaram soluções parecidas para obter rodar mais confortável que o habitual em picapes.

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